Já comentamos a respeito da Bancada Evangélica e hoje trataremos da Frente Parlamentar de Liberdade Religiosa.

Cresceu o interesse dos partidos por candidatos membros e líderes de todas as Igrejas – cristãs ou não. Esse interesse não nasceu por acaso. O crescimento da Bancada Evangélica como força de decisão no Congresso Nacional é a razão para esse assédio dos partidos. A Frente Parlamentar de Liberdade Religiosa nasceu da união de senadores e deputados evangélicos formando uma bancada de interesse de todos.

São 203 deputados e doze senadores associados às Igrejas: evangélicas, católica, de matrizes africanas e de entidades comprometidas com os valores éticos – como maçonaria, federações e associações que defendem a prática da liberdade religiosa.

Cada partido tem seu programa e sua doutrina de ação. Nos assuntos de interesse geral como o aborto, a homofobia, a discriminação de cultos, proibição de símbolos e imagens religiosas – deputados e senadores da Frente Parlamentar de Liberdade Religiosa, coordenada pelo o deputado mórmon Moroni Torgan DEM-CE –se articulam e trabalham como membros da Bancada Evangélica.

Na verdade a bancada não é formada só por evangélicos. Lá estão parlamentares evangélicos, católicos, espíritas, maçons, das religiões de matrizes africanas e parlamentares que defendem a liberdade religiosa. O crescimento desse conjunto tem atraído além dos partidos, também membros e líderes de Igrejas.

Uma tendência positiva. Torna-se nociva quando movida só pelo o orgulho e a vaidade de ser politico. Alguém popular em sua Igreja, associação de bairro, maçonaria, centro espírita – com a pretensão de disputar um cargo politico e ganhar. Puro engano. Além do conhecimento e vocação, precisará de muito dinheiro para bancar uma campanha política.

Os elementos que compõem a mídia politica são caros. Gráficas, sites, blogs, alimentação, transporte,combustível,montagem de escritório politico, equipe de assessores, redatores, profissionais de marketing e logísticas. Dinheiro. Muito dinheiro. Quem pensa que ganha politica postando fotos de reuniões de apoio nas redes sociais perde tempo e alguns trocados. Os poios políticos só funcionam com muito dinheiro.

Em política quase não existe amizade, fidelidade e lealdade. Há interesses vendidos a peso de ouro. Quem desejar receber apoio de Federações, associações, sindicatos, Igrejas, entidades públicas e privadas terá que investir muito dinheiro. Há guetos, comunidades,currais eleitorais e associações que se nutrem do dinheiro das campanhas. Seus moradores são manipulados por interesses políticos. Os partidos plantam cabos eleitorais, fornece ambulância, cesta básica, remédios, e pagam médicos e dentistas para manter o povo no cabresto, escravos deles. Quem não tem dinheiro para manter essa esbórnia, perde a eleição, não cumpre o que prometeu e cai na desgraça da derrota. Para quem ganha abrem-se as portas da corrupção. Os derrotados perdem tudo. Perde a vergonha, fica devendo a Deus e ao diabo. Torna-se, como Caim, um forasteiro fugitivo dos credores.

Nas Igrejas cristãs, que estão envolvidas com política, não é diferente. Os líderes usam o púlpito para fazer politica. Os acordos com partidos e candidatos são feitos por seus líderes. Os membros ou votam nos candidatos indicados por eles ou são ameaçados com o fogo do inferno.

Nos acordos celebrados entre os partidos e os pastores entram carros, cargos, bolsas de estudo,construção de auditórios, escolas e prédios. Os encontros políticos, churrascos de apresentação de candidatos aos membros, panfletagem em cultos, reuniões públicas e discursos políticos fazem parte do processo interno das Igrejas cristãs. Nas relações entre partidos, candidatos e Igrejas, são feitos acordos que envolvem milhões. Quem oferecer mais leva. É negócio no atacado. Quem se aventurar a fazer varejo é massacrado pelo o sistema.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos – cujos membros são conhecidos por mórmons – não apoia oficialmente partidos e candidatos, garantindo total liberdade de escolha a seus membros sem a imposição dos seus líderes. Capelas, prédios, bases e de dados da Igreja são proibidos para uso político.

É uma posição única. Permite ao membro votar e ser votado sem o apoio oficial da Igreja. Mesmo assim, tem sido comum entre membros da Igreja o lançamento de candidatos aventureiros, claro que em o apoio da Igreja. Sem estrutura financeira e sem a preparação desejada. Ora pagos por partidos e políticos de fora ou como candidatos. Vários de uma mesma estaca ou ala – em disputas isoladas sem capacidade de se unirem em torno de um projeto politico sustentável. Ninguém se elege. Não seria melhor a união em torno do candidato com mais chance de vitória com apoio de todos? Fora da união e do planejamento todos serão derrotados. Perde-se tempo e dinheiro e nenhum candidato membro da Igreja se elegerá.

Antônio Macedo

Nascido em Pernambuco, Antônio Fernandes Macedo é jornalista e radialista. Casado, é pai de seis filhos. Serviu como Diretor de Assuntos Públicos da Área Brasileira e Missionário de Tempo Integral no Departamento de Assuntos Públicos da Área Brasil.

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