É comum utilizarmos o termo “converso” em relação aos que se tornam membros da Igreja, diferenciando-os, por esta palavra, dos que são “nascidos” na Igreja. Porém, há uma definição muito maior para “converso”, que abrange a cada pessoa, seja “nascida” na Igreja ou a tenha conhecido em qualquer época da sua vida.

O Guia para Estudo das Escrituras ensina que um converso é alguém que “[Muda] as crenças, os sentimentos e a vida para aceitar e cumprir a vontade de Deus”. E continua: “A conversão inclui a decisão consciente de renunciar à forma de ser anterior e de mudar, a fim de tornar-se um discípulo de Cristo.” “Conversão”

Tornar-se um discípulo de Jesus Cristo é o grande fim da conversão. É a mudança plena, de quem você é, para quem você deve ser.

Paulo explicou isso aos santos de Corinto:

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17

E porque você deve mudar, se converter? Qual a razão porque quem você é hoje não é suficiente para ser contado como discípulo?

O rei Benjamim explicou isso no grande discurso que dirigiu ao seu povo, registrado no Livro de Mórmon:

“Porque o homem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a queda de Adão e sê-lo-á para sempre.” Mosias 3:19

O Guia para Estudo das Escrituras pode ajudá-lo a compreender o que é ser um “homem natural”.

“Uma pessoa que escolhe deixar-se influenciar por paixões, desejos, apetites e impulsos da carne e não pela inspiração do Espírito Santo. Esse tipo de pessoa pode compreender as coisas físicas, mas não as espirituais.” “Homem Natural”

Lembra-se de que o rei Benjamim ensinou de que esta condição é a de um “inimigo de Deus”? Tenho plena certeza de que você não quer isso para a sua vida. E como mudar isso? O próprio rei Benjamim ensinou:

“Ceda ao influxo do Santo Espírito e despoje-se do homem natural e torne-se santo pela expiação de Cristo, o Senhor; e torne-se como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai.” Mosias 3:19

Este processo apresentado pelo rei Benjamin é o que chamamos de “conversão”. Ele precisa ser sincero e constante, sério e definitivo.

O Presidente Harold B. Lee disse:

“A conversão deve significar mais do que ser membro da Igreja apenas de nome, com um recibo de dízimo ( … ) [ou] uma recomendação para o templo”. A pessoa convertida “luta continuamente para vencer as fraquezas interiores e não apenas para melhorar as aparências”. Church News, 25 de maio de 1974, p. 2.

Presidente Joseph Fielding Smith ensinou como é possível identificar se você está sendo convertido:

“A conversão ocorre quando o Espírito do Senhor entra no coração das pessoas e elas humildemente dão ouvidos aos testemunhos dos servos de Deus”. Church History and Modern Revelation, 2 vols. (1953), 1:40

Em um artigo no site dos jovens da Igreja, o irmão Tyler Orton anotou:

“Você sabe que está ficando convertido quando começa a viver a lei maior, o evangelho de Jesus Cristo. Você vive o espírito da lei, bem como a letra da lei. Vive o evangelho em todos os aspectos de sua vida. Vive o evangelho em sua plenitude, não porque é obrigado, mas porque quer. Você é uma pessoa mais feliz e mais agradável e quer se tornar a pessoa que o Pai Celestial deseja que você seja. Você quer ser como Jesus Cristo e seguir Seu exemplo. Quando se tornar essa pessoa, estará realmente convertido.” “Dez Maneiras de Saber Se Você Está Convertido”

Sei que o que estou dizendo não é nenhuma novidade. Mas, se é tão óbvio, porque parece ser tão difícil para alguns converterem-se? Todos querem ser convertidos, porém, nem todos parecem querer assumir a responsabilidade da sua própria conversão. E preferem colocar sobre a Igreja essa responsabilidade ou direcionar a sua conversão à Igreja. Embora talvez você pense que isto é certo, na verdade não é.

Primeiro, é preciso compreender que a conversão é a Cristo e ao Seu evangelho, não à Igreja. No Livro de Mórmon, lemos:

“E aconteceu que, assim, andaram pelo meio de todo o povo de Néfi e pregaram o evangelho de Cristo a todas as pessoas de toda a face daquela terra; e elas foram convertidas ao Senhor e uniram-se à Igreja de Cristo; e assim foi abençoado o povo dessa geração, segundo a palavra de Jesus.” 3 Nefi 28:23

A Igreja é um instrumento necessário para a conversão, mas não é o objetivo dela.

