Quando eu entrei no CTM em 19 de janeiro de 1982, eu não imaginava que ia dar uma alegria imensa ao missionário que me ensinou, o Élder Alencar, de Brasília.

Logo no primeiro dia, no refeitório, ainda na fila para pegar a refeição, eis que o vejo ao lado de seu companheiro e envio um aceno. Ele ficou sem fala de tanta felicidade. E ele estava já no fim de sua missão. Almoçamos juntos. Ele me disse que eu passaria também pela mesma experiencia.

Mais tarde, quando eu estava noivo, na loja do Templo de São Paulo, minha noiva quis me apresentar a uma amiga sua, que trabalhava na oficina de roupas do templo.

Quando sua amiga saiu, eu estava de costas para ela e a ouvi dizer: “Este é o meu noivo”.

Ao me virar, qual não foi a surpresa de todos. A amiga dela era nada menos que uma moça, a Maria, de uma família que batizei em Caxias do Sul, sendo que foram batizados além dela, sua mãe e mais quatro irmãos. E para alegria completa, ela também serviu uma missão.

Mais tarde, quando estava casado e minha esposa grávida do meu primeiro filho, tive outra grata surpresa. O irmão da Maria, o Flávio Zanoni, ao terminar sua missão e ir ao Templo de São Paulo, ficou hospedado em minha casa.

Todos os missionários de tempo integral devem ter experimentado esses sentimentos e esses encontros. Os membros que se envolvem com afinco na obra missionária também.

Alguns anos a frente, um jovem que serviu em minha ala, no litoral sul paulista, (hoje Missão Santos), se apresentou e descobri que era filho de uma moça na época em que servi em Motenegro, a irmã Isabel. Seu pai fez missão no litoral, no mesmo período que o meu, com apenas uma turma de diferença no CTM, o Elder Luchi

Nós almoçávamos na casa de seu avô e avó, pais da Isabel Luchi, quase todos os dias, numa época em que o programa de almoço para os missionários estava muito, muito distante. E, de repente, era a minha vez de recebe-lo em minha casa para almoçar. O Elder Luchi, o filho, foi muito bem recebido, tal como eu fora na casa de sua mãe. Imaginem a emoção destes momentos, acrescido das lembranças do que vivi no campo.

Ver e saber que pessoas que batizamos, se tornam missionários, ou que foram selados são os frutos que, chamo aqui de frutos de primeira colheita.

Mas não imaginava o alcance dos frutos de segunda colheita ou além. E não me refiro aos frutos colhidos pela missão de meus filhos ou também da Maria e do Flávio Zanoni somente.

Outra grande surpresa aconteceu quando ainda morava em São Vicente.

Recebemos em nossa casa para almoçar um certo Élder Inácio. Ele estava no início da missão. Eu soube que ela era de Caxias do Sul. Então, logo fui mostrar meu álbum de missão e conversar sobre as pessoas da minha época que ainda estavam lá na cidade.

Daí veio a surpresa. Mostrei a ele um casal que batizei, o Irmão Nauro e a Irmã Sirlei. E ele me disse que foi esse casal que apresentou a Igreja para ele.

Quer mais emoção?

Estive com ele e sua família no dia 29 de outubro. Ele me contou que, naquele início de missão, ele estava com dúvidas se continuaria a missão. Estava confuso quanto ao seu papel como missionário e sentia desejo de voltar para casa. Esta dúvida terminou quando foi almoçar em casa e conheceu minha trajetória na missão, mais precisamente, com que meios ele mesmo foi conduzido ao evangelho.

Imagina os frutos de uma missão? Mas ainda não é só isso.

Enquanto o Élder Inácio se preparava para uma missão, eu escrevi um livro.

Quando ele foi almoçar em casa, compartilhei com ele a segunda versão do meu livro e ele o levou com ele. Junto com o livro, meu cartão de visitas.

O tempo passou e ele terminou a missão e nos encontramos novamente no casamento de minha filha Laís, cujo noivo era da mesma ala que ele, em Cubatão-SP, Estaca São Vicente- Serra do Mar. Soube então que ele se casou com uma moça da mesma Ala e já tinha uma filhinha.

Então o tempo passou e seguimos nossas vidas. E, neste tempo, meus projetos relacionados com o livro estava adormecido por conta de alguns desafios.

Então, quando eu nem mais pensava sobre o assunto, eis que, no dia 24 de agosto deste ano, recebo o seguinte email:

Bom dia irmão Antônio Alexandre.

Meu nome é Rainara, sou presidente da soc soc de Cubatão. Meu esposo Juliano Inácio, falou a respeito de você e passou-me seus contatos, porém acredito que estejam desatualizados.

Estou planejando fazer um serão para as famílias da ala direcionado sobre planejamento familiar, orçamento, dívidas, essas coisas.

Poderíamos conversar sobre isso?”

Este contato resultou em meu primeiro serão em uma Ala, desde que escrevi meu livro e aconteceu no dia 29 de outubro de 2017.

Abri minha apresentação dizendo que não estava lá por que tinha escrito um livro, mas por que eu fizera uma missão. E relacionei aquele momento com o discurso do Apóstolo Rasband, da conferencia de outubro 2017.

Fiquei hospedado na casa da Irmã Benedita, mãe da Rainara, onde fui muito bem recebido. Foram momentos prazerosos e inestimáveis.

Podemos dimensionar os frutos de uma missão?

Quão grande poderá ser sua alegria ao fazer a obra missionária?

Família do Irmão Juliano Inácio

Da esquerda para a direita:

Irmão Juliano Inácio; Beatriz Inácio, Irmã Rainara Santos. Irmã Benedita Maria: Irmão Ronaldo Maurício.

Alexandre Neto

Antonio Alexandreda Silva Neto é escritor, gosta de nadar e passear de bicicleta. Serviu na Missão Brasil Porto Alegre de 1982 a 1983. Trabalha como
Consultor da Ademilar Consórcio de Investimento Imobiliário e participa do Projeto ReclySystem, empresa incubada de reciclagem de resíduos sólidos, como gerente administrativo.

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