O livro de Apocalipse é rico em símbolos. Estes símbolos testificam do Salvador, de Seu Evangelho e revelam como o Plano de Salvação foi conduzido nas dispensações anteriores, e claro, como será nesta última dispensação. O livro é também repleto de advertências e promessas. Uma de suas primeiras promessas tem intrigado estudiosos por anos.  

A Pedra Branca 

Em Apocalipse 2: 17 lemos:  

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e um novo nome escrito na pedra, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.”  

O que João o Revelador, quis dizer ao mencionar que aqueles que herdarem o Reino Celestial, receberão uma pedra branca e nela escrito um novo nome? 

Estudiosos tem tentado encontrar uma explicação para esta passagem de escrituras, voltando-se para um antigo costume greco-romano, em que vencedor de competições esportivas ao retornar para sua cidade natal recebia uma tabuleta em mármore branco como seu nome escrito, como uma autenticação de vitória e honra, para garantir-lhe riquezas, redução de impostos e a participação em um grande banquete.  

Há também quem relacione a pedra branca do Apocalipse com o costume grego de lançar pedras brancas em uma urna, nos tribunais, para absolver o réu. Pedras negras significavam condenação. 

Outra possível explicação se encontra nas antigas vestimentas sacerdotais. A túnica do Sumo Sacerdote do Templo possuía 12 pedras em cores diversas com os nomes das 12 tribos de Israel escritos. A sexta pedra, que representava a Tribo de Zebulom, era um pedra branca. Qual seria então a relação da tribo de Zebulom com a promessa de vida eterna em Apocalipse? 

No livro de Isaías lemos: 

Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, de além do Jordão, na Galileia dos gentios. O povo que andava em trevas viu uma grande luz, sobre os que habitavam na terra da sombra da morte resplandeceu uma luz. Tu multiplicaste este povo, a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa, como exultam quando se repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo da sua carga, e o bordão dos seus ombros, e a vara do opressor, como no dia dos midianitas, porque todo calçado que levava o guerreiro no tumulto da batalha e todo manto revolvido em sangue serão queimados, servindo de combustível ao fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome se chamará Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Da grandeza desse principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isso.” (Isaías 9: 1-7; ver Mateus 4: 13-17) 

Aparentemente a pedra branca aponta para o Salvador, que traria luz à Galileia, antiga morada da tribo de Zebulom. O próprio nome Zebulom, que fora escrito na pedra branca, adornada no peito do Sumo Sacerdote deriva da palavra Zevul, significando “morar comigo, honrar-me-á, exaltar-me-á ou habitação exaltada”. [1] Esses significados parecem estar intimamente ligados com a promessa de honra e exaltação celestes, relacionados com a pedra branca de Apocalipse.  

Então, até este ponto podemos supor que, de acordo com os estudiosos, a pedra branca pode significar vitória, honra e exaltação. Também é um símbolo de Jesus Cristo, que como uma luz nos guia até uma habitação exaltada. 

Um Novo Nome 

As escrituras deixam claro a importância de um nome. Começando com Adão, que recebeu do Pai seu nome e o significado do mesmo, passando por Eva que recebeu de Adão seu nome e significado, continuando com os animais do jardim, que receberam de Adão seus nomes, como parte de seu chamado, e finalizando em Jesus Cristo. Seus pais terrenos, Maria e José, não puderam escolhe o nome do Messias, mas o chamaram conforme o anjo revelou (Moisés 1: 34; 4: 26; 3: 19 e Mateus 1: 21)  

Dar nome a alguém representa a autoridade, cuidado e zelo que se tem sobre a pessoa. Mas também pode significar autoridade e poder que confere-se a ela. Posteriormente o Pai deu novos nomes a alguns de Seus servos. Abraão, Sara e Israel são alguns exemplos. Seus novos nomes representaram seus novos chamados e autoridade conferida pelo Pai. 

As escrituras, em especial as da restauração são repletas de menções a tomarmos sobre nós o nome de Cristo. Podemos encontrar diversas vezes nas escrituras o mandamento de louvar, honrar, receber, tomar e proclamar o nome santo de Deus e Seu Filho. 

Tal como acontece em um casamento, os santos, simbolizados pela noiva que recebe o seu marido e seu nome, fazem convênio de ter uma íntima relação, tornar-se um com ele e receber dele autoridade e uma nova identidade. 

O novo nome escrito na pedra branca parece seguir a mesma lógica, representando poder e autoridade que serão conferidos aos que herdarem o Reino Celestial. Um novo nome dado pelo próprio Pai.  (Isaías 62: 2 e 65: 15) Não será o nome que tínhamos na existência pré-mortal ou o nome recebido por nossos pais mortais. 

