e pegou as criancinhas, uma a uma, e abençoou-as e orou por elas ao Pai.”

3 Néfi 17:21

O que se sabe

Quando Jesus ministrou aos indivíduos entre os Judeus, Suas bênçãos foram sempre acompanhadas de atos ou contatos físicos. Por exemplo, “quando Ele curou a sogra de Pedro de uma febre, Jesus ‘tocou sua mão’… Jesus novamente ‘estendeu sua mão e tocou um homem com lepra para fazê-lo inteiro… Ele tocou os olhos de dois cegos enquanto Ele os curava… Ele curou surdez e impedimento de fala quando Ele pôs Seu dedo ‘dentro’ do ouvido de um homem… Ele pôs suas mãos sobre um homem cego… Ele curou uma criança endemoniada quando Ele ‘a pegou pela mão e a levantou’… [E Ele] curou a filha de Jariu quando Ele ‘a pegou pela mão’ e a levantou do mundo dos mortos”.

Richar Holzapfel explicou

Néfi Terceiro, algumas vezes citado como o quinto Evangelho nos círculos dos Santos dos Últimos Dias descreve o ministério de Cristo aos Nefitas após a ressurreição em termos similares àqueles usados nos quatro Evangelhos do Novo Testamento. Ele enfatiza as experiências individuais do povo Nefita com o Messias ressuscitado, notando seu contato físico direto assim como Sua imposição de mãos como o simbólico ato de transmitir autoridade e poder.

Por exemplo, quando Cristo primeiro apareceu às pessoas no templo na terra de Abundância, Ele as convidou a sentirem o Seu lado, assim como Suas mãos e pés, “e isto fizeram, adiantando-se um por um, até que todos viram com os próprios olhos, apalparam com as mãos e souberam com toda a certeza, testemunhando que ele era aquele sobre quem os profetas escreveram que haveria de vir.” (3 Néfi 11:15, ênfase adicionada). Depois Jesus pediu ao povo para trazer até ele qualquer um que estivesse doente ou aflito, “e ele curou a todos, à medida que foram conduzidos a sua presença” (3 Néfi 17:9, ênfase adicionada). Depois disso, Jesus orou pelas pessoas e então “e pegou as criancinhas, uma a uma, e abençoou-as e orou por elas ao Pai.” (v. 21, ênfase adicionada)

Jesus “tocou com a mão os discípulos que escolhera, um a um” e “lhes deu poder para conferirem o Espírito Santo.” (3 Néfi 18:36-37). E em sua bênção de partida, Jesus “falou a seus discípulos, um a um” perguntando a eles o que desejavam Dele depois que ele tivesse ido de volta ao Pai (3 Néfi 28:1 ênfase adicionada). O toque pessoal do Salvador era uma parte forte e memorável de Sua presença e de seu ministério de amor.

À respeito do padrão de Cristo de ministrar intimamente aos indivíduos, Holzapfel escreveu “De acordo com o modelo do Livro de Mórmon, o ministério sempre ocorreu “um a um” à medida em que os discípulos tiveram contato com o Salvador e uns com os outros. Em muitos casos um ‘toque’ pessoal é um meio simbólico de transmitir o amor de Deus e poder a um indivíduo”.

A transmissão da autoridade do sacerdócio e a prática das ordenanças do sacerdócio são particularmente simbólicas à respeito da preocupação de Cristo pelos indivíduos. Paulo, o Apóstolo, ensinou que todas as pessoas precisam individualmente “operar pela sua salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Elder Russel M. Nelson, de forma semelhante, afirmou “Somente como um indivíduo uma pessoa pode ser batizada e receber o Espírito Santo. Cada um de nós nasce individualmente; da mesma forma, cada um de nós ‘nasce novamente’ individualmente”. Isso é através das ordenanças do sacerdócio, administradas uma a uma a cada filho de Deus que estiver disposto a aceita-las que Jesus Cristo é capaz de “atrair todos os homens a [Ele]” (3 Néfi 27:15)

