Por William J. Monahan, traduzido por Eduardo Marcondes

Minha esposa e eu recentemente voltamos para casa depois de três anos na missão. Com um mês ou dois, as coisas ficaram interessantes. Eu me vi espreguiçando pela casa, assistindo muita televisão e amontoando correspondência inútil como se as companhias de cruzeiros marítimos já tivessem me “selecionado” para viajar ao redor do mundo, com comida grátis e aqueles drinks com guarda-chuvinha em costas de água cristalina. À medida que o verão se estendia pelas férias, eu comecei a me sentir culpado. Não é que eu não tenha gostado da mudança de ritmo depois de deixar a missão, mas é que eu tinha ficado muito à vontade para me espreguiçar e tinha menos desejo de me doar aos outros. De repente era fácil demais justificar minha indisposição em nome do “estive lá, fiz aquilo, hora de relaxar”.

Como membros d´A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nós aprendemos a procurar o equilíbrio entre a recreação saudável e o trabalho produtivo, a adoração e o serviço. Esse equilíbrio admite diversão com a família como parte do valor de um trabalho honesto. Para fazer uma citação, o Livro de Mórmon nos lembra “comeceis a agir” (Alma 60:24). À luz da minha tristeza pós-missão, a responsabilidade de “começar a agir” irrompeu em minha paz com uma persistente pergunta: Tinha eu me tornado um “Mórmon só aos domingos”? Claro, eu estava frequentando a igreja, mas estava eu ativo no evangelho?

A frequência à igreja pode confundir algumas pessoas com a conversão ao evangelho. A conversão real implica em adoração diária e serviço que tipificam a vida de Jesus Cristo. Enquanto a frequência à igreja é boa, ela é apenas um passo no processo de “aperfeiçoamento dos santos”. Quando os frequentadores da igreja são membros que só vão aos domingos, eles podem se tornar espiritualmente preguiçosos e vai ser mais difícil se desenvolverem para o serviço e o sacrifício. Essa carapaça em nossa personalidade não é porosa e tende a repelir as águas da vida de Cristo.

Qual é a minha definição de um “Mórmon só aos domingos”? Para mim, é alguém cujo coração não está realmente empenhado em serviço altruísta nem no refinamento do caráter por meio de Cristo. Ao invés disso, um “Mórmon só aos domingos” vê a igreja como um momento de encontro social, temperado com alguns interessantes discursos sacramentais. A frequência à igreja, mesmo que seja para camaradagem, é um bom primeiro passo para aqueles que buscam a reativação e conversão do evangelho. Nós recebemos bem todos os que frequentam por qualquer razão. Mas essa camaradagem só leva a pessoa no máximo a ser um discípulo, se é que leva a algum lugar.

Enquanto há muitos níveis de dedicação a Jesus, aqueles que estão realmente ativos no evangelho estão compromissados com uma vida centrada em Cristo. Eles vêem a frequência à igreja no Dia do Senhor não como um lugar para ir ou uma data para marcar no calendário, mas como uma extensão da adoração diária – um restaurador complemento em uma casa de oração, jejum, fé, aprendizado, glória, ordem, e “uma casa de Deus” (Doutrina e Convênios 109:08).

Nós não precisamos nós tornar partidários religiosos ou nos sentir culpados por assistir nosso programa de televisão favorito, mas quando a frequência à igreja está desconectada de “viver o evangelho”, ou quando o deus da televisão ou o ídolo da internet ou algo mais nos acorrenta e nos impede de seguir os passos de Jesus, nós precisamos quebrar essas correntes.

Eu não sou nenhum juiz para julgar as orações pessoais de qualquer um, nem o hábito de estudar as escrituras ou a aproximação de cada um com a deidade, mas eu certamente posso avaliar essas coisas na minha própria vida. Para combater a síndrome de “Mórmon só aos domingos”, eu fiz uma lista de dez questões para avaliar meus hábitos no Dia do Senhor assim como minha dedicação ao Salvador no resto da semana. A sua lista pode ser totalmente diferente, baseada na sua personalidade única, hábitos e desejos, mas aqui está a minha:

  1. Eu trato a frequência ao templo ou à igreja como o “tour de três horas” da ilha Gilligan, com objetivo apenas de deixar por lá minha atitude displicente em uma ilha espiritualmente deserta?

  1. É a igreja uma inconveniente distração para a minha adoração secreta à catedral da NFL (campeonato de futebol), ou o altar da recreação, ou o bezerro de ouro dos títulos profissionais e da vida consumista?

  1. Quando eu participo do sacramento, faço isso com muita cerimônia e rotina, ou é algo que muda minha personalidade com a renovação das promessas que fiz no batismo?

  1. Eu frequento a igreja como uma expressão do quanto sou discípulo ou ao invés, estou eu lá mais para impressionar os outros com falsa amizade ou conexões sociais sem a profundidade de uma conexão diária com Deus?

  1. Será que eu secretamente penso “por que o Bispo fez isso?” ou “Por que não dão educação pra essas crianças barulhentas?” ou “Essas discussões estão chatas e não se aplicam a mim” ou “ela não é corajosa pra vestir aquilo?

  1. Será que eu trato minhas responsabilidades com a igreja como um fardo pra “me livrar” logo, enquanto eu agradeço a Deus pelas orações?

  1. Quando passa a prancheta com as oportunidades de serviço durante a semana, eu paro um pouco para pensar em me inscrever, ou eu passo alegremente a “batata-quente” pros outros?

  1. São meus dízimos e ofertas uma ressentida dedução do imposto de renda, ou uma bem vinda ponte entre o egoísmo e o coração caridoso?

  1. Eu venho à igreja para me entreter ou eu estou preparado para as lições com um humilde desejo de aplicação e aprendizado para a vida toda?

  1. Será que eu exijo dos meus companheiros de igreja as mesmas coisas que eu mesmo nem estou disposto a fazer ou ser durante a semana?

Sem a estrutura da Igreja, eu iria provavelmente escolher fazer menos serviços e renegaria o verdadeiro sacrifício. Talvez seja da natureza humana ser preguiçoso e preocupado consigo mesmo, mas o inevitável resultado do egoísmo é a indiferença espiritual – ou pior – intolerância. Enquanto toleramos a adoração casual, mais nós veneramos a vida casual. Logo nós nos tornamos apagados de nosso compromisso diário com Deus. Ao menos, essa é a minha experiência.

Minha decisão é resistir à síndrome de “Mórmon só aos domingos” e eu prefiro acreditar que meu serviço não será aceitável a Deus sem o correspondente sacrifício de corpo e alma. Sejamos todos Mórmons todos os dias, e sempre eternos discípulos de Jesus Cristo.

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Eduardo Marcondes

É jornalista há 20 anos, com ênfase na atuação em Rádio e Televisão. Foi repórter, editor e apresentador, com passagens por praticamente todas as emissoras com sede na capital paulista, entre elas o Grupo Bandeirantes e o SBT. Atualmente faz trabalhos de textos em parceria com alguns empresários e escreve regularmente na internet há pouco mais de ano.
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