Robert Fridrich Heinrich Lippelt nasceu no dia 13 de julho de 1879, na cidade de Hannover Prüssen, cassou-se com Auguste Kuhlmann, que nasceu no dia 05 de março de 1880, na cidade de Walle, Bremen, na Alemanha1.

O clima pós I Guerra Mundial, fez a vida na década de 20 ficar muito difícil. A família Lippelt estava vivendo no meio deste clima e esta dificuldade ocorreu devido ao que podemos ver na citação:

“A Alemanha depois da I Guerra Mundial assinou o Tratado de Versalhes, aonde então, renunciou a todos os territórios que conquistara desde 1914, bem como à Alsácia-Lorena como punição. O pagamento das indenizações para as viúvas também estavam interligados, assim como a Alemanha seria responsável pela reconstrução das cidades, pelas perdas agrícolas, e o seu pagamento deveria ser em dinheiro. (Macmilian, 2004. p. 178)”

Robert e Auguste tiveram sete filhos e os nomes deles são, começando pelo mais velho, Eduard R. H. Lippelt, Heinrich E. R. Lippelt, Auguste M. L. Lippelt, Robert E. H. Lippelt, Antonie E. Lippelt, Georg F. Lippelt e Georgine L. Lippelt.

A família Lippelt era bem estruturada. A mãe Auguste exercia atividades no lar e expressava profunda religiosidade que passava para seus filhos. Auguste e seus filhos eram membros da igreja protestante na Alemanha, já Robert Lippelt era homem trabalhador, pintor profissional desde fabricação de tinta até pintar gravuras na parede em geral, professor de dança e de música, dava aulas em clubes, sendo respeitado no convívio social, mas porém era ateu.

Ainda na Alemanha, um membro da família Lippelt fica doente do coração, o pequeno Robert de dez anos que veio a falecer no mês de setembro de 1918 e por isto eles conheceram a Igreja. O relato se encontra no diário de Georgine Lippelt:

“Vivia-se na Alemanha um quadro de reconstrução e pós-guerra (Primeira Guerra Mundial)…. Nosso irmão Robert então com 10 anos, encontrava-se gravemente enfermo….desenganado pelos médicos….nossa irmã, Auguste ….estava limpado o quarto e ele falou a ela “ Aqui neste quarto aonde você está varrendo agora, estavam a pouco nossos avós (já falecidos), que falaram para mim: “… na próxima quinta-feira ….estou morrendo… E no domingo após minha morte, quando vocês estiverem indo à igreja (nós pertencíamos a igreja protestante), uma senhora vai convidar vocês a irem numa outra igreja. E esta outra, é a igreja que nossos avós querem que vocês pertençam.”… E assim exatamente como ele havia falado,…ele adormeceu e deixou esta vida. E no domingo seguinte a sua morte, nós estávamos indo a igreja… no caminho encontramos uma senhora que nos convidou para acompanhá-la na igreja que ela pertencia, a assistir a uma “ escola dominical”….Nossa mãe lembrou das palavras de nosso irmão falecido, E assim, com excessão do pai, todos nós fomos batizados n “ A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias….” 2.

Existe outro relato feito em São Paulo por Georg Franz Lippelt, o sexto filho do casal, com respeito a conversão da família Lippelt:

“ Numa triste tarde de setembro de 1918, o pequeno coração de Robert Lippelt deixou de bater encerrando a sua curta vida, de dez anos, vitima de uma mal cardíaco. Antes de cerrar os olhos para o mundo, o pequeno Robert deixara um estranho legado a sua família:que na semana após sua morte vocês encontrarão a Igreja verdadeira. Poucos dias após o passamento, a caminho da igreja protestante que frequentavam, a filha Antonie Lippelt, encontrou uma certa senhora Demmel que a convidou para irem a uma outra Igreja e ela aceitou. Lá na nova Igreja quando Antonie abriu a bolsa e tirou “pffrning” ou seja dinheiro para ofertar, seu gesto foi amavelmente recusado. Voltando para casa referiu-se ao evento dizendo : Mamãe, foi à Igreja, mas uma Igreja diferente.”

No domingo seguinte, aumentou para três pessoas o grupo que compareceu à reunião da Igreja. Com exceção dos pais, em breve toda a família Lippelt frequentava a nova Igreja. Naquele tempo, após a guerra , tudo era mais difícil e o pequeno ramo de Bremen contava com 25 membros, sendo muito poucos os portadores do sacerdócio.

