Em muitas entrevistas de aconselhamento ouvi relatos de cônjuges sobre dificuldades no relacionamento sexual. Gostaria de tentar abordar de uma forma mais completa possível este tema, procurando basear o assunto nas declarações dos apóstolos e profetas.

O Presidente Spencer W. Kimball observou um dos  efeitos negativos sobre o casamento provenientes da discordância entre os cônjuges nas questões sexuais.  “se estudarem os divórcios, como tivemos que fazer nesses anos passados, descobrirão que há uma, duas, três, quatro razões para eles. Geralmente, a primeira é o sexo. Eles não combinam sexualmente. Talvez não o digam no tribunal. Talvez não o confessem nem mesmo a seus advogados, mas essa é a razão.” (The Teachings of Spencer W. Kimball, ed. Edward L.Kimball, Salt Lake City: Bookcraft, 1982, p.312.)”

Citarei bastantes trechos de um artigo de Brent A. Barlow, que foi um professor de casamento, família e desenvolvimento humano na Universidade Brigham Young (BYU). Ele agora está aposentado. Ele tem escrito vários livros sobre temas relacionados ao casamento. Barlow é bacharel em Psicologia e Mestre em Educação Religiosa, ambos da BYU. Obteve seu Ph.D. no casamento e relações familiares de Florida State University.

O Link para o artigo é: https://www.lds.org/liahona/1987/06/they-twain-shall-be-one-thoughts-on-intimacy-in-marriage?lang=eng

As intimidades sexuais no casamento são uma dádiva de Deus.

O Elder Parley P. Pratt disse:  “Nossas afeições naturais foram plantadas dentro de nós pelo Espírito de Deus para um sábio propósito; e elas são a própria fonte de vida e felicidade; são o cimento que une toda a sociedade virtuosa e celestial; são a essência da caridade, ou amor; (…)

Não existe um princípio mais puro e santo do que  afeto que arde no íntimo de um homem virtuoso por sua companheira. (…) O fato é que Deus fez o homem, macho e fêmea; ele plantou no seio deles esses afetos que visam proporcionar sua felicidade e união.” (Writings of Parley Parker Pratt, pp. 52–53.)

É importante reconhecer que o assunto da sexualidade está presente em várias escrituras como cita Barlow: “É interessante observar que as palavras sexo e sexualidade não aparecem nas escrituras. Em seu lugar, é usada a palavra conhecer, para referir-se à relação íntima entre o homem e mulher. Esse “conhecer” ou “familiarizar-se com” é um aspecto profundamente satisfatório do amor conjugal. Um bom casamento pode sobreviver sem sexualidade quando um dos cônjuges fica doente ou fisicamente incapacitado, por exemplo. Mas esse aspecto íntimo do “conhecer” um ao outro contribui para a inteireza do relacionamento conjugal.”

Concordo plenamente que não há um relacionamento conjugal inteiro sem o tratamento correto da sexualidade. Habitualmente na igreja discutimos muito a lei da castidade, mas não falamos na mesma quantidade da raiz, que é o poder de procriação, este poder tão belo e forte, que foi plantado nos homens e mulheres para uni-los.

Convivi com alguns jovens com dificuldades no início da vida conjugal devido ao fato de terem a impressão de que a sexualidade é algo relativamente perigoso e proibido, até mesmo pela ênfase que, com razão,  é dada às transgressões sexuais.

O Elder Hugh B. Brown, observou: “Muitos casamentos se destruíam nas rochas do comportamento sexual ignorante e baixo, tanto antes como depois do casamento. A ignorância total de recém-casados sobre o papel e o funcionamento do sexo resulta em muita infelicidade e lares destruídos.

Milhares de jovens chegam ao altar praticamente analfabetos quanto a essa função básica e fundamental (…) Se aqueles que vão participar deste relacionamento humano tão glorioso e íntimo, que é o casamento, procurassem qualificar-se para suas responsabilidades (…) se debatessem francamente os aspectos delicados e santificadores da vida sexual harmoniosa envolvidos no casamento (…) muita dor, sofrimento e tragédias poderiam ser evitadas.” (You and Your Marriage, Salt Lake City: Bookcraft, 1960, pp. 22-23, 73)”

Não se pode deixar de afirmar aos jovens o aspecto belo, edificante e gratificante da prática sexual dentro do casamento, protegida pelos convênios, onde não há necessidade de arrependimento ou remorso.

