A pornografia é um pecado que não pode ser resolvido sem a devida confissão. O envolvimento esporádico está mais no campo do pecado, e tende a ser resolvido de maneira mais fácil através da confissão e mudança de hábitos.

Quando o envolvimento se torna recorrente, até mesmo diário, e é utilizado para preencher vazios, o vício está estabelecido. É comum que a pessoa necessite várias entrevistas de aconselhamento, enfrentando muitas recaídas, o que pode gerar grande frustração. Enfrentar a dependência da pornografia sozinho é uma luta desigual, é preciso envolver mais pessoas.

Sempre encorajo a pessoa dependente de pornografia a compartilhar o problema com os pais ou cônjuge em busca de auxílio adicional. Este passo é bastante difícil, geralmente há uma fase de mal estar, principalmente com o cônjuge, que pode se sentir traído. O apoio do líder eclesiástico, até mesmo se propondo a estar presente nesta confissão aos familiares pode ser muito importante, principalmente na mediação da crise inicial causada pela revelação do problema, e também ao deixar claro para os familiares que sem a ajuda deles a vitória sobre o vício é menos frequente.

Entendo que esta parceria ajuda o indivíduo a assumir uma responsabilidade maior por seus atos, o que amplia a motivação para agir.

Esta luta não é somente contra comportamentos, é uma luta espiritual. Oração, jejum, leitura de escrituras, frequência a igreja, serviço ao próximo são fundamentais, são estes os geradores de energia espiritual para a vitória neste enfrentamento. Ressalto a necessidade de pedir especificamente nas orações e jejuns que o Senhor fortaleça o indivíduo em sua capacidade de resistir, e fugir. Nesta luta o envolvimento da família é fundamental, para tornar o lar um ambiente mais espiritual onde de fato o Espírito do Senhor habite.

Em segundo lugar, a abordagem sobre o comportamento é complementar, e pode incluir:

  • Preencher o tempo com atividades positivas,
  • Reduzir o tempo ocioso na internet,
  • Deixar computadores em locais visíveis,
  • Ir dormir no mesmo horário que os membros da família,
  • Evitar outras atitudes que facilitem o acesso a material pornográfico,
  • Instalar filtros de internet e senhas (pedir para outra pessoa colocar a senha).

Quando todo o suporte espiritual e comportamental não é suficiente, a ajuda profissional, principalmente de um psicólogo é desejável. Precisamos lembrar que o uso recorrente da pornografia está no campo do vício.

Apesar de ser um tabu, é fundamental que os casais sejam incentivados a conversar de forma aberta sobre seus relacionamentos íntimos, devido a queixa de uma desproporção do desejo sexual entre o casal ser comum nos casos de dependência de pornografia. É comum que o envolvido com pornografia se queixe de não ter uma frequência de relacionamentos sexuais satisfatória. É difícil se colocar como juiz em uma questão como esta, por isto o entendimento e um consenso do casal é fundamental. Dentro deste ponto cabe a citação do Elder Richard G. Scott: “Fortes emoções estão muito ligadas às partes íntimas do corpo, destinadas a serem usadas dentro do convênio do casamento entre um homem e uma mulher, de maneiras que sejam adequadas e aceitáveis a ambos.” (Conferência Geral outubro de 1998, negrito adicionado). Ressalto que a existência desta desproporção não transfere ao cônjuge, a responsabilidade do pecado e vício do parceiro.

Mesmo que haja lapsos ou recaídas é fundamental que o dependente de pornografia entenda que o poder capacitador da expiação pode fortalecer as pessoas, que Deus ama seus filhos mesmo em seus pecados. A artimanha mais sórdida de Satanás é incutir a falsa ideia de que se está indigno de orar por conta do pecado e fraquezas. Como ocorreu com Alma e seu povo a libertação pode não vir imediatamente. Acredito que este versículo se aplique perfeitamente àqueles que perseveram vigorosamente na luta contra a pornografia: “E aconteceu que tão grande era a sua fé e paciência, que a voz do Senhor tornou a falar-lhes, dizendo: Tende bom ânimo, porque amanhã vos libertarei do cativeiro.” Alma 24:16

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Luciano Sankari

Serviu na Missão Brasil Recife Sul de 1996 a 1998.Graduado em medicina em 2003 na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com Especialização em Cardiologia HC-UFPR e em Gestão do Trabalho e Educação em Saúde ENSP/FIOCRUZ. Trabalha na área de psiquiatria há 12 anos. É Presidente da Estaca Curitiba Brasil Novo Mundo. Casado, tem 3 filhos.
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