Uma feliz intervenção do supervisor do ramo, o irmão Heinrich Bach, veio presenciar os acontecimentos. Maquinista daestrada de ferro na linha Hannover- Bremen, ele vinha à cidade uma vez por mês. Numa destas visitas enquanto presidia a Escola Dominical, pediu às crianças do ramo que trouxessem seus pais para a reunião que seria realizada às três horas da tarde.

Os pequenos Lippelts ficaram imaginando como fariam para trazer os pais à Igreja. Herr Robert Lippelt, o pai, não queria sequer que lhe falassem da Igreja. Afinal, como o irmão Bach hospedava-se na mesma rua em que viviam os Lippelts, as crianças lhe solicitaram que fosse pessoalmente convidar os pais para a reunião.

Com Herr(senhor) Lippelt não houve jeito, mas Frau (esposa)Lippelt, após uns momentos de resistência e hesitação, cedeu ao convite e resolveu acompanhar os filhos na reunião.3

Para membros da família Lippelt se batizar na Igreja era muito importante. Então a irmã Bensoll, que era professora da escola dominical do Georg, falou com o presidente do ramo, o irmão Franz Korosky, para ir ate a casa da família Lippelt para falar com o patriarca da família com respeito a ele dar autorização para sua esposa e filhos se batizarem na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Foi muito difícil e longa a conversa do presidente do ramo, mas o irmão Korosky explicou que era necessário o batismo para seus filhos e depois de muito tempo o senhor Lippelt consentiu que sua esposa e filhos se batizassem. No dia 20 de julho de 1920 no rio Wese Auguste Lippelt (mãe) e filhas entraram nas águas do batismo assim com o amigo de Georg o Hans e mais vinte cinco pessoas. Os membros batizados da família Lippelt cresciam no evangelho e no testemunho, mas muitos amigos do patriarca da família falaram muitas coisas ruins a respeito da Igreja, com respeito a poligamia. Sabendo disto Robert ficou furioso e ficou contra a Igreja. Era quarta feira e as crianças se encontravam reunidas na Igreja, com uma vara na mão, assim ele retirou todos os seus filhos a força e depois deste incidente os membros da família Lippelt ficaram proibidos de frequentar a Igreja.4

Como ano de 1923 a Alemanha tinha muitas pessoas sem emprego e a crise deu motivo para muitos alemães deixarem a sua terra natal para começar uma nova vida em algum outro país, e Robert estava decidido a evitar qualquer contato com os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele resolveu sair da Alemanha e ir para a America do Norte, para o estado do Texas, mas logo ele obteve informações que no Texas tinha muitos membros da Igreja, então mudou de ideia.

Estes mesmos amigos falaram para ele vir para o Brasil, pois a vida no Sul do Brasil era barata, e tinha uma colônia alemã estabelecida aqui em solo brasileiro, e também aqui não tinha sede da Igreja. Para os planos de Robert, este era o lugar perfeito para se morar. Assim a família Lippelt, saiu de sua terra com poucas coisas na bagagem, em busca de uma vida nova e novas terras. Eles partiram da Alemanha no dia 21 de setembro de 1923, esta viagem levou mais de 30 dias, pois foram muitas dificuldades enfrentadas, como quando o navio “Madeira” encalhou e teve de ser rebocado para ser consertado em Portugal. Depois disto chegaram primeiramente ao Rio de Janeiro, e logo prosseguiram para sua segunda parada no estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre.5

No Rio Grande do Sul, os Lippelt passaram por várias dificuldades, com respeito à língua portuguesa e também dificuldades financeiras, pois ao sair da Alemanha eles não puderam trazer muitas coisas. Com estas dificuldades fizeram com que quase todos os membros tiveram que trabalhar. Permanecia em casa somente Auguste e a filha menor. Já em Porto Alegre, Auguste proclamava a mensagem da A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ela falava para as pessoas sobre o evangelho, esta atitude desagradava grandemente ao seu esposo Robert.

Por esta razão, Robert resolveu colocar sua família para bem longe das pessoas, pois não queria que sua família tivesse algum contato com a Igreja. Então Robert ficou sabendo que em Cruz Machado- SC, as margens da estrada de ferro São Paulo- Rio Grande- EFSPRG, estavam promovendo um lugar ainda inexplorado. Era o lugar perfeito, então partiram para esta região ainda desabitada.