Leia também o artigo “Adultério Virtual” do Dr. Luciano Sankari.

As relações sexuais não são limitadas à procriação.

Embora um dos  nomes desta bela dádiva seja conhecida como poder de procriação, o  Presidente Kimball afirmou: “Não conhecemos instruções do Senhor de que as experiências sexuais deve limitar-se unicamente à procriação de filho.” (“O Plano do Senhor para Homens e Mulheres”, A Liahona, abril de 1976, p.3”.

O Irmão Barlow cita: “Criar filhos é uma parte integrante e bela da intimidade conjugal. Mas usar a intimidade apenas para tal propósito,é negar seu grande potencial como expressão de amor, compromisso e união.”

O Presidente Joseph F. Smith ensinou: “A associação legal dos sexos é ordenada por Deus, não apenas como meio de perpetuação da raça, mas para o desenvolvimento das mais elevadas faculdades e nobres características da natureza humana, que somente pode ser assegurado pelo companheirismo motivado pelo amor de um homem e uma mulher.” (“Unchastity the Dominant Evil of the Age”, Improvement Era, junho de 1917, p. 739.)

O egoísmo e seu papel em destruir sexualidade

O irmão Barlow cita: “Por outro lado, há casais que parecem pensar que a única razão para a sexualidade é gratificação física. Essas pessoas tornam-se tão obcecadas com o prazer, que a emoção do amor fica totalmente esquecida. Outras ainda usam a sexualidade como arma ou instrumento de barganha. Isto não é apenas um abuso de um privilégio concedido por Deus, mas demonstra grande egoísmo por parte de um ou ambos os cônjuges, tornado a sexualidade destrutiva, ao invés de elemento unificador no matrimônio.”

Quando pensamos em uma só carne, gosto de utilizar a imagem de um ferimento. Se sou uma só carne com minha esposa, e ela for ferida, o corpo todo sente dor, assim sendo, eu não posso imaginar que tenha o direito de forma deliberada e infundada a obrigar meu cônjuge a algo que irá lhe causar mal estar, porque isto me ferirá também.

O Presidente Howard W. Hunter disse: “Amem sua mulher como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. (Ver Efésios 5:25–31.) A ternura e o respeito—nunca o egoísmo—devem ser os princípios orientadores no relacionamento íntimo entre marido e mulher. Ambos devem ser atenciosos um com o outro e perceber as necessidades e desejos do cônjuge. Qualquer comportamento dominador, indecente ou incontrolável no relacionamento conjugal é condenado pelo Senhor.” (Conference Report, outubro de 1994, p. 68; ou Ensign, novembro de 1994, p. 51.)”

O seguinte seguimento do artigo de Barlow amplia a visão sobre o egoísmo, e pode proporcionar uma reflexão sobre as nossas ações:

“Se o marido coloca outras coisas em primeiro lugar, e não encontra tempo para cultivar certa intimidade em outros aspectos do relacionamento com a mulher, ela, provavelmente, não mostrará muito interesse na intimidade sexual.

Certa esposa comentou uma vez comigo que ela desejaria que o marido “chegasse do escritório, me olhasse nos olhos, me perguntasse como me sinto, como foi meu dia atarefado, e depois me desse um beijo e um longo abraço”. Muitas esposas apreciam profundamente pequenos auxílios que demonstram ser o marido sensível às suas necessidades. Muitas me disseram como apreciam o marido, quando ele ajuda no serviço doméstico ou cuida dos filhos após um longo e atarefado dia. Outras apreciam a ajuda do marido quando estão doente, grávidas ou assoberbadas com o trabalho caseiro. Pequenas coisas – agradecimentos, cumprimentos e frases como “eu te amo” – são importantes. Quando estes “pequenos” elementos são acrescentados ao casamento, a sexualidade se torna mais significativa e expressa um profundo amor. Sem esses “extras”, a intimidade sexual pode tornar-se algo não satisfatório, tanto para o marido quanto para a mulher.

