A grande maioria dos pais, felizmente, quer que seus filhos sejam felizes, herdando os sentimentos de um Pai Celestial amoroso, que também quer que seus filhos sejam felizes. Para isso, Ele preparou um plano para cada um de nós. Esse plano é conhecido como o Plano de Salvação.

O saudoso Élder Adhemar Damiani ensinou que este Plano “é também mencionado nas escrituras como Plano de Felicidade, Plano de Misericórdia ou Plano de Redenção, cujo objetivo principal é proporcionar a imortalidade e a vida eterna a cada um de Seus filhos. Incluiu a Criação, a Queda e a Expiação, juntamente com todas as leis, convênios e ordenanças que nos permitirão um dia sermos exaltados e vivermos para sempre com Deus”.

Nosso Pai Celestial ensinou que seu Plano é para todos os seus filhos, porque cada um de nós, independente de onde ou quais circunstâncias vivemos, temos o potencial de poder mudar e evoluir constantemente, temporal e espiritualmente. Nascemos para sermos felizes, cada um de nós, como filhos e filhas de um Pai Eterno.

Nossa visão limitada muitas vezes nos impede de reconhecer nossa própria capacidade. O Pai Celestial, porém, conhece nosso potencial e traçou um plano personalizado para cada um de nós, com dificuldades e bênçãos detalhadamente necessárias para que pudéssemos aprender o que precisamos para nossa evolução.

Presidente Henry B. Eyring explicou que, no Plano do Pai, “Toda pessoa é diferente e tem uma contribuição diferente a fazer. Ninguém está destinado a fracassar”. Ao colocarmos nossos dons e talentos em prol de nossa própria evolução dentro deste Plano, criando nossas famílias e vivendo nossa vida de acordo com Seus ensinamentos, poderemos alcançar a verdadeira felicidade, muito além do tipo de felicidade que conhecemos nesta vida.

Porém, não há verdadeira felicidade enquanto não abraçarmos os seres humanos com tolerância e amor legítimo.

As pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo também nasceram para ser felizes. Todas as pessoas, independente de cor, raça, credo, orientação ou deficiências e dificuldades terrenas, mentais e físicas, podem e devem buscar a felicidade.

A real felicidade depende de sabermos usar nossos dons e talentos e buscarmos meios honestos de conseguir ter uma vida moralmente limpa, servir significantemente, desfrutar do convívio de outros sem sermos julgados ou sem julgar nosso próximo. Somente assim poderemos nos sentir realizados com nossa própria vida, contemplando a real felicidade de nosso Plano pessoal, preparado por um Pai perfeito e dedicado.

Elder Dallin H. Oaks, numa entrevista recente sobre homossexualidade, ao ser perguntado sobre a importância do assunto para a Igreja, disse: “Acredito ser importante entender que homossexualidade não é um nome que descreve uma condição. É um adjetivo que descreve sentimentos ou comportamento. (…) Como tal, podem ser controlados. (…) Nós não falamos sobre um desafio somente. Isto é uma condição comum da mortalidade. Talvez não entendamos exatamente o “porquê”, ou o tamanho das inclinações ou suceptibilidades e outros detalhes, mas sabemos que sentimentos podem ser controlados e comportamentos podem ser controlados. A tênue linha do pecado está entre os sentimentos e o comportamento. A linha da prudência está entre a susceptibilidade e os sentimentos. Por isso precisamos conhecer e manter o controle de nossos sentimentos para que não entremos em circunstâncias que nos guiem a um comportamento pecaminoso”.

Dito isso, não é nosso dever julgar ou discriminar qualquer pessoa, mas amar, servir e influenciar positivamente todas as pessoas. Como exortou Presidente Dieter F. Uchtdorf, simplesmente “não me julgue só porque o meu pecado é diferente do seu”.