Durante a viagem de trem conheceram Christiano Blind, que também havia chegado da Alemanha, mas informou para Robert que as terras em Cruz Machado-SC não eram boas para plantar. Christiano informou para Robert que estava indo para uma localidade que as terras eram férteis, e de vegetação vasta e de mata nativas. Na terra tinha muitos pinheiros, araucárias, assim desembarcaram no Rio das Antas, no inverno de 1924, sendo guiados por Christiano a entrar na mata de uma distancia de uns cinco quilômetros de Rio das Antas, surgindo o distrito de Rio Preto, na linha férrea às margens do Rio dos Peixes. Foi por onde os Lippelt foram conduzidos com suas bagagens. As demais coisas foram conduzidas pelo Rio do Peixe, com as corredeiras e as cachoeiras foram uma grande dificuldade para serem vencidas. Eles venceram uma jornada de aproximadamente doze quilômetros até sua nova morada. A primeira morada da família Lippelt foi construída de arvores roliças e brutas (pinheiro), o assoalho foi de terra batida, o fogão era erguido com pedras naturais (abundante na região) com fogo de chão aberto.

A solidão foi por pouco tempo, pois as terras eram de boa qualidade, e logo começaram a chegar muitos outros imigrantes, pois aquela era uma região de colonização. Como em Porto Alegre, Auguste aproveitava a ausência do marido, para falar do evangelho. Lá também ela falou para muito moradores sobre a Igreja, o que levou posteriormente a iniciar reuniões de estudo em sua casa.6

A família Lippelt enfrentou muitos perigos, além da ausência de Robert, por causa de sua profissão de pintor, mas havia ainda as dificuldades naturais da floresta para ser desbravada, com seus primeiros habitantes com os índios da tribo dos Guaranis, denominados Kaigang, e os específicos da região, os Xokleng do grupo linguístico Gê, também conhecidos por pejorativamente Bugres e botocudos. Os índios eram arredios e temidos por sua ferocidade. A presença do Jagunço, remanescentes da Guerra do Contestado, que teve o seu fim em 1916, com a morte de seus lideres, porem muitos de seus seguidores ficaram naquela região, e levaram muito perigo aos seus moradores.7

Auguste mantinha contato com irmã Demmel, na Alemanha, pois as respostas sempre eram negativas. Ainda não tinham missionários no Brasil. Através da irmã Demmel chegou as mãos do presidente Stöof o endereço da família Lippelt que estava no Brasil. O presidente Stöof já conhecia os Lippelt da Alemanha e assim partiu para o Rio da Preto com a intenção de visitar a família e deste modo se tornaram os pioneiros de testemunho e do desenvolvimento da Igreja no Brasil 8.

1 Silva, Rubens Lima Da. Os Mórmons em Santa Catarina: Origens, conflitos e desenvolvimento. 2008.119 folhas. Trabalho do programa de pós-graduação em ciências da Religião. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo,2008.pg;68

2Está citação se encontra KLEIN, Herberto Moroni. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: Do norte para o sul do continente escolhido. 1997.143 folhas. TCC curso de Bacharelado de História. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1997.pg. 29

3 Blind, Henrique João. IPOMÉIA: Parte da historiada igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no Brasil. 2012.114 folhas. 1ºedição, Êxito Editora Videira, SC.,pg;67-68

4 Idem. Blind, Henrique João. g 68

5 Silva, Rubens Lima Da. Os Mórmons em Santa Catarina: Origens, conflitos e desenvolvimento. 2008.119 folhas. Trabalho do programa de pós-graduação em ciências da Religião. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo,2008.pg;69

6 Silva, Rubens Lima Da.pg;70

7 Silva, Rubens Lima Da. Os Mórmons em Santa Catarina: Origens, conflitos e desenvolvimento. 2008.119 folhas. Trabalho do programa de pós-graduação em ciências da Religião. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo,2008.pg;71

8 Blind, Henrique João. IPOMÉIA: Parte da historiada igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no Brasil. 2012.114 folhas. 1ºedição, Êxito Editora Videira, SC.,pg;69

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Valeria da Silva

Valéria Corrêa da Silva possui Licenciatura Plena e é Bacharel em História na PUCRS.
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