Estou trabalhando no computador, no inicio da tarde, após uma manhã maravilhosa com minha filha, tendo a oportunidade de conviver e ouvir seus planos, pensamentos, compreender seus sentimentos e me aproximar de sua alma.  Não fizemos nada de mais, nenhum programa especial que envolvesse uma ideia brilhante ou um passeio extraordinário ou ainda algo que envolvesse dinheiro; apenas ficamos juntas, conversamos, rimos, cozinhamos e nos ajudamos mutuamente.

Neste instante posso ver sua figura pelo canto do olho tocando seu instrumento predileto, o violino, e de vez em quando ela para e me pergunta- tá bom? E mesmo que não estejatão perfeito, porque isso não importa nem um pouco, sempre digo, está lindo,  minha  filha! E ela prossegue, estimulada no seu trabalho. Em dado momento, o retorno de uma vida composta de cadeias de atos, pensamentos e sentimentos que convergem numa direção comsentidos definidos no desejo de construir uma família forte:Seus lábios se abrem, não para brigar, exigir ou proferir impropérios,  mas para dizer algo simples e maravilhoso, capaz de fazer tudo valer a pena- singelamente minha filha adolescente se virou e disse-Obrigada por me amar…

Nós, psicólogos, temos como uma de nossas searas de trabalho um importante e vasto arsenal de problemas e dificuldades no que concerne ao relacionamento pais e filhos, algo que em minha época se chamava “conflito de gerações”. Apesar de diferentes nomenclaturas, este quadro apresenta as mesmas raízes como causae as mesmas intensas dores e desequilíbrios de ambas as partes como consequência. Pode mesmo ser trágico perceber e arcar com a dramaticidade que existe em relação a muitas famílias nos diversos segmentos sociais: pobres, autossuficientes ou pessoas mais abastadas frequentemente relatam possuir dificuldades de relacionamento intrafamiliar de maior ou menor monta, capazes de lhes tirar o sono e lhes amargar a vida.

Amo cada momento com meus filhos e procuro sorvê-los intensamente, sempre que a ocasião se apresenta, pois haverá um dia, com maior ou menor proximidade, em que eles não estarão perto, já que terão seguido seus caminhos. Como nós mesmos já fizemos com nossos pais anteriormente -quando quisemos conquistar o mundo e vencer, ou quando escolhemos um parceiro e saímos de casa para compor a própria família. Quando nos dermos conta, a fugacidade destaspreciosas ocasiões já terá passado…Então não será importante investir numa relação feliz e bem sucedida junto aos nossos entes queridos hoje?

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Suzana Mcauchar

Membro da Igreja há 35 anos, é casada e mãe de dois filhos. Psicóloga credenciada nos Serviços Familiares SUD. Serve como 1ª Conselheira na Sociedade de Socorro e como Professora na Escola Dominical. Trabalha com políticas públicas na Prefeitura de Juiz de Fora, além de ser professora universitária.
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