As histórias mais inspiradoras de caravana ao templo que conheço são as de Manaus. No tempo em que esses bravos irmãos amazonenses frequentavam o templo de São Paulo, levavam cinco dias para chegar lá, por via fluvial e depois terrestre. Em janeiro de 2004, começaram a ir para o templo de Caracas, Venezuela, o mais próximo.

Ao ler o livro Pioneiros da Amazônia, de Ernandes Souza, fui presenteada com muitas belas histórias sobre caravanas ao templo. Todas me tocaram. Uma em especial eu gostaria de referir agora: a experiência da irmã Claudia Negreiros.

Cláudia estava no ônibus que, ao voltar do templo de Caracas, caiu em uma ribanceira e capotou várias vezes. Ela ficou tetraplégica. Essa valorosa irmã é um exemplo para todos os que a cercam, e uma de suas missões é ser uma fonte de inspiração para nós.
Segue seu próprio depoimento:

“Antes de termos um Templo aqui na cidade de Manaus, era bem difícil chegar ao Templo mais próximo. No início as caravanas iam para São Paulo fazendo o percurso de barco até Porto Velho e de ônibus até São Paulo. Eu sempre ouvia algumas experiências; uns vendiam tudo para conseguir levar a família, nos barcos alguns adoeciam, inclusive numa caravana que minha sogra foi, a maioria dos irmãos que estavam no barco, tiveram um surto de conjuntivite. Quase sempre havia assaltos nos ônibus. Poderia dizer que era um teste de fé viajar de caravana para o Templo. Quando eu e meu esposo nos casamos em 2002 fomos em uma Caravana para o Templo de Campinas, nessa viagem ocorreu tudo bem, mas no ano de 2008 em uma caravana para o Templo de Caracas, nossas vidas mudaram completamente.

No dia 12 de janeiro de 2008 eu, o Alexandre e mais alguns membros da Igreja estávamos voltando de uma caravana ao Templo de Caracas, quando o ônibus em que estávamos capotou na estrada da Venezuela. Neste acidente fiquei tetraplégica. Só lembro que era madrugada e eu não estava conseguindo nem cochilar; enquanto a grande maioria estava dormindo inclusive o Alexandre do meu lado. Tudo aconteceu muito rápido num instante estava olhando a pista pelo vidro da frente, pois nos sentamos no primeiro banco do ônibus, e no outro acordei jogada no mato sem conseguir me mexer, de repente vi o Alexandre do meu lado e eu falei quase querendo entrar em pânico – Alexandre eu não estou conseguindo me mexer – ele ficou dizendo para eu me acalmar que tudo iria ficar bem, então eu comecei a desfalecer e só acordei alguns segundos depois quando uma amiga que estava no outro ônibus chegou até onde eu estava e começou a gritar meu nome bem alto. Eu fui abrindo os olhos bem devagar, mas eles estavam tão pesados que eu quase não consegui abri-los, só consegui quando me veio nitidamente a imagem da minha filha, Rebeca na mente. Nesse momento eu lutei para me manter acordada, foi aí que as ambulâncias chegaram e eu e uma outra irmã que havia quebrado o braço fomos levadas primeiro.

Eu estava tão assustada e com tanto medo, os médicos falavam muito rápido, eu não entendia nada. Só sei que nunca tinha sentido tanta dor como nos dois primeiros dias, que para unir o osso com o outro, rasparam meu cabelo e colocaram dois parafusos, um de cada lado da minha cabeça apertando, apertando até um ponto insuportável. Para resumir, fiquei alguns dias num hospital na Venezuela, uns dias num hospital em Boa Vista onde eu tive dois pneumotórax, até que vim transferida para Manaus e fiquei cinco meses internada no hospital Adriano Jorge; foram dias, semanas, meses de muitas lágrimas, dúvidas, achava que o Pai Celestial não me amava por ter permitido que isso acontecesse comigo porque de todos os passageiros do ônibus eu fora a única que se machucara com uma sequela muito grave e permanente. Passei por um breve período de revolta em que só ficava perguntando por que eu? Por que, por que… não conseguia dormir ficava dia e noite acordada, minha cabeça tão pesada, sofria muito longe da minha filha Rebeca, sem poder estar com ela no seu primeiro dia de aula entre tantas outras coisas como olhar o meu corpo inerte na cama que há poucos dias atrás se mexia cheio de vida. E agora tão dependente de tudo.

Depois de ficar entre a vida e a morte por várias vezes no hospital, de tratar duas escaras, o problema do pulmão, finalmente voltei pra casa e pude ver a Rebeca, eu já não aguentava mais de tanta saudade, no início ela ficou me estranhando um pouco mas graças ao Senhor depois ficou tudo bem.

Foi quando eu me voltei para as escrituras novamente, que encontrei as respostas que me trouxeram paz e quanto mais eu lia e orava mais forte sentia o Espirito Santo me confortar e finalmente meu espirito foi curado.

Eu pus a prova o que o Presidente Gordon B. Hinckley ensinou: Que o evangelho contém as respostas para todos os problemas da vida.

Eu quero servir ao Senhor de todo o meu coração, até o fim. Oro todos os dias para o Pai Celestial me dar forças para perseverar no evangelho até o fim de meus dias.”

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Ludmilla Gagnor Galvão

Ludmilla Gagnor Galvão é taquígrafa e revisora de Português. Seu passatempo é pesquisar a história da Igreja em Brasília, tarefa que a leva a vasculhar também a história da Igreja no Brasi
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