Discurso proferido pelo Patriarca Nivaldo Bentim da Estaca Bauru

Estamos vivendo a Última Dispensação, isto é, a última vez que o poder e autoridade do santo sacerdócio, ou poder de Deus dado ao homem para realizar a obra de redenção da humanidade, estará sobre a Terra. Depois que Jesus Cristo ascendeu aos Céus e os apóstolos morreram, ocorreu a grande apostasia e o santo sacerdócio foi tirado da Terra.

Todavia, João Batista, Pedro, Tiago e João mantiveram esse poder enquanto estiveram no mundo espiritual depois de morrerem. Enquanto seu corpo jazia na sepultura o Senhor Jesus Cristo visitou o mundo espiritual e lá iniciou o trabalho de redenção dos mortos, deu poder para muitos ressuscitarem depois dele e, ao ressuscitar quebrou o poder da morte. É assim que lemos em Doutrina e Convênios Seção 138:50-51 o seguinte:

Porque os mortos consideravam o longo tempo em que seu espírito estava ausente do corpo como uma escravidão. Esses o Senhor ensinou e deu-lhes poder para levantarem-se, depois que ele ressuscitasse dos mortos, e entrarem no reino de seu Pai, para que lá fossem coroados com imortalidade vida eterna”.

Foi assim que João Batista, Pedro, Thiago e João, seres ressuscitados, vieram à Joseph Smith e Oliver Cowdery para restaurar o Sacerdócio Aarônico e de Melquisedeque.

As Seções 20, 84, 107 e 121 de Doutrina e Convênios são as que melhor explicam melhor sobre a restauração do santo sacerdócio. Vamos tratar aqui do que está contido na Seção 121.

Doutrina e Convênios Seção 121

Essa seção 121 foi escrita quando o profeta estava preso na cadeia de Liberty já havia meses. Então, ele e os santos irmãos que estavam com ele na cadeia viviam grande angústia. Por isso é uma seção escrita com muitos sentimentos. Começa com uma súplica de Joseph Smith a Deus:

Ó Deus, onde estás? E onde está o pavilhão que cobre teu esconderijo? Até quando tua mão será retida e teu olho, sim, teu olho puro contemplará dos eternos céus os agravos contra teu povo e contra teus servos e teu ouvido será penetrado por seus lamentos? Sim, Senhor, até quando suportarão esses agravos e essas opressões ilícitas, antes que se abrande o teu coração e tuas entranhas deles se compadeçam? Ó Senhor Deus Todo-Poderoso, …estende tua mão, que teu olho penetre, que se erga teu pavilhão; que já não se cubra teu esconderijo; que teu ouvido se incline; que se abrande teu coração e que se compadeçam de nós tuas entranhas”…Lembra-te de teus santos que estão sofrendo, ó nosso Deus; e teus servos regozijar-se-ão em teu nome para sempre”.

Segue, então, a resposta do Senhor nosso Deus ao profeta Joseph:

(verso 7) “Meu filho, paz seja com tua alma; tua adversidade e tuas aflições não durarão mais que um momento; e então, se as suportares bem, Deus te exaltará no alto; triunfarás sobre todos os teus inimigos”…”E daqui a alguns anos que eles e sua posteridade sejam varridos de debaixo do céu, diz Deus; que não reste qualquer deles para permanecer junto à muralha. Amaldiçoados são todos os que levantarem o calcanhar contra meus ungidos, diz o Senhor…”

A partir do verso 26 Joseph começa a receber revelações e instruções de como deve ser usado o poder do santo sacerdócio. É dito a Joseph:

(26) “Deus vos dará conhecimento, por seu Santo Espírito, sim, pelo indescritível dom do Espírito Santo, conhecimento esse que não foi revelado desde a fundação do mundo até agora; o qual nossos antepassados aguardaram com ansiedade que se revelasse nos últimos tempos e que lhes foi indicado pelos anjos como estando reservado para a plenitude de sua glória…”

Quando cita “nossos antepassados aguardaram com ansiedade”, está se referindo ao trabalho que começou a ser feito nos templos para a salvação dos que já morreram.

(33) “Que poder deterá os céus? (o que poderá) impedir que o Todo-Poderoso derramasse conhecimento do céu sobre a cabeça dos santos dos últimos dias.”

(34-35) “Eis que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. E por que não são escolhidos? Porque seu coração está tão fixo nas coisas deste mundo e aspiram tanto às honras dos homens, que eles não aprendem esta lição”:

(36) “Que os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão”.

(37) “Que eles nos podem ser conferidos, é verdade; mas quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho, nossa vã ambição ou exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniquidade, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem”.

Segundo essa afirmação, fica bem claro que o poder do sacerdócio só funciona quando está acompanhado do Espírito Santo. A Igreja verdadeira e restaurada é uma Igreja de ORDEM: Primeiro o batismo na água, depois o dom do Espírito Santo (o batismo de fogo) e depois o santo sacerdócio é conferido, primeiro o Aarônico e depois o de Melquisedeque e, só depois de um ano, após a confirmação, é possível receber as ordenanças do templo.

