Todos conhecemos muito bem o relato da Paixão de Cristo. Ele iniciou o sacrifício expiatório na noite da quinta-feira, no Jardim do Getsêmani. Ali, suou sangue por todos os poros e suportou a dor terrível de tomar sobre si os pecados de toda a humanidade. Naquele jardim, Ele expiou os pecados de cada um de nós e nos proporcionou a oportunidade de vencermos a morte espiritual.

Mais tarde, naquela mesma noite e madrugada, Ele foi preso, sofreu um julgamento injusto e ilícito e foi condenado à morte por crucificação.

No dia seguinte, sexta-feira, depois de ser açoitado e humilhado, foi enviado para o Gólgota, carregando a sua pesada cruz. Quando todas as profecias foram cumpridas, Ele entregou voluntariamente o Seu espírito e encerrou a sua missão terrena.

No terceiro dia, domingo, Ele ressuscitou! Venceu, assim, a morte física e nos proporcionou a mesma maravilhosa bênção! Por Sua causa, todos ressuscitarão. Todos receberão seus próprios corpos novamente e serão julgados em perfeita ordem para receberem o galardão que lhes couber.

Mas, o que aconteceu com Jesus Cristo no segundo dia de sua morte? Seu corpo repousava na pedra de um sepulcro cavado na rocha. Mas, e o seu espírito? Onde esteve e o que fez naquele tempo entre a morte na tarde da sexta-feira e a ressurreição na manhã do domingo?

Felizmente, as escrituras antigas e modernas deixaram claro que Jesus Cristo cumpriu uma de suas maiores missões naquele período! Por Ele ter feito isso, toda a humanidade pode receber Seu Evangelho, sem distinção alguma, nem da época em que viveram, nem das oportunidades que tiveram ou deixaram de ter de conhecer os Seus ensinamentos.

O próprio Jesus Cristo mostrou o que viria a acontecer naquele momento de separação do Seu corpo e do Seu espírito:

“Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.” (João 5:25)

Talvez prevendo o espanto de Seus discípulos daquele tempo e de hoje ao ouvirem esta tão grande notícia, Ele continuou:

“Não vos maravilheis disso; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.

E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.”(João 5:28-29)

Pedro nos deu mais conhecimento sobre esta doutrina:

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito;

No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;

Os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é oito) almas se salvaram pela água” (I Pedro 3:18-20)

Vemos assim que o espírito de Cristo foi ao lugar onde estão os espíritos dos mortos. Vemos ainda que os mortos que estavam ao alcance de Sua voz não eram apenas os que haviam praticado boas obras nesta vida terrena, mas também os cativos, ou seja, os rebeldes, que rejeitaram a palavra de Deus nesta vida.

Estas palavras de Pedro, o Apóstolo que sucedeu o próprio Jesus na direção da Sua Igreja na Terra, nos ensinam ainda mais:

1 – Há um lugar no qual todos os que morreram aguardam a ressurreição. Este mundo dos espíritos ou Mundo Espiritual, abriga os espiritos dos que foram obedientes e dos que foram rebeldes nesta vida terrena. Os primeiros permanecem no Paraíso. Os demais, na Prisão.

2 – Todos teremos uma segunda chance! Não fosse assim, como e porque o próprio Cristo iria pregar aos que antes rejeitaram às palavras de Noé, quando este anunciou os desígnios de Deus? Aqueles espíritos, quando viviam nesta Terra, foram rebeldes, zombaram do Profeta de Deus e escarneceram das palavras divinas. Por isso, estavam cativos no mundo dos espíritos. Mas – que bênção maravilhosa! – pela Sua misericórdia, o próprio Senhor abriu as portas da pregação do evangelho novamente para estes e tantos outros espíritos na mesma condição!

Certamente buscando trazer mais clareza ao assunto, Pedro continuou seus ensinamentos sobre este tema:

“Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito” (I Pedro 4:6)

Sim, os mortos recebem a pregação do evangelho! E isto se faz para que haja justiça! Quantas pessoas passaram por esta vida sem jamais terem ouvido o nome de Jesus Cristo? Sem saber que há um Deus nos céus? Sem terem a oportunidade de escolher seguir ou não Seus ensinamentos? Milhões? Bilhões, talvez, em toda a história da humanidade?

Parece justo que todos estes filhos de Deus percam para sempre a oportunidade da vida eterna, somente por terem nascido em uma época, em um lugar ou em uma família que não lhes permitiu saber por si mesmo sobre estas coisas? Não, não é justo! Deus não seria justo se permitisse que estes nossos irmãos estivessem condenados para sempre a viverem longe de Sua presença por algo que lhes aconteceu sem que eles sequer tivessem escolha!

É isto o que Pedro ensina neste versículo: Como todos podem ser julgados de maneira igual e justa, se nem todos tiveram o mesmo conhecimento? Sim, seria necessário dar o conhecimento do evangelho a todos, vivos e mortos, para que houvesse justiça no julgamento final.

Mas, bem sabemos que as intenções, embora importantes, não são suficientes para gerar salvação. Não bastar querer, não basta acreditar, não basta apenas dizer que acredita. É preciso fazer! A graça de Cristo nos alcança depois de tudo o que pudermos fazer. Não fosse assim, poderia toda a humanidade apenas declarar sua crença em Cristo e voltar a sentar-se e aguardar a salvação eterna, sem mover um músculo para isso. Certamente isto não é o que ensinou o Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse que deveríamos fazer o que O vimos fazer. Porque Ele fazia o que viu o Pai fazer. Fazer. Agir. Realizar. As boas obras devem seguir as boas intenções. Sempre.

