Quando eu entrei na adolescência eu só tinha um par de tênis tipo conga ou kichute. Não tinha um sapato.
Um pouco mais tarte, quando comecei a trabalhar, eu só tinha um par de sapatos e um tênis bem barato.

Usá-los em tempos de chuva era um fardo. Tinha que dar um jeito de secá-los para ficar pronto para uso, no dia seguinte, que invariavelmente chovia.

Então, meu sonho de consumo era ter pelo menos dois pares de sapatos sociais e pelo menos dois tênis: um para passeio e outro para jogos e aventuras por aí, tipo acampar e subir montanhas, ou seja, para ralar mesmo.

Naquela época eu tinha apenas uma calça jeans e duas calças passeio e apenas uma social. Também em dia de chuva era um estrago.

Dá para perceber o quanto eu detestava dias chuvosos para ir ao trabalho e em seguida para a escola. E esses dias chuvosos invariavelmente era dias com chuva e muito vento, ou seja, o guarda-chuva só protegia mesmo era o peito e a cabeça.

Enfim, o tempo passou e hoje, eu continuo com apenas dois pares de sapatos sociais, dois pares de sapatos tipo mocassim, uma sandália, alguns pares de chinelos tipo havaianas e apenas um tênis. O guarda roupa aumentou um pouco mais. E os dias chuvosos?

As chuvas que enfrento agora não me aborrecem! Não por que a chuva molhe menos!(rsrsrs). Mas porque minha rotina mudou e não preciso mais necessariamente sair quando está chovendo a cântaros. E, dependendo da situação, nem preciso sair de casa. Rotina diferente apenas.

Recentemente li uma matéria sobre Marie Kondo.Ela é considerada a guru mundial da organização doméstica e seu nome tornou-se sinônimo de arrumação, além de ter criado o verbo “Kondar”.

Uma detalhe que me chama a atenção é ela ensinar o desapego das coisas que não se usa mais ou, nas palavras dela, “nós devemos manter ao nosso lado apenas os objetos que nos dão alegria”.

[Ponderando sobre estas coisas, me veio à mente a escritura, Moisés 1:35, da qual enfatizo “…mas todas as coisas são enumeráveis para mim, pois são minhas e eu conheço-as.”]

Em minhas visitas como consultor, percebo que, quase todas as pessoas endividadas, tem suas coisas pessoais e suas casas em “perfeita desordem”.

Isso vai desde objetos espalhados, mal guardados, parte física da casa muito mal cuidada ou mesmo em deterioração, dente outros aspectos que mostram descaso total com o que possui.

A desorganização faz com que não se saiba o que se possui. Isso, economicamente é um desastre, por que compra-se o que não se precisava, unicamente por que não se sabe onde a coisa está ou estava.

Além do que, algo que, “está guardado não sei onde”, ou “nem sabia que tinha isso” pode deteriorar por falta de uso.
Isso sem mencionar nos acumuladores compulsivos.

[Pois bem, nós como santos dos últimos dias,] necessariamente devemos exercitar os 5S em nossas vidas e em nossas próprias casas e Kondar nossas gavetas, armários, despensas e garagens.

Outro aspecto relacionado é que o Senhor, por meio de Jesus Cristo, organizou a terra em meio ao caos.

Uma vez que devemos ser como Jesus é (3 Néfi 27:27), então deveremos ser tão organizados pudermos ser, na medida de nosso crescimento.

Dessa maneira, por onde um santos dos últimos dias passe, em particular os portadores do sacerdócio, este local deverá estar melhor do que quando o encontrou.

Entristece-me ao ver casas de membros em estado caótico. Não por que sejam pobres ou sem recursos. Uma pequena casa de uma pessoa mais humilde em questão financeiras, pode ser tão organizada e limpa quanto a de quem mora em mansões como muitos empregados.

Uma casa em estado caótico, no que se diz respeito à organização doméstica e física, em um lar sud, não reflete os ensinamentos do evangelho restaurado.

Um portador do sacerdócio que almeja criar mundos, que não se atina para colocar ordem no lugar onde mora com sua família, está longe de alcançar a meta suprema.

Atualmente eu conheço o que possuo, e sei onde elas estão. Tenho o cuidado de colocar sempre no mesmo local, dessa maneira sempre saberei onde está, a menos que alguém o tire do lugar sem meu conhecimento.

Organizar e arrumar as coisas, deveriam ser a principal característica de todos os santos dos últimos dias por onde quer que passem, a começar pela sua própria casa.

Então, comece agora a Kondar suas coisas.

Alexandre Neto

Antonio Alexandreda Silva Neto é escritor, gosta de nadar e passear de bicicleta. Serviu na Missão Brasil Porto Alegre de 1982 a 1983. Trabalha como
Consultor da Ademilar Consórcio de Investimento Imobiliário e participa do Projeto ReclySystem, empresa incubada de reciclagem de resíduos sólidos, como gerente administrativo.

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