Já mencionei em outras ocasiões que a pesquisa genealógica e de história da família é fascinante e envolvente. O pesquisador, seja ele iniciante ou muito experiente, pode se deparar com fatos que nunca havia imaginado. Porém é comum ouvirmos comentários ou mesmo queixas de pessoas que não conseguiram alcançar seus objetivos de pesquisa, ficando por muitas vezes desmotivados. Embora possa haver mais itens na lista abaixo resolvi indicar o que entendo ser os principais erros
cometidos pelos interessados em pesquisa genealógica.

Não preencher registros de grupo familiar e árvores de costados(1).

Mesmo que seus dados genealógicos e de história da família acumulados não passem de duas gerações é muito importante saber que utilizar formulários, sejam eles físicos ou online, ou usar uma ferramenta para organizar a sua genealogia é fundamental. Acostume-se a retornar de suas pesquisas em campo e organizar as informações. Se estiver utilizando formulários físicos, como um Registro de Grupo Familiar(1) utilize lápis para poder corrigir informações, se necessário.

Não procurar ajuda e informações com parentes.

Essa é a prática que deve estar no topo de sua lista de tarefas logo após organizar as informações que você mesmo possui. Não falar com seus parentes, sejam eles seus pais, tios, primos, avós ou outros é um erro grave e pode adicionar horas de pesquisa adicional. Fale com todos em diversas ocasiões e sempre que for necessário, pois é comum não se lembrarem de tudo em apenas uma conversa.

Supor que ninguém mais está pesquisando suas linhagens.

Eu mesmo já caí no erro de achar que ninguém estava pesquisando os mesmos dados ou linhagem familiar que eu. Esse é um erro comum. Enquanto eu servia como voluntário no CHF(2) do Templo de Campinas vários pesquisadores não-membros usavam os recursos lá disponíveis e, um deles acabou descobrindo que sua linhagem familiar se encontrava com a linhagem de um membro da igreja. Com a popularização da internet e redes sociais fica mais fácil encontrar outras pessoas que pesquisam sobrenomes e grupos familiares iguais aos nossos. Atualmente eu conto com a colaboração de três pessoas em minhas pesquisas, uma delas não é membro da igreja.

Não consultar mapa ou não levar em consideração fatos históricos da época.

A geografia do mundo mudou ao longo dos anos, as fronteiras se alargaram ou simplesmente mudaram por conta de conflitos, guerras e reorganizações territoriais. Registros civis de uma determinada região que já esteve em conflito podem ter sido transportados para outra região. Você pode ser descendente de italianos, por exemplo, mas a origem de sua família pode ser alemã ou austríaca. Já pensou nisso?

Não distinguir fatos de boatos.

Essa dica vale para tudo. Busque sempre uma fonte confiável e verifique tudo o que lhe passarem verbalmente. Busque sempre documentar sua pesquisa e para isso nem sempre é necessário usar recursos financeiros. O FamilySearch(4) e seus parceiros são fontes confiáveis, pois contém cópias digitais de documentos que podem ser baixados em seu computador. Juntar informações de todo mundo com o mesmo sobrenome. Se o seu sobrenome é comum cuidado para não acabar pesquisando uma linhagem que na realidade não é a sua. Embora não seja errado pesquisar sua genealogia colateral o melhor é começar com
sua linhagem direta.

Não usar fontes primárias.

Não perca a oportunidade de pesquisar registros de escrituras, testamentos, registros das igrejas, cartórios e censos.

Supor que seu sobrenome nunca é soletrado ou escrito de maneira diferente.

Isso é muito comum em vários casos, mas especialmente se você tem antepassados imigrantes e/ou que residiram em países/regiões envolvidas em guerras ou onde houve unificação de territórios. Tanto na linhagem de meu pai quando na de minha mãe encontrei essa situação.

Não fazer cópias.

