Na primeira vez que Dave Ulrich entrou para a lista do Thinkers50, o ranking de gurus de administração de negócios mais prestigiado do mundo, a lista de 2007 o posicionou justamente entre Al Gore e o autor de best-seller Seth Godin.

Ele foi um dos três alunos da BYU na lista daquele ano, incluindo o professor de negócios de Harvard que introduziu o conceito de Inovação Disruptiva, Clayton Christensen. Christensen foi o primeiro nos rankings bienais em 2011 e 2013. Neste ano, pela primeira vez, 10 por cento dos que estão na lista Thinkers50 são graduandos da BYU – Christensen no Número 2, Ulrich (27), Liz Wiseman (43), Hal Gregersen (46) and Whitney Johnson (49).

Como um pequeno boxeador com vitórias sobre adversários maiores, “a BYU dá socos mais fortes que o peso de sua categoria”, disse Ulrich.

Mas como? Porque a BYU faz uma grande parcela do Thinkers50?

A resposta varia do trivial – a forma como as listas são compiladas – até o intrigante – o que o reitor da escola de negócios da BYU chama de efeito Clayton Christensen. Christensen conquistou um diploma em economia na BYU e foi em frente para escrever “O Dilema da Inovação” (em tradução livre), que influenciou profundamente Steve Jobs, da Apple. Suas ideias sobre inovação de ruptura tiveram um impacto tão amplo que “ruptura” está se tornando um termo familiar para descrever, por exemplo, o que está acontecendo agora mesmo com o abandono das TVs a cabo. Gregersen e Johnson trabalharam diretamente Christensen.

Ulrich disse que a melhor e tralvez mais interessante resposta é a influência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nos cinco alunos da BYU do Thinkers50.

Cinco mórmons na lista é surpreendente”, ele disse, “o mérito é do sistema de aprendizado SUD. A BYU, eu acredito, por meio das missões servidas por tantos de seus estudantes, recebe o benefício. Eu não acho que o mundo entenda o quanto as missões são significativas para o aprendizado. Do evangelho e da teologia, é claro, mas também do aprendizado de sociabilidade, organização e administração pessoal. Uma missão de dezoito meses ou dois anos é como cinco anos trabalhando em uma das melhores empresas do mundo”.

Impacto Mórmon

A ideia de um grande impacto Mórmon nos negócios e na administração dos negócios já foi explorada antes, a mais famosa delas em um artigo de 2010 do Financial Times, que disse que a cultura mórmon fez nascer uma “elite profissional”. Em 2012, a “Harvard Business Review” publicou um artigo chamado “Como os Mórmons moldaram a administração moderna”.

Dois mórmons, Christensen e o falecido autor de “Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes”, Stephen Covey, entraram na lista Thinkers50 em 2001, 2003 e 2005. Um guru dos recursos humanos, Ulrich, juntou-se a eles nas listas de 2007, 2009 e 2011.

A revista HR Magazine deu a Ulrich o título de pai dos recursos humanos modernos em 2012 depois de chamá-lo de mais influente líder de pensamento internacional por cinco anos consecutivos. No ano passado, speaking.com o posicionou em primeiro lugar em um ranking como palestrante de administração e negócios.

Ulrich, que fez um mestrado em comportamento organizacional na BYU é muito produtivo. Ele é o autor de mais de 25 livros. O último pode ser o mais ambicioso, uma tentativa de criar uma ferramenta de medição para ajudar os investidores a avaliarem a liderança de uma companhia. Lançado neste outono “O índice de capital de liderança: realizando o valor de mercado da liderança” (em tradução livre) oferece “criteriosos” métodos para os leitores analisarem os lideres em dez áreas.

Uma resenha da revista Forbes recebeu bem a ideia: “Em uma era em que a análise de informações é vista como central para o sucesso dos negócios, não faz sentido nenhum que aqueles encarregados principalmente de atuar nessa analise sejam contratados sem uma forma de exame similar”

A criação de um índice para avaliar a força da liderança de uma organização também põe Ulrich na pequena lista de oito pessoas consideradas para o Prêmio de Ideia Inovadora 2015.

O BYU 5

Depois da morte de Covey em 2012, Christensen e Ulrich foram adicionados à lista Thinkers50 de 2013 por Wiseman, que desenvolveu a ideia de líderes como multiplicadores e diminuidores. Multiplicadores são as pessoas que duplicam o poder de pensamento dentro de uma organização atraindo talento e fazendo as pessoas ao redor ficarem mais espertas.