Urim e Tumim 

Uma revelação moderna, recebida pelo profeta Joseph Smith lança mais luz sobre o real significado dessa passagem em Apocalipse: 

“Esta Terra, em seu estado santificado e imortal, será transformada como em cristal e será um Urim e Tumim para os seus habitantes, pelo qual todas as coisas pertencentes a um reino inferior ou a todos os reinos de uma ordem inferior manifestar-se-ão àqueles que nela habitam; e esta Terra será de Cristo. Então a pedra branca, mencionada em Apocalipse 2: 17, tornar-se-á um Urim e Tumim para toda pessoa que receber uma; e por ela tornar-se-ão conhecidas as coisas pertencentes a uma ordem superior de reinos; E é dada uma pedra branca a cada um dos que entram no reino celestial, na qual está escrito um novo nome que ninguém conhece, a não ser aquele que o recebe. O novo nome é a palavra-chave.” (D&C 130: 9-11) 

A revelação moderna ensina que esta terra será santificada e se tornará um Reino Celestial, o lugar de morada dos seres exaltados. O Pai poderá visitá-la e será um Urim e Tumim. Todos os seres que aqui habitarem terão conhecimento de reinos inferiores. 

Urim e Tumim em hebraico significa “luzes e perfeições”.[2] Consiste em duas pedras usadas por profetas para facilitar a revelação e usadas especialmente em traduções de textos antigos. (Abraão 3: 1,4 e Mosias 8: 13) Portanto, quando herdarmos o Reino Celestial e a pedra branca, todas as coisas nos serão reveladas, referentes a reinos superiores e inferiores, pois habitaremos sobre um Urim e Tumim e também o possuiremos em nossas mãos. 

De Volta ao Jardim 

Àqueles que já receberam sua investidura no templo talvez já tenham relacionado a pedra branca e o novo nome com as ordenanças sagradas. Assim como a pedra branca, no templo nos vestimos completamente de branco e recebemos um novo nome, simbolizando pureza e autoridade, tal como visto por João: “O que vencer será vestido de roupas brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3: 5) 

Em resumo, as promessas encontradas nos primeiros capítulos de Apocalipse parecem aludir ao Jardim do Éden. De fato, essas promessas simbolicamente revertem os efeitos da Queda e devolvem ao vencedor as condições encontradas na morada imortal do primeiro casal. Como já mencionei em outros artigos, a adoração no Templo e o livro de Apocalipse estão estritamente ligados por símbolos de Queda e Redenção, além de inúmeras referências messiânicas. [3] A escritura base para este artigo é um belo exemplo: O maná escondido, a pedra branca e o novo nome. (Apocalipse 2: 17) 

Desde a Queda de Adão o homem come seu pão com o suor de seu rosto. Ao que vencer, é prometido o Maná dos Céus, tal como os frutos do Jardim do Éden que cresciam espontaneamente. Deve-se mencionar aqui, que nos dias do Tabernáculo, o Maná foi preservado na Arca da Aliança, e esta por sua vez, guardada no Santo dos Santos. Um símbolo claro de que o Maná ou Pão dos Céus é Cristo, o Pão da Vida, concedido apenas aos que vencerem e herdarem o Reino Celestial. (Hebreus 9: 4 e João 6) 

A pedra branca ou Urim e Tumim como explicado por Joseph Smith, representa a revelação constante recebida pelos que herdarem o Reino Celestial, um símbolo de honra e exaltação. 

O novo nome se relaciona com o nome colocado sobre Adão e Eva pelo próprio Pai. Nos relembra também os convênios feitos no batismo de tomar sobre nós o nome de Cristo, recordá-lo sempre e guardar seus mandamentos. Convênio este renovado semanalmente por meio do Pão sagrado do sacramento. (Apocalipse 3: 12 e 14: 1) 

Por fim, muito do que podemos aprender sobre as promessas mencionadas por João o Revelador, seus significados e aplicações deve vir por meio de revelação pessoal, além do que já foi ensinado pelo Profeta  Joseph Smith. Neste processo de busca por revelação pessoal, ao estudarmos as escrituras ou servimos no templo, seremos enfim alimentados espiritualmente, cresceremos em honra e saberemos quem realmente somos e conheceremos o Deus que chamamos de Pai. 

Notas: 

1- Ver Notas de rodapé: Gênesis 30: 20 (E disse Lia: Deus me deu uma boa dádiva; desta vez amorará comigo o meu marido, porque lhe dei seis filhos; e chamou o seu nome bZebulom.) 

2- GEE “Urim e Tumim 

3- O Templo Israelita e a Igreja Primitiva – Parte 1 ( http://osmormons.com/o-templo-israelita-e-a-igreja-primitiva-parte-1/ )

Siga-me!

Marcelo de Almeida

De Fortaleza/CE, e com 34 anos, Marcelo de Almeida é solteiro, missionário retornado e serve como Diretor de Indexação da Estaca. Ele estuda Enfermagem e é SUD desde os 16 anos, tendo servido na Missão Brasil Londrina.
Siga-me!

Últimos posts por Marcelo de Almeida (exibir todos)