Quando eu visito meus parentes vivos mais velhos sempre tenho em mãos um dispositivo que me permitirá levar uma cópia digital de documentos, fotos e outros registros. Já levei até um notebook com scanner portátil. Hoje com os smartphones e seus aplicativos é fácil fazer o upload das cópias de documentos ou o áudio de relatos históricos de seus antepassados. Procure na PlayStore ou AppleStore os aplicativos do FamilySearch ou MyHeritage, por exemplo.

Não manter um arquivo mestre.

Nunca tenha apenas uma cópia de seus registros, mesmo que for online. Evite a qualquer custo cópias únicas em um HD externo e principalmente em mídias como CD, DVD ou pendrives. Na web existem serviços confiáveis de disco virtual, como é o caso do Google Drive, DropBox e One Drive. Eu escolhi organizar a minha genealogia como descrevi abaixo, mas você pode optar por outros métodos igualmente viáveis e confiáveis.

Disco Virtual 1 – Cópias de documentos, fotos e todos o material de pesquisa, inclusive planos e resultado de pesquisa de campo. Tudo o que eu tenho fisicamente tenho uma cópia digital. No decorrer de minhas pesquisas algumas coisas são excluídas.

Disco Virtual 2 – Mantenho cópia exata do que tenho no disco virtual 1. Este é a cópia de segurança das minhas cópias. Aqui mantenho o backup do programa instalado em meu computador, que é a porta de entrada para os registros na Árvore Familiar.

Sistema online/ Árvore Familiar do FamilySearch – Tudo o que vai para a Árvore Familiar já está comprovado e documentado. Lá também tenho as fotos, fontes, histórias e áudios organizados com os registros de meus antepassados.

Sistema instalado no computador/ RootsMagic – Gosto deste sistema porque é homologado pelo FamilySearch, possui recursos atualizados e sincroniza com a Árvore Familiar. No RootsMagic mantenho todas as informações que constam na Árvore Familiar e outras que ainda não foram confirmadas ou documentadas. Através dele também gero backups que eu guardo no disco virtual 2.

Desistir!!

Usaria páginas e mais páginas para relatar histórias que já me foram contatas de pesquisas que ficaram paradas por anos, mas que nunca foram abandonadas. No final e depois de algum esforço o pesquisador encontrou novamente o fio da meada e alavancou sua pesquisa. O mais importante é entender que a palavra “pesquisa” é muito bem aplicada. Então nunca desista de suas pesquisas, se for o caso recue e verifique as informações anteriores, faça novas consultas e pesquise novos documentos, pois podem conter novas informações ou até mesmo informações diferentes que mostrarão um novo caminho.


Referências

(1) Árvore de Costados é a árvore genealógica de uma pessoa que mostra a sua ascendência, tanto por parte de mãe quanto por parte de pai. Para mais informações e imagens sobre árvore de costados visite https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rvore_de_costados

(2) Registro de Grupo Familiar é um formulário que é utilizado para você agrupar informações de uma determinada família. Neste formulário você encontra campos para adicionar dados vitais dos pais, filhos e cônjuges dos filhos. Para baixar uma cópia frente e verso deste formulário visite https://www.lds.org/bc/content/shared/content/images/gospellibrary/manual/34824/31827_059_000.pdf

(3) CHF – Centro de História da Família é um local onde pessoas encontram estrutura e recursos para iniciar ou ampliar suas pesquisas genealógicas e de história da família. Conheça mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_história_da_família

(4) O FamilySearch é uma organização sem fins lucrativos mantido por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Para saber mais sobre o FamilySearch e seus parceiros visite http://www.familysearch.org

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Rodrigo Rizzutti Sette

Rodrigo Rizzutti Sette é membro da igreja desde 1991, é casado e pai de duas filhas. Serviu como missionário de tempo integral na Missão Brasil Curitiba e em duas ocasiões como missionário do FamilySearch. É empresário e fundador do Genealogia na Prática que mantém projetos que tratam de assuntos relacionados com genealogia, suas técnicas e ferramentas.
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