Dias atrás encontrei um pequeno pedaço de papel, que fazia parte de uma agenda que eu usei no fim de minha missão. Já pensava, então, na vida pós-missão, ou seja, no casamento, e naquela agenda eu alistei as qualidades que eu esperava que minha futura esposa deveria ter.

Quatro anos depois de ter terminado a minha missão de Tempo Integral, na Missão Brasil Rio de Janeiro,  e cinco anos antes de eu casar, eu reescrevi aquela lista, tirei algumas coisas, e acrescentei outras.

Ao reescrever tal lista, fiz isso lembrando das inúmeras famílias que eu havia conhecido na missão (famílias de membros da Igreja e principalmente famílias que não eram da Igreja).

Vejam bem, eu tinha 24 anos na época, e a melhor das intenções de ter um casamento feliz. Hoje (com 59 anos, já pai de 3 filhos casados, e avô de 3 netos) acho graça por ter escrito tais coisas, mas penso que todos os missionários e missionárias têm uma certa expectativa (mesmo que não escrevam como eu fiz) de como espera que seja seu futuro cônjuge).

Vamos lá, então, com o meu  “Q.Q.M.F.E.D.T.” ou seja: “Qualidades Que Minha Futura Esposa Deve Ter”.

Nessa lista inusitada, eu escrevi o seguinte:

  1. Não precisa (nem deve ser) bonita demais, embora deva ser simpática e bonita para mim. Por que? Precisa ser bonita para mim, porque vou viver com ela para o resto da vida (e até depois desta vida). Portanto, deve ser agradável aos meus olhos.
  2. Precisa saber falar e calar na hora certa. Por que? Porque “no muito falar não falta transgressão” (Provérbios 10:19).
  3. Ela precisa estar comprometida (ou ter condições comprovadas de se comprometer) profundamente com o Evangelho restaurado de Jesus Cristo. Por que? Porque se ela não for membro da Igreja ou se for membro “mole” ou inativa, certamente sobrevirão divergências de ideias, opiniões, gostos e atitudes. E sozinho ninguém chega ao Reino Celestial, na exaltação.
  4. Deve ter amor real por mim, tendo disposição de fazer sacrifícios, quando necessários. Porque sem amor verdadeiro ninguém deve casar, senão o lar pode ser um inferno, e não um “pedacinho do céu” (como esperamos que o casamento seja).
  5. Deve gostar de serviços de casa e deve gostar de crianças. Por que? Precisará ter paciência com crianças (de preferência, já deve saber como lidar com elas).
  6. Deve ser compreensiva e inteligente. Ter bom senso e discernimento. Por que? Porque eu quero alguém que seja capaz de se adaptar às circunstâncias, e que me ajude – e não que me atrapalhe. Quero alguém que me eleve, e não alguém que me derrube.
  7. Deve saber que no lar o líder espiritual é o marido (embora deva ter iniciativa). Por que? Porque é muito desagradável de se ver um lar onde a mulher grita com o marido, e é “mandona”.
  8. Deve ter paciência, bondade .
  9. Deve ter tolerância.

Hoje, vendo essa lista, eu acho graça.  Todos que veem esta lista, também riem, porém, ela foi importante para mim, naquela época, em que eu buscava uma moça para constituir um lar.

No final das contas, sou feliz com a esposa com quem estou casado até hoje, embora ela não seja perfeita, assim como eu também estou muito longe de ser perfeito.

O fato de nosso casamento ter perdurado por tantos anos, também tem a ver com a minha preparação por ter aprendido muita coisa na Igreja e na missão, e durante a vida de casado sempre ajudar nas tarefas de casa e com os filhos.

Casamento é isso: dividir todas as responsabilidades, um procurar fazer o seu cônjuge feliz, ajudando e apoiando em tudo.

Conforme um padre sempre falava nos casamentos em que nós, eu e minha esposa e minha filha (como músicos) tocávamos, “Se você quer casar para ser feliz, não case. Agora se você quer casar para fazer seu cônjuge feliz, então case”

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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