Durante minhas pesquisas para um discurso sobre “O Propósito do Sacramento”, o Ygor e o Diego Oliveira, dois rapazes da ala Castelo em Campinas, me explicaram que o sacramento que oferecemos todos os domingos nas capelas não precisa necessariamente ser feito com pão e água. E é verdade! Está lá em (D&C 27:2) que não importa muito o que se come ou o que se bebe, desde que naquele momento nós possamos nos lembrar diante de Deus que Jesus deu seu corpo e derramou seu sangue para a remissão dos nossos pecados. Já houve casos de irmãos da igreja que, em tempos de guerra, fizeram o sacramento usando cascas de batata. Faz sentido. Mas eu fiquei imaginando se as reuniões sacramentais não seriam mais movimentadas se servíssemos biscoitos ou até pão de mel como sacramento? Os missionários certamente teriam menos trabalho para trazer os pesquisadores para as nossas reuniões… Mas não é por aí… Importante mesmo não é o sabor que vamos sentir ao receber o sacramento. Afinal, não é um alimento para o corpo. É mais que isso. O sacramento é um alimento para a alma.

Minha primeira missão assim que recebi o Sacerdócio Aarônico foi ajudar a distribuir o sacramento. Eu percebi que o fato de ser uma tarefa executada por portadores do sacerdócio MENOR não significa que ela seja menos importante, muito pelo contrário. Significa que todos os rapazes, desde os primeiros passos dentro da Igreja SUD, devem estar prontos para ela.

O Elder Dellin Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, diz que a ordenança do Sacramento torna a reunião sacramental a mais importante da Igreja. No meu entender, se um dia passar um furacão ou vier um terremoto e não sobrar mais pedra sobre pedra em uma capela, o emblema mais importante de nossa religião, ensinado diretamente pelo próprio Salvador Jesus Cristo vai continuar existindo se restar entre nós ao menos um portador do sacerdócio menor que tenha autoridade para sacramentar a o pão e a água. E nós vamos fazer de tudo para nos reunirmos novamente e poder partilhar do sacramento.

A irmã Cheryl A. Esplin, Segunda Conselheira na Presidência Geral da Primária explica que os portadores do Sacerdócio Aarônico representam o Salvador ao preparar, abençoar e distribuir o sacramento. Quando um portador do sacerdócio nos estende a bandeja com os emblemas sagrados, é como se o Próprio Salvador estendesse Seu braço de misericórdia e convidasse cada um a partilhar dos dons preciosos de amor liberados por Seu Sacrifício Expiatório — “dons de arrependimento, perdão, consolo e esperança.”

Mas não podemos nos esquecer que é preciso estar digno para receber o sacramento, mas cabe a cada um manter o coração quebrantado e o espírito contrito para receber o sacramento. O Élder Melvin J. Ballard, que foi um apóstolo, um dos 12, disse: “Quem entre nós não fere seu espírito por palavra, pensamento ou ação de um domingo para o outro? Muitas vezes fazemos coisas das quais nos arrependemos e desejamos ser perdoados. (…) O método de obter perdão (…) [é] arrepender-nos dos pecados, procurando aqueles a quem ofendemos ou contra quem transgredimos a fim de obter perdão, aproximando-nos depois da mesa sacramental, onde, se estivermos sinceramente arrependidos e nos encontrarmos na devida condição, seremos perdoados e nossa alma espiritualmente curada”

Por último, em nossa Igreja nós somos conhecidos como “o povo do convênio”. Eu aprendi que ao guardar os mandamentos de Deus, estaremos aptos a sermos banhados pelas bênçãos do senhor, e poderemos voltar à presença dele. Eu aprendi que quando respeitamos a reunião sacramental, quando ouvimos os hinos, deixando inclusive o celular de lado, quando ouvimos a oração do sacramento atentos a cada palavra, mesmo que já as conheça, quando nos preparamos para receber o sacramento fechando os olhos e lembrando dos erros cometidos naquela semana e o quanto desejamos o amor de Deus, quando lembramos da importância de Jesus Cristo que sofreu por nós, nas lições que ele deixou e no quanto queremos a presença do Espírito Santo em nossa vida… daí estamos renovando o nosso convênio. A importância desse convênio pode ser definida na frase do Elder Henry B Eyring, primeiro conselheiro da primeira presidência:

“O dom da união virá por meio da obediência às leis e ordenanças do evangelho de Jesus Cristo. Se guardarmos os convênios que fizemos de tomar Seu nome sobre nós, recordá-lo sempre e cumprir todos os Seus mandamentos, receberemos a companhia de Seu Espírito. Isso enternecerá nosso coração e nos unirá.”

Eis o significado do sacramento que recebemos todos os domingos, que renova nossos compromissos e fortalece nosso convênio no Dia do Senhor.

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Eduardo Marcondes

É jornalista há 20 anos, com ênfase na atuação em Rádio e Televisão. Foi repórter, editor e apresentador, com passagens por praticamente todas as emissoras com sede na capital paulista, entre elas o Grupo Bandeirantes e o SBT. Atualmente faz trabalhos de textos em parceria com alguns empresários e escreve regularmente na internet há pouco mais de ano.
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