Recentemente conversei com um jovem que havia deixado de frequentar a Igreja. Ele tinha um forte testemunho de Jesus Cristo e do evangelho restaurado. Não havia cometido nenhum pecado grave e mantinha seus padrões elevados. Mas havia se dado conta de que tinha sentimentos que considerava pecaminosos e que em sua opinião o tornavam indigno, por isso havia parado de ir à Igreja.

Creio que atualmente pode haver muitos que se encontram nessa mesma situação. Vivemos num mundo cada vez mais envolvido em trevas, e algumas das tentações a que as pessoas estão sujeitas hoje em dia nem sequer eram conhecidas ou imaginadas por gerações passadas. Mas vem então a pergunta: seria pecado sofrer tentação?

As tentações fazem parte desta provação mortal.Não seríamos postos à prova em relação à nossa fidelidade, se elas não existissem. “É necessário que haja uma oposição em todas as coisas” (2 Néfi 2:11). “E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar” (Abraão 3:25). O próprio Salvador sofreu tentações: “E ele seguirá, sofrendo dores e aflições e tentações de toda espécie; (…) para que se lhe encham de misericórdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo” (Alma 7:11,12; grifo nosso). As escrituras também nos ensinam como devemos lidar com elas, seguindo o exemplo de Cristo: “Sofreu tentações, mas não lhes deu atenção” (D&C 20:22; grifo nosso).

Uma grande mentira que se divulga no mundo atual é o de que as tentações que sofremos definem a nossa identidade. Há muitas vozes no mundo declarando: “Você é o que ‘tem vontade’ de fazer. Você tem que assumir quem você é, dando vazão às suas ‘vontades’”. Nada há de mais falso. Ser tentado não é o mesmo que ter vontade de fazer aquilo. No momento da tentação, você faz a sua vontade ao exercer seu arbítrio moral e decidir como vai agir em relação à tentação que está enfrentando. Você também pode decidir não dar atenção à tentação.

Uma tentação é como uma tendência. Você pode ter a tendência de ser tímido, ou a tendência de ser sedentário. Mas isso quer dizer que vai ser tímido ou sedentário para sempre? É claro que não! Você pode decidir usar seu arbítrio para vencer a timidez e desenvolver coragem. Ou pode decidir praticar um esporte até tornar-se um bom atleta. Com a ajuda do Senhor, essa fraqueza pode se tornar sua caraterística mais forte. “E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; e minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles” (Éter 12:27). O Senhor conhece as tentações que sofremos, e por isso pode ajudar-nos a superá-las.

Voltando à questão de ser pecado ser tentado. Pergunto: será que os pioneiros que cruzavam as planícies no meio do inverno estariam pecando por sentir frio? É claro que não! Mas se permitissem que o frio que sentiam os fizesse desistir da jornada ou não procurassem abrigar-se e proteger-se do frio por todos os meios, eles poderiam morrer. E esse é o grande risco da tentação — se cedermos a ela, também nos sujeitamosà morte: a morte espiritual. Mas é justamente isso que a mídia e o mundo instigam as pessoas a fazer: “Se você sente frio, dispa-se e mergulhe de cabeça num lago gelado. Assuma o frio que está sentindo”. Não há receita melhor para ser miserável. Assim como os pioneiros tiveram de agasalhar-se da melhor forma que podiam e acender fogueiras para se aquecer, você também deve fazer o mesmo em relação à tentação, protegendo-nos contra ela de todos os meios. E acima de tudo, nunca desista da jornada. Prossiga com firmeza,dando um passo de cada vez, com fé, e assim, você também chegará a seu destino eterno, e desfrutará de todas as bênçãos que o Senhor reservou para os fiéis, seja qual for o frio que esteja sentindo agora. Persevere até o fim e nunca desista.

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Humberto Kawai

Humberto Kawai é médico neurologista aposentado, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo. Serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro.Serviu como presidente dos Rapazes da ala e da estaca, membro do sumo conselho, bispo da ala Vila Mariana, presidente de ramo no CTM de São Paulo, bispo da ala Atibaia, e presidente da estaca Itatiba.
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