Talvez a coisa mais importante que uma mulher pode fazer para melhorar seu relacionamento sexual no casamento é compreender que o marido também é um ser humano com várias necessidades, esperanças e aspirações. Infelizmente a imprensa falada e escrita transmite espalhafatosamente a ideia de que o homem deseja apenas uma coisa de um relacionamento. Adotar esse ponto de vista estreito e limitado a respeito dos homens é injusto. Mesmo os homens que têm ideias erradas sobre os relacionamentos conjugais, são filhos de Deus, e tratá-los como tal irá apenas melhorar relacionamento.

Muitas ideias que se aplicam ao marido também se aplicam à mulher. Assim como o marido precisa arranjar tempo para a esposa, esta também necessita encontrar tempo para o marido.

 Algumas mulheres passam a maior parte de seu tempo trabalhando, cuidando dos filhos ou limpando a casa. Quando as crianças vão para à cama, à noite, e os pais têm alguns momentos longe delas, as mulheres muitas vezes preferem fazer algo “relaxante”, – como assistir a televisão, tricotar, ler um livro, conversar ao telefone – ao invés de passar esse tempo com o marido. Se o marido deseja estar com elas, geralmente mostram cansadas ou emocionalmente fora de seu alcance.

 Os homens não apreciam ou entendem tal atitude. Se as atividades do dia realmente são tão cansativas, que a mulher tem pouco tempo ou energia para desenvolver seu relacionamento com o marido, ela ou o casal devem examinar juntos sua vida, cuidadosamente, a fim de decidirem que coisas deverão ser deixadas de lado em favor do mais importante relacionamento de toda a sua existência.

O marido gosta de abraçar a esposa, ou de beijá-la antes de sair para o trabalho. Isto não é necessariamente um ato sexual, mas uma expressão romântica do amor que lhe tem. Se tais expressões de afeto são continuamente barradas com um “agora não”, ele pode achar que a esposa é indiferente ao amor que compartilham. Essas demonstrações de afeto são para o marido o mesmo que as palavras de agradecimento e as pequenas ajudas para a mulher. A mulher que as rejeita, está dizendo ao marido que realmente não se importa com ele. Por outro lado, parar para um rápido abraço – ou melhor ainda, tomar a iniciativa do gesto de carinho, contribui muito para aprofundar o amor do casal.

Creio que poucas esposas percebem o poder que têm de conservar o marido perto de si física, emocional, e até espiritualmente. Por outro lado, também acredito que as poucas mulheres percebem o grau de frustração e alienação que o marido sente quando uma esposa ignora suas necessidades e interesses. Creio que um Pai Celestial sábio e amoroso deu à esposa a capacidade de atingir a unicidade com o marido. (ver Gêneses 2:24) A chave é o altruísmo. Quando ela procura atender às necessidades do marido, o casamento melhora.”

A importância de abordar este tema com o cônjuge.

O irmão Barlow cita:“Embora essas intimidades, devido a sua natureza sagrada, não devam ser discutidas com amigos ou outros parentes, é totalmente apropriado debatê-las com o cônjuge.”

Ouvimos muitos falarem de forma sarcástica ou jocosa da “DR”, sigla utilizada para “discutir a relação”. Falamos frequentemente de assuntos como finanças, criação dos filhos, como dividir o uso do carro, etc. Por que não falar da sexualidade?

Volto ao egoísmo. Muitas vezes todas as discussões são baseadas no desejo pessoal e não no altruísmo. Se algumas discussões tendem a ser tensas por conta de se pensar primeiramente em suas próprias necessidades, imagine uma discussão sobre sexualidade? A preocupação com o bem estar do cônjuge precisa permear qualquer debate dentro do casamento, caso contrario a discórdia será a tônica. Algumas vezes isto não ocorre de forma premeditada, como cita Barlow: “Nem sempre é fácil deixar de lado todas as outras considerações e atentar para as necessidades do cônjuge, fazendo depois o melhor para preenchê-las. Frequentemente fazemos aos outros aquilo que nos tornaria felizes se alguém nos fizesse. E depois não entendemos por que a outra pessoa não está feliz. Uma grande chave para o sucesso do matrimônio é descobrir o que agrada ao cônjuge, e depois sentir alegria, proporcionando-lhe essa felicidade”

Geralmente ingressos para assistir o jogo do time favorito do marido podem não agradar a esposa com a mesma intensidade, este é somente um dentre outros exemplos possíveis.