O que fazer então para se comunicar com um familiar, amigo ou mesmo desconhecido que está lidando com atração do mesmo sexo? Alguns passos básicos:

1. Ouvir. Não há nada mais importante que isso nesse momento. Sem julgar, sem interromper, sem condenar.

2. Culpa e vergonha. Na grande maioria das vezes a pessoa já sente culpa e vergonha, devido a julgamentos e provocações de outras pessoas. Seja diferente, não o acuse ou o julgue inconsequentemente. Demonstre o amor de Cristo, ou simplesmente empatia.

3. Rótulos. Jamais o rotule. O resto do mundo já faz isso. Você representa o Salvador, que foi a todos os marginalizados. O que Ele faria nesta situação?

4. Informação. Informe-se. Ele é digno de amor como qualquer outra pessoa.

5. Identidade. A sociedade muitas vezes em vez de ajudar, atrapalha. Na ânsia de ser aceito, muitas vezes, o homossexual, devido a tanta influência por todos os lados, coloca-se como se tudo e todos estivessem contra ele, toda a sociedade, e isso inclui todos que não possuem atração pelo mesmo sexo, como se o quisessem massacrar por sentir o que sente. E então começa a atitude defensiva, e muitas vezes agressiva.

Em Lucas 6:38, o Salvador prometeu: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, (…) porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”.

Em Mateus 5:39-41, Jesus Cristo relembrou: “Porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. (…) Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”

Para o homem natural, a ideia do ser diferente divide ao invés de unir, mas na verdade, cria-se um estereótipo onde os que se sentem assim, muitas vezes se esforçam para se parecerem com outros do grupo, para terem o sentimento de que pertencem a aquele grupo, sem ao menos saberem exatamente como lidar com os próprios sentimentos.

A princípio, uma pessoa com atração pelo mesmo sexo poderá pensar que os outros não lhe aceitam, não lhe entendem, que o discriminam e tudo mais, porque a sociedade o faz acreditar que todos têm a mesma reação ao que ele é dessa forma. Como discípulos de Cristo, podemos lembrá-lo que, acima de tudo, ele é filho de Deus, que você o ama e o aceita.

Aos que estão lidando com atração pelo mesmo sexo

Procurem aumentar sua visão do amor de um Pai Perfeito.

Alguns, quando se encaixam em um grupo, muitas vezes afunilam seus sonhos de acordo com alguns exemplos que possuem dentro daquele grupo. O mais importante é que você consiga se encontrar e saber o que lhe faz feliz individualmente, sem se levar por um grupo que age da forma como a maioria age, mas preocupando-se com o que o Senhor quer de você.

Lembre-se de buscar a “grande figura”, e imaginar-se onde quer se ver na vida daqui a algum tempo, sejam 10 , 20 ou 50 anos. Busque apoio de seus pais e amigos verdadeiros, que podem lhe ajudar a restabelecer certas metas de vida, como estudar, formar-se, trabalhar, evoluir, progredir.

O mesmo é válido para quem tem atração pelo sexo oposto. A lei da castidade faz parte do Plano para todos, independente de orientação ou lei do país em que vive. Agir com responsabilidade pelas próprias escolhas, lembrando que iniquidade não traz felicidade, e somente sob a fidelidade aos mandamentos, conseguirá atingir e realizar todo seu potencial dentro de seu Plano pessoal.

Busque o autocontrole para atingir suas metas e conhecer a face do Senhor.

Se queremos uma vida próspera, alguns passos temos que dar na direção que nos levará ao progresso. Se nos perdermos no caminho, o regresso e o declínio estarão pintados em cores berrantes no seu futuro, independente de sua orientação.

Há uma diferença entre discrição e esconder-se. O desejo por gratificação física seja lá de que forma for, não dá a ninguém o direito de cometer imoralidade ou promiscuidade. Todos possuímos desafios em vários âmbitos da vida, de várias formas, cores e tamanhos.

Nunca deixe de orar. A certeza do amor divino preenche qualquer necessidade de autoafirmação que cada um de nós possui no decorrer de nossa construção da autoestima.

Preencha sua vida com progresso.