Em 2 Nefi 31:17, lemos: “…Porque a porta pela qual deveis entrar é o arrependimento e o batismo com água; e recebereis, então, a remissão de vossos pecados pelo fogo e pelo Espírito Santo”. Portanto, o batismo com água é o batismo do arrependimento, significa que uma pessoa está realmente arrependida de seus pecados e quer se livrar deles, mas é o batismo de fogo, ou seja, o Espírito Santo que irá “queimar” os pecados e apaga-los, o que acontece na confirmação.

Continuando, a respeito daqueles que agem com ambição, cometem iniquidades e são injustos, diz a escritura:

(38) “Eis que, antes de o perceber, é abandonado a si mesmo, para recalcitrar contra os aguilhões e perseguir os santos e lutar contra Deus”.

(39) “Aprendemos, por tristes experiências, que é a natureza e índole de quase todos os homens, tão logo suponham ter adquirido um pouco de autoridade, começar a exercer imediatamente domínio injusto”.

(40) “Portanto muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”.

A partir do verso 41, o profeta Joseph Smith ensina com muita clareza como devem agir os portadores do santo sacerdócio:

(41) “Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido”.

Aqui, neste ponto, aparece outro fator fundamental: “o amor não fingido”, ou seja, o amor verdadeiro. Esse é o fundamento do poder de Cristo, por isso se diz “o puro amor de Cristo”, sendo essa a essência de Seu poder.

(42) “Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo”. (quer dizer, sem machucar, sem ferir sentimentos)

(43-44) Reprovando prontamente com firmeza, (com clareza), quando movido pelo Espírito Santo (outra vez inclui o Espírito Santo); e depois, mostrando então um AMOR maior para aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo; para que ele saiba que tua fidelidade é mais forte que os laços da morte”.

Agora, Joseph Smith vai para dentro da alma do homem, e como que abre as portas dos corações de todos os filhos e filhas de Deus, mostrando como devemos ser por dentro:

(45) “Que tuas entranhas também sejam cheias de caridade para com todos os homens e para com a família da fé, e que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu”.

Quando diz “que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente” está fazendo referência ao livre arbítrio do homem, pois o arbítrio começa na escolha dos pensamentos.

Se nossos pensamentos são “virtuosos, louváveis, amáveis e de boa fama”, então, o Espírito Santo será nosso companheiro constante. Assim, o poder do santo sacerdócio se manifesta e realiza milagres.

(46) “O Espírito Santo será teu companheiro constante, e teu cetro, um cetro imutável de retidão e verdade; e teu domínio será um domínio eterno e, sem ser compelido, fluirá para ti eternamente”.

Quando diz “sem ser compelido” quer dizer que o Espírito Santo não compele, não nos força, mas respeita o nosso livre arbítrio.

Agora podemos entender quando a escritura diz: (36) “Que os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu…” significa que o santo sacerdócio está ligado com os princípios do dom do Espírito Santo, da fé, do livre arbítrio, do amor e da retidão.

Complicado, não é? Mas, foi assim que “o puro amor de Cristo” somado à retidão, à pureza de Sua mente e de Seu coração que Jesus Cristo pode converter milhares de almas que estavam dispostas a morrer por Ele, foi assim que ele pode fazer os milagres de cura e ressuscitar mortos e, finalmente, devido ao “puro amor” Ele pode entregar sua vida para pagar pelos pecados, dos quais nós nos arrependemos realmente, e redimir a humanidade decaída.

Jesus Cristo também era portador do santo sacerdócio de Melquisedeque. No livro de Hebreus, capítulo 5, lemos:

(4) “E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão”.

(5) “Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho. Hoje te gerei”.

(6) “Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque”.

(8) “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu”.

(9) “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem”;

(10) “Chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.

Assim, o Santo Sacerdócio é o fundamento ou o alicerce da Igreja, pois, sem ele não poderia haver revelação divina nem as ordenanças que são essências à Salvação.

Nosso antigo e querido profeta, Presidente Gordon B.Hinckley nos ensina o seguinte: “Quando você encontrar uma pessoa, esteja certo de que essa pessoa está vivendo uma grande dificuldade com grande angústia em seu coração; e em cinquenta por cento dos casos você estará certo”. Hoje em dia podemos dizer que essa porcentagem está bem maior.

Por isso não podemos nos esquecer do grande poder que nos foi dado, ao sermos batizados e confirmados membros desta Igreja, que é o dom do Espírito Santo, pois Ele passou a ser nosso “companheiro constante” e está pronto para nos ajudar em tudo que seja edificante e nobre, pronto para nos acudir nos momentos de aflição e pronto para nos confortar e consolar quando estamos deprimidos. Só é necessário que tenhamos fé, com a “real intenção” (como ensina Moroni, 10:5-6) de que receberemos a Sua poderosa influência. Vamos orar mais, vamos estudar mais as escrituras e vamos praticar mais boas obras, lembrando o que o Mestre Jesus nos ensinou, ao dizer: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim”. (João 14:6).

Deixo meu testemunho de que eu sei que estas coisas são verdadeiras, em nome de nosso redentor, o Senhor Jesus Cristo. Amém.

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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