A freqüência de relações, as abordagens, o que agrada o cônjuge devem ser debatidas, e sugiro uma pergunta a manter em mente: será que minha forma de agir faz meu cônjuge feliz? Estas conversas não necessariamente precisam ser uma rotina, muitas vezes a relação flui sem qualquer indício de problema.

Dois sinais de alerta precisam ser observados:

Primeiro: Quando um dos cônjuges sente-se desconfortável na relação, este pode iniciar o debate explicando seu ponto de vista.

Segundo: Quando o cônjuge está bem quanto ao relacionamento, outro sinal de alerta são as queixas, e sinais não verbais de insatisfação de seu  companheiro(a). É extremamente importante a capacidade de perceber quando não está agradando e perguntar.

A citação de Paulo é valiosa: “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre seu próprio corpo, mas tem-no marido; e também da mesma maneira, o marido não tem poder sobre seu próprio corpo mas tem-no a mulher”. (I Coríntios 7:3-4)

Barlow diz em seu artigo: “Para mim, isto significa que nem o marido sozinho, nem a mulher sozinha, controlam o relacionamento físico, mas ambos devem ser diligentes em seu compromisso mútuo. Ambos devem ter uma atitude de atendimento em relação ao outro. “

A importância de abordar este tema com os filhos.

Recentemente passei por uma pequena crise: meu filho estava caminhando para puberdade. Na escola, há dois anos, houve aulas que falaram sobre espermatozóides e óvulos e fecundação. Sabiamente , quando o tema foi abordado, e meu filho tinha 9 anos de idade, a professora, se furtou de ensinar como o espermatozóide entraria no útero, de modo que esta responsabilidade caberia aos pais. Debati com minha esposa quando seria o momento adequado de discutir o assunto com ele, decidimos esperar um pouco.

Quando falar sobre este assunto? Nossa decisão foi mantida até  próximo dos 11 anos, quando em uma conversa reservada durante um passeio de carro, abordei o assunto. A conversa começou lembrando o que ele aprendera na escola e aí fiz a pergunta: Você já pensou como o espermatozóide chega até o óvulo? Como ele não sabia, então expliquei sobre o poder de procriação, como se dava uma relação sexual e a forma como o Senhor deseja que as relações ocorram, bem como a gravidade de agir da forma contrária à maneira do Senhor. Termos claros, inteligíveis, adaptados a sua compreensão.

Neste dia assumimos um convênio entre pai e filho que incluía respeito às moças, e esperar para que aquilo que ele aprendeu ocorresse somente após o selamento. Pedi também que não discutisse este assunto com seus amigos de primária, pois caberia aos pais deles ensiná-los.

Sei claramente que há locais e circunstância em que esta conversa terá que ocorrer mais cedo, devido a erotização a que são submetidas às crianças, ou ate mesmo aos debates precoces ocorridos nas escolas.

Outra conversa frequente  envolve as perguntas: Como foi a escola hoje? Quem são seus melhores amigos?  Com quem você conversa mais? As meninas da escola são legais? Tem alguma delas que é mais chegada a você? Isto não é um interrogatório, mas uma conversa amigável e divertida na volta da escola. Conversas neste padrão, evitando bloquear o canal de conversação por meio de monólogos, sermões ou reprimendas desnecessárias ou exageradas são extremamente valiosas.

Futuramente haverá conversas sobre namoro, e próximo ao casamento  teremos que conversar de forma mais clara sobre a sexualidade que será exercida dentro do matrimônio.

Os estereótipos e o papel da mídia.

O Irmão Barlow Cita: “Algumas pessoas apegam-se a velhos chavões, considerando erradamente as mulheres menos sexuais que os homens. Às vezes, as imagens de homens e mulheres, mostradas na televisão, em revistas, livros e filmes, influenciam sutil e incorretamente nossa percepção da sexualidade. Raramente os meios de comunicação apresentam um relacionamento conjugal equilibrado, maduro e amoroso.”

Certamente da época em que ele escreveu o seu artigo até hoje houve um profundo amadurecimento da iniquidade no mundo.  O relacionamento sexual foi banalizado e a figura da mulher  foi absurdamente depreciada  de modo mais intenso, a ponto de se tratar a mulher como uma mercadoria. Este padrão de mulher produzido pela mídia e pelo incremento do mercado da pornografia é extremamente deletério.