O Élder D. Todd Christofferson deixou isto muito claro, quando disse:

“Não nos empenhamos para nos converter à Igreja, mas a Jesus Cristo e Seu evangelho, uma conversão que é facilitada pela Igreja.” “Qual a Razão da Igreja”, Conferência Geral, outubro de 2015

Quando alguém foca a sua conversão na Igreja, como instituição ou congregação, ela não consegue alcançar a conversão verdadeira, que só pode ser obtida quando o foco é Cristo e Seu evangelho.

Então, ocorrem as distorções e a má condução do processo de conversão. A pessoa passa anos e anos na Igreja, e não progride espiritualmente, quase não se move, espiritualmente falando, porque concentra-se no que é exterior, visível, que é o que a Igreja faz. O dever de cada um é concentrar-se no interior, no que não pode ser visto. As ações da e na Igreja, como detentora do direito de administrar o evangelho, são essenciais nesse processo, mas, se colocados sob a ótica errada, podem, paradoxalmente, impedir o seu crescimento espiritual.

O Élder Donald L. Hallstrom ensinou isto de uma forma bem clara:

“Alguns acham que a atividade na Igreja é a meta final. Há um perigo nisso. É possível alguém ser ativo na Igreja e menos ativo no evangelho. Deixem-me salientar um ponto: a atividade na Igreja é uma meta muito desejável, contudo é insuficiente. A atividade na Igreja é uma indicação externa de nosso desejo espiritual. Se frequentamos as reuniões, recebemos e cumprimos responsabilidades na Igreja e servimos ao próximo, isso é observado publicamente.

Em contrapartida, as coisas do evangelho geralmente são menos visíveis e mais difíceis de medir, mas são da maior importância eterna. Por exemplo: quanta fé temos realmente? Quão arrependidos estamos? Quão significativas são as ordenanças em nossa vida? Quão concentrados estamos em nossos convênios?

Repito: precisamos do evangelho e da Igreja. Na verdade, o propósito da Igreja é ajudar-nos a viver o evangelho. Frequentemente nos perguntamos: Como é que alguém pode ser plenamente ativo na Igreja, quando jovem, e depois deixar de ser, ao ficar mais velho? Como pode um adulto que frequentava e servia regularmente parar de vir à Igreja? Como pode uma pessoa que ficou decepcionada com um líder ou com outro membro permitir que isso encerre sua participação na Igreja? Talvez o motivo seja que eles não estavam suficientemente convertidos ao evangelho, às coisas da eternidade.” “Convertidos a Seu Evangelho por Intermédio de Sua Igreja”, Conferência Geral, abril de 2012

Segundo, é preciso compreender que a conversão envolve todos os aspectos da sua vida. No domingo de manhã todos falam moderadamente, estão limpos, cheirosos, arrumados e sorridentes na Igreja. Mas, e no seu dia a dia? Os lugares que você frequenta são tão puros assim? Há mais sorrisos ou “ranger de dentes” em sua casa? O seu tom de voz ao falar com as pessoas que o cercam é o mesmo que você usa na Igreja? Você estuda as escrituras em casa como estuda na Igreja? Você tem a mesma reverência pela oração em casa como demonstra na Igreja? Fazer todas estas coisas apenas na Igreja, é tentar colocar sobre ela a responsabilidade de lhe converter com apenas três horas semanais de trabalho. A conversão é um trabalho que requer 24 horas diárias, 7 dias por semana de empenho absoluto. É enquanto se vive, que a conversão se dá.

O Élder W. Mack Lawrence deu o seguinte conselho:

“Gostaria de, humildemente, aconselhar cada um de vocês a avaliar seu nível atual de conversão e compromisso. Faça uma entrevista consigo mesmo e pergunte-se o quão eficiente você tem sido em seu chamado atual. Reflita com que fidelidade tem guardado os mandamentos e agido de acordo com os conselhos dos profetas e outros líderes da Igreja, divinamente chamados, inclusive seu bispo e presidente de estaca. É necessário lembrá-lo de seus deveres ou você é uma pessoa que toma iniciativa e conclui tarefas?” “Conversão e Compromisso”, Conferência Geral, abril de 1996

Gostaria de apresentar aqui uma lista de perguntas que podem ser úteis nessa sua entrevista pessoal. Vou dividi-las em quatro áreas de relacionamento: O seu relacionamento com o Senhor, o seu relacionamento consigo mesmo, o seu relacionamento com os seus irmãos e o seu relacionamento com os seus líderes.

O seu relacionamento com o Senhor

Você se esforça para obedecer ao Senhor em todas as coisas, mesmo as que lhe parecem insignificantes, ou você é seletivo no que obedece?