Wiseman conquistou um diploma de bacharel em administração de negócios e um de mestre em comportamento organizacional na BYU e foi o líder global de desenvolvimento de recursos humanos da Oracle. Ela escreveu três best-sellers nos últimos cinco anos, incluindo “Multiplicadores: como os melhores líderes fazem todos mais espertos.” (em tradução livre)

As contribuições da BYU ao Thinkers50 deste ano estão ligadas a Christensen.

Gregersen é diretor executivo do Centro de Liderança do MIT. Neste ano, a lista da Forbes das companhias mais inovadoras do mundo foi baseada na metodologia que Gregersen criou com Jeff Dyer, um professor de negócios da BYU. Gregersen, Dyer e Christensen foram co-autores em 2011 de “O DNA Inovador: Dominando os cinco conhecimentos da inovação disruptiva” (em tradução livre)

Gregersen, que completou um mestrado em comportamento organizacional na BYU e é um antigo membro da faculdade BYU, está trabalhando agora com Christensen estudando “O poder do questionamento e como os líderes de maior sucesso conseguem identificar a questão certa – mais do que a solução – para desvendar intrigantes desafios”, de acordo com o site do Thinkers50.

Johnson é co-fundadora com Christensen e foi presidente da Rose Park Consultores, fundo de investimentos de inovação disruptiva. Ela utilizou a teoria de Christensen e a aplicou em um nível individual. Neste outono ela publicou: “Disrupcione-se: Fazendo o poder da inovação disruptiva trabalhar” (em tradução livre)

Ela está revolucionando a mudança de carreira” disse Lee Perrry, reitor da “Marriot School of Management” da BYU. “Ela fez um bela base sobre disrupção e aplicou-a aos indivíduos.”

Ela conquistou um diploma de música na BYU antes de se voltar para os negócios. No ano passado, a Fortune a listou como uma das 55 mulheres mais influentes no Twitter. Ela tem mais de 51.400 seguidores.

Boa Validação

Perry disse que os cinco alunos da BYU no Thinkers50 competem com Harvard e Stanford “É bem a companhia de elite”, ele disse. “É uma boa validação quando coisas assim acontecem. É a confirmação que você está fazendo a coisa certa e está se tornando melhor. São surpresas felizes para nós.”

Perry foi cuidadoso em não atribuir muito crédito à BYU.

Essas são primeiramente conquistas individuais”, ele disse. Assim como Ulrich, ele creditou o sucesso ao que ele chamou de foco SUD em liderança e desenvolvimento de liderança. Mórmons não têm um clero pago mas suas congregações são altamente organizadas. Garotas e garotos começam a servir em posições de liderança assim que eles fazem 12 anos, e essas oportunidades continuam a aumentar para mulheres e homens ao longo de suas vidas.

Christensen escreveu sobre o conceito em um ensaio alguns anos atrás. Ele percebeu que uma história sobre eficiência organizacional da Igreja SUD em resposta a uma inundação tinha perdido o essencial – essa organização é demonstrada semanalmente em toda a congregação Mórmon.

Eu acho que as experiências que temos na igreja nos ajudam a nos tornar mais sensíveis à liderança e assuntos organizacionais”, disse Perry, “Eu não acho que seja por acaso que a BYU tenha uma dos mais iniciais e fortes programas comportamentais. Nós basicamente temos um laboratório para oportunidades de liderança na igreja SUD que vem com desafios adicionais, já que é uma organização voluntária”.

Perry lecionou para Wiseman em uma aula da BYU, e ele tem orgulho dela. Ele disse que todo Mórmon terá tido líderes que foram multiplicadores e outros que foram diminuidores.

Eles fizeram isso por si mesmos”, ele disse sobre os cinco Santos dos Últimos Dias que estão no Thinkers50, “mas eu acho que seu conhecimento SUD e BYU deram um bom empurrãozinho”.

Ulrich, que leciona na escola de negócios da Universidade do Michigan, concorda.

Eu acho que a cultura SUD cria um DNA organizacional”, ele disse. “a BYU aumenta os instintos básicos. Para mim, a BYU foi uma transformação de vida. Eu pude traduzir minhas experiências em palavras e descobri que os princípios que eu havia aprendido antes é que eram os meus princípios”

Traduzido por Eduardo Marcondes de  do www.deseretnews.com

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Eduardo Marcondes

É jornalista há 20 anos, com ênfase na atuação em Rádio e Televisão. Foi repórter, editor e apresentador, com passagens por praticamente todas as emissoras com sede na capital paulista, entre elas o Grupo Bandeirantes e o SBT. Atualmente faz trabalhos de textos em parceria com alguns empresários e escreve regularmente na internet há pouco mais de ano.
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