A vida é uma Roda Gigante

Por que será que têm dias que a gente se sente como um super-homem, capaz de vencer qualquer obstáculo que surgir em nosso caminho, e no dia seguinte, ao contrário, se sente uma ameba, incapaz de fazer qualquer coisa, por mais simples que seja?

Por que essa inconstância? Por que tantos altos e baixos em nosso humor e disposição?

Constante!

Que palavra bonita! Ser o mesmo hoje, amanhã e depois de amanhã. Ser o mesmo não no sentido de não se mudar de idéia, ou aprender coisas novas, ou se arrepender de coisas erradas e mudar de caminho.

Eu me refiro em se ser o mesmo no sentido de não se ser tão inconstante na fé na vida, nas pessoas, nas coisas do dia a dia. Ter coragem de enfrentar o dia com otimismo. Enfrentar a realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse. Não nos chatearmos com ninharias, não nos ofendermos com qualquer comentário a  nosso respeito.

Alguns conseguem ser constantes, apesar de vivermos num mundo mutante, num mundo saturado de notícias ruins, num mundo que parece caminhar para o desastre climático, ou para um apocalipse astronômico inevitável para os débeis esforços humanos.

De onde vem essa inconstância de uns, e constância de outros? Será que existem pessoas que são SEMPRE constantes? Ou será que todos nós, em algum grau, somos todos como uma Roda Gigante de um parque de diversões, de onde de pode avistar lindos horizontes – quando nosso assento está lá no alto, e, logo depois,  vermos  o chão e perdermos o horizonte, quando nosso banquinho está na parte mais baixa da volta da roda gigante?

Se eu acreditasse em horóscopo, poderia dizer que é influência dos astros. Mas o horóscopo não faz sentido, porque as estrelas que formam o horóscopo estão em diferentes distâncias de nós, isto é, as constelações do zodíaco não são constituídas de estrelas que estejam na mesma distância de nós, como pensavam os antigos, mas cada estrela das constelações estão a uma distância diferente da Terra, e exerceriam uma influência diferente (se é que exercem mesmo) sobre nós.

Aliás, foi essa descoberta dos astrônomos que fez com que a astrologia deixasse de ser uma ciência respeitada, como antigamente, e passasse a ser uma duvidosa fonte de previsões, como é hoje. Muitos leem seus horóscopos nos jornais e revistas, mas poucos são ou que levam aquilo que leem realmente a sério. Mesmo porque hoje em dia as “previsões” são tão genéricas que dificilmente não se ajustariam a qualquer dia normal, com suas mudanças e acontecimentos tão variados de relacionamento humano.

Talvez devêssemos procurar a causa de nossa (in)constância no mais profundo de nosso ser. Talvez a resposta não esteja nos longínquos astros, mas bem dentro de nosso íntimo.

Os antigos achavam que pensávamos com o coração. Hoje sabemos que pensamos com o cérebro. Seja no cérebro ou no coração, é em algum lugar dentro de nós que se esconde a fonte de todos os nossos sentimentos.

Tantos ramos de estudo tentam decifrar os mistérios da psiquê humana, tais como a psicologia, a religião, a psiquiatria, o estudo do cérebro através de eletro-encefalogramas e tomografias computadorizadas, e outros métodos tão variados como o citado estudo do horóscopo de cada um.

A verdade é que o ser humano é muito complicado. A vida é uma coisa rara e valiosa, e tão maravilhosamente complexa que os cientistas somente arranharam a superfície, ao tentarem entendê-la.

Fabricar vida ainda é uma prerrogativa divina. Ou, segundo os cientistas, fruto de milhões de anos de evolução. Não poderia ser as duas coisas?

Cada cultura, seja ela ocidental ou oriental, antiga ou moderna, tem seus próprios Deuses ou mitos. Mesmo a ciência moderna não tem certeza da origem da vida. Tem “teorias”- e teorias podem (e são) mudadas de uma hora para outra, como já aconteceu tantas vezes.

Mas voltando ao íntimo humano, ou ao subconsciente, parece existir nesse lugar a “casa das máquinas” de cada um de nós. Parece ser ali que estão os “mapas de conduta”, as motivações, os medos, nossos pontos fortes e nossos pontos fracos.

É no mais íntimo de cada um de nós que está a fonte de toda nossa alegria e de toda a nossa tristeza. É ali que devemos procurar o porquê de nossos hábitos – bons ou ruins. É ali que está armazenada a capacidade de sermos fortes ou fracos frente à realidade e crueza dos fatos da vida. Pode ser ali que está, também, armazenado o segredo da vida. Talvez a maior descoberta do ser humano seja a descoberta de si mesmo.

(continua)

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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