Em minha ala, como professor da classe de Doutrina do Evangelho, deparei-me com uma lista de presença com aproximadamente 700 nomes. Sim, isso mesmo. São setecentas almas inscritas só na minha classe. Quase uma frequência de conferencia de estaca.

Apesar de estar na ala há uns dois anos, ainda não conheço todos os membros ativos pelo nome, imagine os que não estão ativos.

Vale lembrar que esse é meu primeiro chamado na ala. Fui chamado no dia três de julho deste ano.

Este é o primeiro ponto. Imagina você mudar de cidade e ficar por quase dois anos aguardando por um chamado. Ficar no banco, como um “sentado dos últimos dias” não é algo animador, principalmente para quem sempre teve chamados nas unidades anteriores.

Ser membro já é um chamado (D&C 20: 68-70; Mosias 18: 8-10). É certo que chamados e designações fortalecem e desenvolvem nossa fé e testemunho. No entanto, balizar nossa fé e testemunho, apenas por um chamado em si mesmo, ou o “status” que pode nos conferir, pode significar que nossa fé e testemunho são fracos. Isso denota um ‘testemunho’ não no evangelho, mas na estrutura organizacional da igreja e nas pessoas.

A razão pela qual não tive um chamado por tanto tempo era por que eu estava exercendo uma atividade econômica em outra cidade que não permitia que eu estivesse com tanta frequência na igreja aos domingos. Então, depois de muitas ponderações, decidi terminar esta atividade, para poder estar onde eu deveria estar aos domingos: com minha família e servindo na Igreja.

(Ah, eu também não tinha um companheiro designado para ser mestre familiar.)

Isto significaria buscar outras oportunidades de trabalho e/ou emprego, em pleno janeiro de 2016, virada econômica totalmente desfavorável, como sabem.

Assim que tomei a decisão e estava disponível para servir, falei com meu bispo que eu já estava à disposição para servir em qualquer designação. Estava faminto e ansioso para servir.

Então tive que esperar mais seis meses até que o chamado veio. Durante este período, houve escassez e dúvidas: “Não teria sido melhor ter ficado onde estava e não passar por necessidades? Afinal, continuo sem chamado? ”

Mas eu afastava estes pensamentos, na certeza que tivera feito a escolha correta e, no momento do Senhor, eu seria utilizado em Sua seara. Era só uma questão de tempo. Tudo o que eu tinha que fazer era continuar indo à Igreja.

Quando eu não mais me preocupei em ter um chamado, e mantive o foco na certeza que tivera feito a escolha correta, o chamado veio.

E veio com um grande desafio: conhecer os membros da minha classe. Pelo menos os quarenta que são frequentes. Ainda não conheço todos pelo nome, mas a cada semana vou conhecendo um pouco mais.

E, ao conhece-los, visitando suas casas, percebo seus fardos e desafios, os quais tornam os meus o menor deles.

Nosso próprio Bispo tem seus próprios fardos, o que me faz ter maior apreço por ele.

O fato é que, ficar desaminado faz parte de nossa natureza, que tende até a depressão e faz-nos querer desistir.

E confesso que, nesses tempos, a palavra desistência foi minha companheira diária. Faz-nos sentir inapto para qualquer coisa, ou mesmo um sentimento de fracasso, por que as coisas ’simplesmente não acontecem’.

Isso por que, uma vez que estamos a serviço do Senhor, imediatamente esperamos que as coisas aconteçam no nosso tempo e da maneira como pensamos que tem que acontecer. Por isso desanimamos com frequência.

Nossa mente fica obscurecida e não entendemos que o Senhor, com desafios semelhantes, quer fortalecer nossa fé.

As coisas que desejo ainda não aconteceram. Tenho minha cruz para carregar. (Mateus 10: 38- 39; 16:24)

No entanto, foco naquilo que é principal para manter minha fé: estar perto de minha família e exercer meu chamado da melhor maneira. (D&C 75:28-29)

Concluo este artigo com uma mensagem que recebi em um grupo do whatsapp, sem menção de autoria.

O Desânimo

“Deus virou para um homem que estava muito desaminado e disse-lhe:‘Meu filho, tenho uma missão para você. Sabe aquela pedra enorme que está perto da sua casa? Quero que a empurre sem parar, faça chuva ou faça sol, não pare de empurrá-la. Empurre-a com toda sua força e toda a tua vontade’. E o homem respondeu: ‘Sim Senhor. Eu farei o que me pede’. E, mesmo sem entender, o homem resolveu obedecer. Dia a dia, ele pelejava empurrando a pedra com toda a sua força, mas ela não se mexia. E, a cada noite, retornava para sua casa aborrecido, sentindo que seu esforço era em vão. Percebendo o desânimo do homem, o inimigo decidiu entrar em cena, colocando pensamentos negativos em sua mente desgastada, tentando desanimá-lo, para que desistisse da missão que Deus tinha confiado a Ele, e disse: ‘ Você tem empurrado essa pedra por tanto tempo, e ela ainda não se moveu. Não acha melhor desistir? Deixe essa tarefa para outro’. Esses pensamentos minavam o seu espírito e davam-lhe a impressão de que era um fracassado. Pensando em desistir, elevou seus pensamentos em oração e disse: ‘Senhor, tenho trabalhado duro fazendo exatamente aquilo que o Senhor me mandou, entretanto, após todo esse tempo, não consegui mover a pedra nem por um milímetro. O que está errado? Por que tenho falhado? ’ O Senhor, em sua infinita misericórdia e, conhecendo a aflição que tomava conta daquele coração, respondeu-lhe: ‘ Meu filho, quando eu te disse que tinha uma missão para você, você aceitou. Expliquei-lhe que o seu trabalho seria empurrar a pedra todos os dias e é o que você tem feito. Eu nunca te ordenei que a movesse. Por que pensa que falhou? Olhe para seus braços, suas mãos e pernas e veja como estão fortes e firmes. Todos esses atributos te fazem melhor do que antes. Você está mais forte. Observe que seu chamado foi para empurrar a pedra, exercitando sua força e confiança na minha Palavra. Você fez exatamente o que te pedi. Quando chegar a hora, Eu mesmo moverei a pedra’. Às vezes, quando ouvimos uma palavra de Deus, ficamos tentando decifrar o que Ele quer de nós, quando na verdade o que Ele deseja é apenas nossa obediência e fé. Em todos os sentidos, exercite a fé que move montanhas. Mas saiba que continua sendo Deus é quem as move. As adversidades vêm, mas a ordem é: empurre a pedra com fé e confiança. Persevere e continue! Deus moverá a pedra a ser próprio tempo!

Alexandre Neto

Antonio Alexandreda Silva Neto é escritor, gosta de nadar e passear de bicicleta. Serviu na Missão Brasil Porto Alegre de 1982 a 1983. Trabalha como
Consultor da Ademilar Consórcio de Investimento Imobiliário e participa do Projeto ReclySystem, empresa incubada de reciclagem de resíduos sólidos, como gerente administrativo.

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