Muitas vezes vejo excelentes mulheres sofrendo para perseguir o ideal posto e se igualar às figuras públicas. Isto gera frustrações, gastos excessivos com maquiagens, procedimentos estéticos, roupas,  jóias etc, às vezes a prioridade passa a ser o exterior em detrimento do interior.

Os homens podem passar a ter uma visão distorcida de prioridades, ao comparar sua esposa com esta imagem de mulher  “vendida” pela  mídia. Estas comparações ao serem proferidas  magoam e ferem, por mais discretas e sutis que sejam, além de promover a já citada busca pela imagem ideal.

Este processo ocorre também, em menor grau com a figura masculina, além da oferta da imagem de homens cheios de poder proveniente da fama por forma física e riqueza, há ainda o estereótipo do homem de sucesso por se relacionar com várias mulheres.

O desejo sexual masculino e feminino

Voltando à questão específica do desejo sexual, certamente há diferenças cientificamente comprovadas entre homens e mulheres.

 · Mulheres

As mulheres têm uma situação biológica ímpar. A libido feminina sofre influência direta de três hormônios sexuais (estrogênio, progesterona, e em uma pequena parcela da testosterona), que em um mês tem quantidades alteradas pelo ciclo menstrual. Isto determina que o desejo sexual esteja aumentado em alguns períodos, e reduzido em outros.

As mulheres têm uma sexualidade ampliada, de modo que são mais sensíveis a uma série de estímulos, principalmente o ambiente de carinho e romance, não somente no momento próximo a uma relação sexual, mas sim durante o dia todo, porque não dizer  até a semana ou mês todo.

Alguns exemplos podem deixar a ideia mais clara. A discussão da manhã, a brincadeira depreciativa de ontem, a falta do bilhete ou mensagem carinhosa durante o dia, o beijo não dado ao chegar em casa, a louça que não foi lavada, a resposta áspera recebida, a tomada que ela pediu para concertar e que não foi sequer olhada, dentre milhares de exemplos possíveis, podem contribuir para que a noite passe em branco. Algo que afeta grandemente a libido feminina é a falta de companheirismo. Sentar junto, comer junto, assistir um filme. Isto não ocorre por maldade, mas porque estes atos demonstraram a ela  que seus desejos e interesses não foram tratados como prioridade, e que o marido se aproxima somente por interesse pessoal nos momentos em que deseja ter uma relação.

Segundo Barlow: “Nenhuma mulher pode sentir-se muito entusiasmada com um marido que passa todo tempo no trabalho, em reuniões da igreja, em atividades de lazer que a excluam, ou em frente à televisão ou jornal. O marido que passa o tempo com coisas que excluem a mulher, tansmite-lhe a mensagem de que ela não é muito importante.”

Outro evento  que tende a reduzir a libido feminina é o climatério, ou menopausa, como é mais conhecida. Neste momento há maior necessidade de atenção e paciência.

· Homens

São mais visuais, tem uma resposta mais rápida para uma excitação, e um desejo sexual é mais linear, homens não sofrem ciclo hormonal. Posso dizer que o romance diário para o homem tem uma interferência muito menor na libido.

Geralmente olhar, sentir um perfume, um toque para o homem desencadeia a excitação. Todas aquelas graves falhas à vista das mulheres citadas anteriormente, são facilmente esquecidas pelos homens. É muito interessante comunicar para as irmãs que esta memória mais curta também não é maldade necessariamente, mas sim uma característica biológica e psíquica do sexo masculino, não dizendo que eles não possam  e devam se esforçar ou ser incentivados a desenvolver a habilidade de suprir as necessidades emocionais da esposa.

Em minha experiência pessoal algumas mudanças no comportamento do marido contribuem muito para a melhor do relacionamento íntimo do casal. Talvez uma das maiores dificuldades dos maridos é perceber que o que determinará se uma  relação sexual ocorrerá à noite,  muitas vezes depende das várias atitudes que teve desde a manhã, ou quem sabe até antes.