Parte destas boas obras são as ordenanças sagradas a que nos submetemos. A primeira ordenança de salvação é o batismo. Ele é realizado para a remissão dos pecados. E é exigido de quem deseja a vida eterna. Foi o própio Cristo quem ensinou:

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5)

Para deixar bem claro a importância desta ordenança do evangelho, Ele mesmo a recebeu, ainda que sem pecado, mas para “cumprir toda a justiça”. (Mateus 3:15)

Ora, sendo o batismo necessário para ser o indivíduo admitido no reino de Deus, a tal ponto que o próprio Jesus se submeteu a esta ordenança a fim de que fosse feita a justiça sobre este mandamento, não é correto pensar que aqueles que morreram sem este batismo e que foram ensinados sobre o evangelho no Mundo Espiritual devam receber esta ordenança de algum modo? Pois que, certamente, se eles não estavam isentos de receberem o evangelho, indo Jesus Cristo abrir as portas da pregação para eles, não estão também isentos da necessidade do batismo! Do contrário, Deus não seria justo!

Paulo ensinou esta doutrina do batismo dos mortos, ou batismo pelos mortos (pois que os vivos devem ser batizados pelos mortos), em sua primeira carta aos santos em Corinto. Alguns daqueles novos cristãos estavam ensinando um erro: a não existência da ressurreição dos mortos. Este erro vinha das antigas crenças que aqueles novos conversos traziam dentro de seus corações e mentes, aprendidas em suas antigas religiões. Era preciso colocar claramente para eles a incoerência do que pregavam como a religião de Cristo – o cristianismo, ou o ser cristão – com o que ainda acreditavam, fruto de anos sendo ensinados no erro.

Para ajudá-los, e sendo muito direto, Paulo perguntou:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?” (I Coríntios 15:12)

E foi ainda mais claro:

“E se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou.” (I Coríntios 15:13)

Paulo, que sempre foi muito eficaz em suas pregações e em seu cuidado com os santos, explicou àqueles cristãos a sua real condição diante desta incoerência de crenças:

“E se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” (I Coríntios 15:14)

Não, Paulo não deixou dúvidas! A ressurreição de todos os mortos é real e necessária. Foi para proporcionar a todos nós esta bênção de termos nossos corpos de volta e com Ele vivermos eternamente, que Cristo ressuscitou!

“E assim somos também considerados falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.

Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.

E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” (I Coríntios 15:15-17)

Até aqui, Paulo falava aos vivos, das consequências sobre os vivos, se não houvesse ressurreição. Mas, e os mortos? Os que aconteceria a eles se não houvesse uma ressurreição?

“E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.” (I Coríntios 15:18)

Sim, estariam perdidos, mesmo os cristão já falecidos! Não importa a vida cheia de fé e excelência em obras para Cristo! Não houvesse a ressurreição, estariam todos perdidos! Sem exceção!

Cuidando que muitos ensinariam a falsa doutrina de que apenas nesta vida estão o pensar, o querer, o decidir e o aceitar a Cristo, Paulo tratou de alertar a todos os cristãos:

“Se só nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (I Coríntios 15:19)

E ensinou:

“Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.

Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem.

Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados.

Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.

Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo principado, e toda autoridade e poder.

Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés.

Ora, o último inimigo que será aniquilado é a morte.” (I Coríntios 15:20-26)

E Paulo fechou seus ensinamentos sobre a ressurreição e seus efeitos, clareando mais uma vez a mente daqueles que pregavam o evangelho e realizavam as suas ordenanças, mas relutavam em crer na ressurreição:

“Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?” (I Coríntios 15:29)

Sim! Como poderiam eles não acreditarem na ressurreição e ainda assim batizarem-se pelos seus mortos?

Muitos há hoje que não acreditam no batismo pelos mortos. Infelizmente, muitos erram “não conhecendo as escrituras, nem o poder de Deus”. (Mateus 22:29)

Aos que acreditam na ressurreição, mas não no batismo pelos mortos, poderíamos perguntar, parafraseando Paulo:

“Doutra maneira, que farão os que acreditam que os mortos ressuscitam, se absolutamente não se batizam pelos mortos? Por que acreditam eles então que os mortos ressuscitam?”

Que maravilhoso dia foi aquele sábado no qual o corpo do nosso Senhor Jesus Cristo repousou inerte naquela fria pedra de um sepulcro cavado na rocha, enquanto o Seu espírito iniciava o maravilhoso trabalho de amor de levar Seu evangelho a tantos espíritos que, por situações diversas – e adversas -, não ouviram este mesmo evangelho em vida, ou não puderam fazer escolhas corretas aqui.

Felizmente, graças à restauração do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo e por meio de Sua verdadeira Igreja, mesmo A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e pelo poder e autoridade do Sacerdócio, todo o conhecimento e todas as ordenanças do evangelho estão hoje à disposição da humanidade, bastando que as pessoas abram sua mente e seu coração para aprender Dele e sobre Ele.

Eu sei que Jesus é o Cristo, O Filho de Deus. Ele é meu Rei, meu Redentor, meu Salvador, e meu Deus! Ele reina neste mundo e mundos sem fim! Ele é o grande Jeová do Velho Testamento. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre!

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Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. Atualmente, serve como Secretário Executivo da Presidência da Estaca. Casado, é pai de 2 filhos.
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