O Porquê

John W. Welch notou que “sob a antiga lei, a entrada ao Sagrado dos Sagrados e à presença do Senhor era o privilégio único do Alto Sacerdócio”, o que está em grande contraste com a urgência individual do contato do Salvador com o povo em 3 Néfi. A visita de Jesus Cristo ressuscitado a perto de “duas mil e quinhentas almas” no templo de Abundância significou uma dramática expansão da disponibilidade da presença Dele (3 Néfi 17:25)

Welch explicou que o privilégio do Alto Sacerdócio de “entrar na presença de Deus anunciou ou tipificou a mesma honra que vai vir a todos os filhos justos de Deus” e que o Sermão de Cristo no Templo “estendeu a promessa do convênio desse sagrado privilégio a todos os valorosos homens e mulheres, que vão estar algum dia literalmente na presença de Deus”. Holzapfel concluiu algo semelhante: “Como discípulos de Jesus Cristo, nós devemos reconhecer que Jesus varreu as regulações legalistas do código de Moisés e tocou aqueles que eram considerados ‘intocáveis’ sob a lei”.

A visita de Cristo ao povo em Abundância portanto manda uma mensagem muito pessoal a cada leitor do Livro de Mórmon: Jesus Cristo é um vivo, ressuscitado e glorificado ser, e Ele se fez pessoalmente disponível a todos aqueles que estão desejando se aproximar plenamente Dele. Este padrão continua nos Últimos Dias, já que o Senhor convidou “buscai sempre a face do Senhor” (Doutrina e Convênios 101:38) e prometeu que “dias virão em que o vereis, porque ele vos desvendará sua face; e será em seu próprio tempo e a seu próprio modo e de acordo com sua própria vontade.” (Doutrina e Convênios 88:68; também 93:1). Esses convites são testemunhos de que no próprio tempo Dele e à Sua maneira, Cristo vai pessoalmente visitar todos os que vierem até Ele.

Expressivamente, foi no Sagrado dos Sagrados do templo ou tabernáculo que Jeová revelou sua presença ao Alto Sacerdote na antiga Israel, assim como foi no templo que Jesus revelou a Si mesmo ao povo de Abundância. Foi no templo que Ele ensinou a eles e ministrou sobre eles um a um, e foi no templo que Ele administrou as ordenanças sagradas do Sacerdócio.

O padrão de Jesus Cristo de ministrar um a um a todos os filhos de Deus – especialmente nas dependências dos templos sagrados e através das ordenanças do sagrado sacerdócio – finalmente mostram Seu amor ilimitado por cada indivíduo. À respeito da visita de Cristo aos Nefitas, Hugh Nibley observou: “Ele aparece completamente aos indivíduos. Ele sempre aparece aos indivíduos. É isso o que é a expiação. Ele cumprimenta a todos um por um, Ele dá a eles os símbolos e os sinais um a um, ele conversa com eles um a um, Ele abençoa as crianças uma a uma”. Elder Ronald A Rasband concluiu: “Certamente, há uma mensagem muito profunda e doce aqui. Jesus Cristo ministra para, e ama a todos nós, um a um”.

Templos continuam a ser espaços sagrados onde o Senhor ou seus servos autorizados pessoalmente e individualmente ministram aos filhos de Deus. O Presidente Howard W. Huter ensinou: “Templos são sagrados para a mais próxima comunhão entre o Senhor e aqueles que receberem a mais alta e mais sagrada ordenança do sagrado sacerdócio.” À respeito dos Templos Dele nos tempos modernos, o Senhor declarou: “minha presença lá estará, porque entrarei neles; e todos os puros de coração que neles entrarem verão a Deus.” (Doutrina e Convênios 97:16)

Por Scot Proctor, tradução de Eduardo Marcondes · 13 de outubro de 2016

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Eduardo Marcondes

É jornalista há 20 anos, com ênfase na atuação em Rádio e Televisão. Foi repórter, editor e apresentador, com passagens por praticamente todas as emissoras com sede na capital paulista, entre elas o Grupo Bandeirantes e o SBT. Atualmente faz trabalhos de textos em parceria com alguns empresários e escreve regularmente na internet há pouco mais de ano.
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