Segundo Barlow: “Naturalmente, também existem problemas físicos ou psicológicos, que podem prejudicar esse aspecto do casamento. Um marido ou mulher que tenha sofrido abuso sexual quando criança, por exemplo, pode apresentar profundos problemas emocionais. Nesses casos, seria apropriado consultar um bispo ou conselheiro qualificado, para obter ajuda. E um médico poderá auxiliar no caso de problemas físicos.”

Algumas outras condições podem prejudicar o desejo sexual:

Dificuldades psicológicas podem ser relacionadas a auto imagem, relacionamento conturbado durante a infância com pais, temores sobre experiências traumáticas anteriores, medo de engravidar, agressões físicas ou psicológicas por parte do cônjuge (até mesmo em um casamento anterior), estresse e preocupações com desafios cotidianos.

Causas físicas podem envolver: uma série de doenças como a diabetes, deformidades físicas, doenças vasculares, distúrbios hormonais. O uso de alguns medicamentos específicos pode alterar a libido ou a capacidade de ereção. É esperado que no decorrer da vida a desejo sexual reduza. Também é muito possível que possa surgir dificuldades de  ereção no caso do homem, ou seja o desejo existe mas o corpo fisicamente não contribui.

Outra situação muito comum é conhecida como ejaculação precoce, nesta situação o homem não consegue manter a relação por tempo suficiente que permita a esposa sentir prazer.  Ela é comum nos mais jovens,  pode ser um efeito colateral da inexperiência. Tanto a ejaculação precoce como as dificuldades de ereção tem tratamento medicamentoso. Embora haja maiores limitações científicas, também há possibilidades do tratamento da redução da libido feminina.

Ressalto, com o risco de estar sendo repetitivo: Alguns  aparelhos podem prejudicar muito ao desejo sexual como videogame, televisão e computador. Muitas vezes o cônjuge é preterido, gerando mal estar. Há casais que não se conhecem mais por conta destes dispositivos. Muitas  vezes o uso destes dispositivos pode ser causa de irritação do cônjuge e provocar desentendimentos.

Como deve ser a vida sexual.

Consenso é a palavra de ordem.

Primeiro fato é que períodos longos de abstinência sexual não estão de acordo com o ensinado no evangelho. “Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência.” I Coríntios 7:2–5

Duas outras diretrizes devem reger o relacionamento íntimo do casal

A primeira é ensinada pelo Presidente Spencer W. Kimball:

“Se for contrário à natureza, simplesmente não o façam. Isso é tudo, e a vida familiar inteira deve ser mantida limpa e digna e num plano muito elevado. Existem algumas pessoas que dizem que atrás das portas do quarto vale tudo. Isso não é verdade, e o Senhor não aprovará essas coisas.” (Teachings of Spencer W. Kimball, p. 312.)

A segunda é ensinada pelo Elder Scott: “Fortes emoções estão muito ligadas às partes íntimas do corpo, destinadas a serem usadas dentro do convênio do casamento entre um homem e uma mulher, de maneira que sejam adequadas e aceitáveis a ambos.” (O Poder da Retidão, Richard G. Scott outubro de  1998)

Uma tarefa do casal é interpretar estas duas últimas regras, para isto o discernimento e Espírito Santo estão disponíveis. Se não agrada seu cônjuge, não faça, se fez e houve constrangimento do Espírito, não faça mais. Certamente o que ocorre dentro do quarto de um casal pode variar muito quando a análise é baseada no quesito: “sejam adequadas e aceitáveis a ambos”. 

Preocupa-me o fato de que o casal possa deixar de se realizar completamente no aspecto sexual por não conhecerem o que é adequado e aceitável para ambos, devido a falta de diálogo. Durante a vida sexual de um casal há um aprimoramento e amadurecimento nas práticas sexuais, de modo que a cada dia podem ser melhoradas e contribuir inclusive para progresso espiritual.

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Luciano Sankari

Serviu na Missão Brasil Recife Sul de 1996 a 1998.Graduado em medicina em 2003 na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com Especialização em Cardiologia HC-UFPR e em Gestão do Trabalho e Educação em Saúde ENSP/FIOCRUZ. Trabalha na área de psiquiatria há 12 anos. É Presidente da Estaca Curitiba Brasil Novo Mundo. Casado, tem 3 filhos.
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