Recentemente, a jovem carioca Kayllane Campos, juntamente com um grupo de outras pessoas, saía de um culto de candomblé, vestidos ao caráter de sua religião, quando todos foram verbalmente agredidos e receberam uma saraivada de pedras, das quais uma delas bateu em um poste e foi na direção da testa daquela garota de apenas onze anos.

Naquele dia, uma pessoa poderia ter morrido vítima de intolerância religiosa. Isso em um país como o Brasil, que tem uma legislação promissora em relação ao assunto, um país miscigenado que se orgulha de dizer que respeita as liberdades de todos.

Quem tem o direito de julgar a crença do outro? Ao vir à terra, recebemos o privilégio de fazer nossas escolhas por nós mesmos, o livre-arbítrio. Todos nós temos a oportunidade de escolher e discernir o que é certo ou errado, o que é bom ou ruim. Podemos ajudar-nos uns aos outros a fazer boas obras ou ter escolhas saudáveis, mas não podemos, na maior parte do tempo, impedir que as pessoas tenham seu livre-arbítrio, algo que irá ajuda-las a crescer e a conviver com as consequências de seus atos.

A religião é uma dessas escolhas que fazemos. Ao escolher ter ou não uma religião, estamos também exercendo o nosso livre-arbítrio. Na distante cidade de Nauvoo, nos idos de 1842, Joseph Smith, primeiro Presidente e profeta de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, publicou em um jornal local um documento denominado “Carta de Wentworth”, escrito a pedido de um jornalista de Chicago. Nesse documento, além de um relato sobre a Igreja e seu surgimento, Joseph também resumiu treze crenças básicas que hoje são conhecidas como Regras de Fé. A décima-primeira regra de fé aborda a liberdade religiosa sob a ótica de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias:

“Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem”. (Regras de Fé 1: 11)

Esse é um princípio básico e universal de tolerância religiosa, sob o qual o respeito é a principal viga de sustentação. No Livro de Mórmon, um testamento de povos que viveram nas Américas, frequentemente os povos encontram-se na busca pelo respeito à sua religião, até mesmo enfrentando guerras para que essa liberdade venha a ser preservada. Em uma das passagens do livro, há o relato do Capitão Morôni, que hasteou um corajosamente o estandarte de sua fé:

“E aconteceu que rasgou sua túnica e, pegando um pedaço dela, nele escreveu: Em lembrança de nosso Deus, nossa religião e nossa liberdade e nossa paz, nossas esposas e nossos filhos—e amarrou-o na ponta de um mastro.

E ele colocou seu capacete e sua couraça e seus escudos e cingiu os lombos com sua armadura; e pegou o mastro em cuja ponta se achava a túnica rasgada (a que ele chamou estandarte da liberdade); e inclinou-se até o solo e orou fervorosamente a seu Deus, a fim de que as bênçãos da liberdade repousassem sobre seus irmãos enquanto restasse um grupo de cristãos para habitar a terra” (Alma 46: 13)

Aquele estandarte da liberdade foi hasteado em todas as torres do povo nefita, conforme relatado no Livro de Mórmon. É uma grande lembrança de que, como Morôni, precisamos levantar também nosso estandarte da liberdade por mais tolerância religiosa, pelo direito de professar nossa fé sem medo de sermos apedrejados. E que esse direito seja para todos, não apenas para alguns.

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Elara Leite

Elara Leite é uma paulista que mora na Paraíba. É especialista em Assessoria de Comunicação e formada em Radialismo, Jornalismo e Relações Públicas. Atua junto a entidades sindicais, ONGs e movimentos sociais e como assessora na Associação de Deficientes e Familiares. Também atua como editora e repórter de revistas. É casada e tem uma filha.
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