Ela é mórmon, luta contra anorexia e tem 980 milhões de views no YouTube.
‘Não bebo, não fumo, não uso drogas. Não combina com a carreira’, diz ela.

A violinista (e dançarina) americana Lindsey Stirling, 28 anos, foi eliminada nas quartas-de-final do reality “America’s Got Talent” em 2010. Diz que foi uma experiência “humilhante e embaraçosa”. “Quase me destruiu como pessoa”, contou em entrevista ao G1.

A longo prazo, acha bom que tenha sido assim. “São experiências difíceis, que quase destroem seu espírito, mas que fazem você querer lutar pelo que você quer, sabe?”

Uma das coisas que Lindsey queria desde então era vir ao Brasil, onde tocou no Rio no sábado dia 11, em São Paulo; na segunda-feira dia 13; e em Porto Alegre, na terça-feira (14). “Meu primeiro fã é do Brasil! Foi a primeira pessoa que realmente curtiu meus vídeos, ficava escrevendo mensagens o tempo todo. Eu achei esquisito”, lembra, rindo. “Pensava: ‘Mas por que este cara tem tanto interesse assim?’. Depois, percebi: ‘Oh, é um fã!’.” Ela conta que deu ingressos de graça para ele.

Conhecida por misturar música clássica (começou a estudar violino aos seis anos), sons eletrônicos e ainda um estilo de dança incomum, Lindsey ficou famosa em grande parte pelos vídeos. Seu canal no YouTube soma 980 milhões de visualizações. O video de “Crystallize”, de 2012, conta 119 milhões. Ali, Lindsey mostra seu visual particular. Leia, a seguir, os principais trechos da conversa, em que Lindsey falou também sobre sua religião – Ela é membro d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons).

G1 – No seu site, você conta que ter sido eliminada nas quartas-de-final do ‘America’s Got Talent’ em 2010 foi a melhor coisa da sua vida. Então qual foi a pior?

Lindsey Stirling – Humm [pensa durante um tempo]. Ah, cara…

G1 – Na sua carreira, pelo menos. Não precisa falar de vida pessoal.

Lindsey Stirling – A pior coisa depois virou a melhor coisa, sabe? Porque foi tão humilhante, tão embaraçoso, quase me destruiu como pessoa. Quebrou minha autoconfiança, passei a ter medo de subir em um palco. Mas foi uma experiência com reflexo até na vida pessoal. Quase destroem seu espírito, mas fazem você querer lutar pelo que você quer, sabe? Tinha a ver com a concepção de eu amar a mim mesma pelo que eu sou.

G1 – Você diz que a experiência a ajudou a ser você mesma. Como assim?

Lindsey Stirling – As pessoas esperam que você seja de um certo modo, às vezes você sente que deveria se vestir ou agir de tal maneira, ou sair com determinadas pessoas, enfim, fazer todas as coisas de modo a ser aceito. Tudo para ser cool. Ser você mesmo significa não se importar com o que todas as outras pessoas pensam que você deveria fazer. Mas, sim, trabalhar para descobrir quem você quer, de fato, ser. E quando você está seguro com relação a esta pessoa que você quer ser, de repente você abre espaço para o seu eu mais profundo, sabe? Você passa não ter mais medo, socialmente falando, de dividir suas ideias ou dividir seu talento e sua personalidade.

G1 – Você já sofreu de problemas alimentares e diz que o violino a ajudou a superá-los. Porque decidiu falar abertamente sobre o assunto?

Lindsey Stirling – Eu me lembro do quão assustada estava quando passei por aquilo. E do quão sozinha me sentia. Eu não tinha esperança de que alguém pudesse entender o que eu estava enfrentando, sabe? Então, uma vez que superei aquele problema e percebi que poderia ser feliz de novo, quis dar esta esperança a outras pessoas. Quando pesquisei sobre anorexia e sobre todos os outros transtornos alimentares, fiquei triste ao perceber que seria um problema que teria pelo resto da vida. Eu não sabia. É algo contra o qual vou ter de lutar sempre para não voltar, mas sei lidar agora. Tenho uma vida normal. Só tenho de continuar mantendo uma vida saudável para não acontecer de novo.

G1 – Você tem um estilo próprio de vestir, com luvas e chapéus, por exemplo. Mas já comentou que isso pode ser meio desafiador por causa da religião. Por quê?

Lindsey Stirling – Como minha mãe diz, danço conforme meu próprio ritmo e sou muito feliz fazendo as coisas do meu jeito. Acredito que ser mórmon me protege. Meu mundo mudou tanto nos últimos anos, sabe? Muito mudou: tudo na minha agenda, o lugar onde moro, as pessoas ao meu redor, tudo… Mas, por ter uma crença muito forte – a fé mórmon e as direções que ela aponta –, não sou sugada pela indústria do entretenimento. Tenho uma base que não muda. Para um mórmon, há padrões de vestimenta muito específicos, então é difícil desenhar roupas de acordo com isso. É díficil ir a eventos de noite nos quais é preciso usar vestidos. Além disso, não bebo, não fumo, não uso drogas, vou a igreja aos domingos. É realmente difícil viver esta vida quando estou na estrada. Isso não tem muito a ver com a carreira de cantora e artista. Enfim, pode ser difícil, mas eu não mudaria.

G1 – O que é mais difícil: tocar violino ou dançar daquele jeito que você dança? Aliás, você faz coreografias ou é tudo improvise?

Lindsey Stirling – Um pouco de cada. Uma parte é muito coreografada, mas outras coisas são improvisadas. Meio a meio. Mas o violino é definitivamente mais difícil. O jeito que danço é difícil, porque faço isso enquanto toco – a combinação é complicada. Mas preciso treinar muito, muito bem a parte de tocar o instrumento, para não me preocupar com isso na hora de começar a dançar. Então, primeiro vem o violino, e só depois a dança.

Seguidora da doutrina mórmon, Lindsey faz de tudo para manter a rotina religiosa mesmo enquanto está em turnê pelo mundo. Em viagens mais longas, ela procura com antecedência uma igreja para frequentar aos domingos. Além disso, não bebe, não usa drogas, se veste de maneira que “a representa enquanto filha de Deus” e sempre ora antes de cada ensaio ou show:

— Minha fé influencia diretamente minha vida. Não só o lado espiritual, mas também minha vida social, minha agenda, meus ensaios… Eu vivo a religião. E acho que afeta minha música, também. Não acredito que todas minhas criações sejam frutos só do meu cérebro. Por isso, oro e agradeço sempre.

Reportagem publicada no G1

Murilo Vicente L. Ribeiro
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Murilo Vicente L. Ribeiro

Murilo Vicente Leite Ribeiro é blogueiro desde 2004. Tecnólogo na Área de Transito e Transportes, é graduando em Pedagogia e tem especialização em Direito Público e Privado. Criador do blog Murilovisck, ficou em segundo lugar no top blog Brasil 2012. Hoje tem uma parceria com o pro. Carlos Wizard Martins para direção do site OsMormons.com. Casado, tem dois filhos e trabalha na área de licitações públicas. É Presidente da Estaca Goiânia Brasil Sul.
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