Estudar e trabalhar. Continuar a vida em frente. Preparar-se para o futuro. Ser limpo, ter uma vida saudável, não beber e não usar drogas que lhe tirem o controle de si mesmo. Ao mesmo tempo participar de atividades que incluam ambos os sexos, ambientes saudáveis, com pessoas esclarecidas.

Quando compreendemos que nossa vida está em nossas próprias mãos, e que não precisamos ficar a todo momento nos autoafirmando aos outros, você poderá concentrar-se nas coisas que pode compreender e controlar agora, e depois as outras virão.

Se você é pai ou mãe de uma pessoa com atração pelo mesmo sexo

Não se culpe por seu filho sentir o que sente. Nenhum cientista ainda provou como a atração pelo mesmo sexo ocorre, mesmo que alguns digam o oposto. Seja biológico ou psicológico, sendo que difere de pessoa para pessoa, não o julgue, não se culpe, nem culpe ninguém mais. Isso só trará dor, frustração, lágrimas e ressentimentos.

Elder Oaks explicou que, como pais – e isso serve para aqueles que não possuem um pai ou mãe e mesmo um líder que possa avisá-lo antes de sua escolha, temos o dever de informar o que a Primeira Presidência declarou em 1991: “A lei moral do Senhor de conduta é a abstinência fora dos laços de um casamento legal e fiel. Relações sexuais apropriadas acontecem somente entre marido e esposa, expressas apropriadamente dentro dos laços do matrimônio. Qualquer outro comportamento sexual, incluindo fornicação, adultério, homossexual, lesbianismo é pecaminosa. Aqueles que persistem nessas práticas ou influenciam outros a fazê-los estão sujeitos à disciplina na Igreja”. Minha primeira responsabilidade como pai é ter certeza de que meu filho entende isso, e aí dizer a ele, “Meu filho, se você escolher deliberadamente engajar-se nesse tipo de comportamento, você ainda será meu filho. A Expiação de Jesus Cristo é poderosa o bastante para lhe retirar desse comportamento e perdoá-lo se você se arrepender e desistir dele, mas eu lhe exorto a não embarcar neste caminho, pois o processo de arrependimento não é fácil. Você estará embarcando num caminho que enfraquecerá sua capacidade de arrepender-se, pois tornará sua percepção ao que realmente é importante em sua vida confusa, e poderá arrastá-lo para tão longe a ponto de você não conseguir voltar. Se você escolher seguir esse caminho mesmo assim, nós sempre tentaremos ajudá-lo a voltar ao caminho do progresso”.

Ame seu filho. Jamais o exclua. As diferenças nos ensinam tolerância e amor incondicional. Demonstre preocupação e aja quando necessário em relação ao bullying que poderão sofrer, ou mesmo ao estilo de vida caso sejam forçados pelo grupo a agirem de forma perigosa, que venha a se machucar mais tarde.

O amor é o melhor mestre que deve reger todas as conversas, ações e situações com a família em relação ao seu filho, irmão ou familiar. Faça do lar seu porto seguro. Seja o pai ou mãe que ama seu filho como ele é.

O Senhor ama todos os seus filhos e providenciou um meio de que todos possam retornar a Sua presença. Cada um de nós precisa buscar o controle de nosso temperamento, desejos, vontades e enfrentar os desafios com fé para que possamos alcançar o caminho do progresso. Tudo isso foi proporcionado a nós pelo amor maior demonstrado por nosso Salvador Jesus Cristo. Manter nossos olhos, mentes e corações focados nas bênçãos da imortalidade é o que realmente nos trará a real felicidade que tanto buscamos.

Christina Ayres-Smith

Christina Ayres-Smith é casada e mãe de um missionário servindo na Argentina. Atualmente serve na presidência das Moças de sua Ala em Utah, e é a especialista de mídia da Estaca para o Trek que os jovens farão em 2016 em Martin's Cove, Wyoming. Graduada e pós-graduada em Jornalismo e Psicologia, é autora de vários livros publicados e fotógrafa. Para conhecer mais sobre seu trabalho, visite seu site: http://www.caayres.com/

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