Você é firme em sua palavra de seguir as normas e mandamentos, ou você é inconstante e volúvel, hoje sendo um exemplo de obediência, amanhã sendo uma preocupação?

Você paga o seu dízimo como um humilde devedor do Senhor, ou você acredita mesmo que tem algum mérito ou direito porque entrega a Ele o dinheiro que já é Dele?

Você zela e protege a Casa do Senhor como deseja que o Senhor zele e proteja a sua casa?

Você recebe, aceita e exerce com humildade, gratidão e vigor todos os chamados que o Senhor lhe faz para servir em Seu reino, ou você impõe condições, é seletivo em seu ânimo de acordo com o cargo e adota uma atitude tal como se estivesse fazendo um favor a Ele?

O seu relacionamento consigo mesmo

Você se esforça para moldar a sua personalidade ao modelo do Senhor, ou você prefere acreditar que a sua atitude e forma de pensar é o modelo a ser seguido?

Você se mostra disposto a adaptar a sua aparência, vestuário e linguajar ao modelo estabelecido pelo Senhor por meio dos profetas e outros líderes, ou você permite que a sua vaidade e desejo por popularidade o convençam de que o Senhor é quem deve adaptar a Sua Igreja aos seus padrões?

Você estuda as lições dominicais do evangelho com o propósito de aprender pelo Espírito Santo e pelo Espírito Santo ensinar aos irmãos em uma atitude de edificação espiritual mútua, ou você busca conhecimento para exibi-lo em público, diminuir professores e gerar dúvidas, em lugar de certezas, nos corações dos que lhe ouvem?

O seu relacionamento com os seus irmãos

Você sabe dimensionar e pesar as questões, ou você permite que coisas pequenas tomem proporção maior do que merecem, ao ponto de se tornarem uma barreira entre você e outra pessoa?

Você tem o desejo sincero de perdoar a todos os seus ofensores, ou você prefere confiar mais no poder da vingança que no poder da misericórdia?

Você ora ao Senhor por aqueles que sofrem os efeitos do pecado e de decisões infelizes, e não trata do assunto com mais ninguém, ou você, ao saber que alguém cometeu um erro, apressa-se a contar “a novidade” aos seus amigos?

Você reconhece sinceramente os esforços dos outros e sabe conviver com as diferenças, ou você acredita que as coisas só são boas o suficiente se forem feitas ao seu modo ou ao seu gosto ou por você?

Você é verdadeiro sobre suas ações, ou você procura se enganar e enganar a outros dizendo que não critica, só comenta; que não julga, só avalia; e que não desobedece, só exerce seu livre arbítrio?

O seu relacionamento com os seus líderes

Você apoia o seu líder, ou você nem mesmo quer ouvir o que ele tem a dizer?

Você respeita, honra e é um apoio com suas palavras e ações àqueles a quem o Senhor colocou em todas as posições no reino, ou você declara por palavras e ações que tem preferidos pessoais seus para certas posições e age na tentativa de enfraquecer e desqualificar quem não está na sua lista de favoritos?

Você concorda, com prontidão e humildade, quando um líder informa sobre algo, como um novo irmão para um chamado ou uma nova diretriz a ser seguida, ou em seu íntimo você somente aceita aquilo que está de acordo com o seu modo de pensar, e murmura, em seu coração ou com seus lábios, contra a vontade expressa do Senhor?

Você é tolerante com os seus líderes, compreendendo que todos eles possuem imperfeições e estão, assim como você, no processo de aperfeiçoamento pessoal, ou você exige deles o que não é exigido de você mesmo: a perfeição absoluta, criticando fortemente ao menor sinal de deslize ou falha?

Você dedica a sua lealdade e a sua fidelidade àqueles a quem o Senhor, por meio de Seus canais oficiais do sacerdócio, colocou como governantes em Seu reino, ou você elege seu próprio governo paralelo e a ele dedica a sua lealdade e a sua fidelidade?

Você acata respeitosamente as decisões do Juiz Comum em Israel, ou você se coloca na posição de juiz do Juiz?

O livreto Sempre Fiéis nos ensina:

“A conversão é um processo, não um acontecimento isolado. Convertemo-nos como resultado de nossa retidão e empenho em seguir o Salvador.” “Conversão”

Viva cada dia com o propósito de avançar um pouco mais em sua conversão, em sua verdadeira conversão. Foque no Salvador Jesus Cristo e em Seu evangelho e desfrute de todas as oportunidades e bênçãos que a Igreja oferece a fim de ajudá-lo neste processo.

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Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. Atualmente, serve como 2º Conselheiro no Bispado. Casado, é pai de 2 filhos.
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