Quando Leí estava no deserto com sua família, viviam de caça. A arma principal para abater a caça era o arco e a flecha.
Ora, viver no deserto por muitos anos, comendo carne crua, (que o Senhor fez saborosa sem precisar cozer) já era por si só um grande desafio.
E aconteceu que o arco de Néfi quebrou e os dos seus irmãos perderam a elasticidade. Portanto, não poderiam abater caça. Consequentemente passaram fome. Toda a família. E houve murmúrios por causa dessa aflição. Até mesmo o patriarca Leí murmurou.

Néfi foi censurado por seus irmãos e o culpou por todas as aflições por que estavam passando.

O que fez Néfi?

Primeiro não aceitou a culpa, nem tampouco esmoreceu diante das críticas, culpando-se e se lastimando por causa disso. Claro que sentiu pesar pela situação, mas não o pesar que esmorece que limita e trava a ação.

Diante do fato ele se retirou e preparou outro arco com madeira forte. Ele sabia fazer um arco. Depois de preparar o arco ele se dirigiu ao seu pai, o patriarca, para perguntar a ele onde iria caçar. Então o Senhor mostrou o lugar onde iria caçar.

O que podemos aprender com esse episódio?

Bem, há várias lições aqui, mas vou focar em alguns tópicos para o objetivo que pretendo:

1. No deserto.
Muitas vezes nos encontramos como num deserto, com dívidas, escassez de alimentos e outros itens essenciais, morando de favor, negócios e investimentos que não prosperam, falta de amigos e familiares para nos apoiar, perdas de familiares repentinamente e outros desafios que nos deixam solitários e sentimento de desamparo.

2. O Arco quebrado.
O arco e as flechas representam nossa capacidade de realizar algo. Ele se quebra quando, num exemplo mais claro, por desemprego, baixa renda e, tudo o que fazemos para sobreviver no deserto falham. É nossa capacidade limitada, ou que se limitou ou que nossa ferramenta de produção quebrou, perdeu-se, foi roubada, incendiou-se ou de outra forma, que impossibilita a produção de nossos ganhos. Ou, no caso de perda de familiar, era o principal provedor.

3. Murmúrios.
Nós, como chefe de família ou principal provedor da uma família, somos responsabilizados por todos quando nosso arco se quebra. Há murmúrios e lamentação, mesmo de quem desejamos mais apoio e compreensão, como esposa, pai, mãe ou filhos.

4. Atitude.
Podemos nos afundar na tristeza, com auto culpa, murmurar juntos com todos, nos esconder, não voltar pra casa, sair de casa por um bom tempo, ter sentimentos de inferioridade, aceitar que realmente somos incapazes e inúteis, perdendo assim a nossa própria confiança e dos demais membros da família ou… Sentirmos tristeza pela situação, compreender que o que ocorreu tem suas causas claras fortuitas e acidentais, ou por atitudes e decisões equivocadas, manter a calma e a serenidade que a situação requer e,

5. Fazer outro arco.
Colocar em ação nossos talentos, nossos conhecimentos, nossas habilidades. Fazer outro arco aqui representa obter outro material para fazer o instrumento suficientemente forte para obter o alimento, novo emprego ou reverter a situação. Representa repensar todas as nossas habilidades e ver qual a melhor opção.

Néfi fez o arco com madeira disponível que buscou. Ele encontrou outra opção para fazer o arco. Não dá pra caçar com o arco quebrado, portanto, não dá para bater na mesma tecla ou insistir fazer algo da mesma forma, sempre com o mesmo método, com as mesmas pessoas, cujos resultados serão ou poderão continuar infrutíferos. Isso significa também que temos que procurar madeira disponível, ou seja, novas habilidades, um curso, um novo aprendizado, uma elevação de conhecimento ou mesmo um trabalho diferente de nossa habilidade ou talento principal.

6. Onde há caça?
Note que, depois de fazer o arco de uma forma diferente e com madeira diferente, ele foi perguntar para o pai onde caçar. Isso se pode fazer diretamente com especialista na dificuldade que enfrentamos, como nossos líderes, com profissionais, nas escrituras, A Liahona, e principalmente ao Nosso Pai Celestial, por meio da oração.

7. Interrupção da jornada.
Néfi agora estava com todas as ferramentas e devidamente preparado para ir para o novo local indicado e saiu para caçar encontrou caça abundante para saciar a fome e continuar a jornada. Sim, continuar, por que, houve interrupção, não houve progresso. Quando nosso arco está quebrado, nosso progresso para. E ficará parado enquanto houver murmúrios e nada for feito para construir um novo arco.

8. Novo local de caça.
Muitas vezes insistimos na mesma coisa, no mesmo trabalho, de um mesmo modo, com as mesmas pessoas, fornecedores, continuando a fazer empréstimos, comprando no mesmo local, com mesmo hábito de consumo e olhamos tudo com foco apenas em uma parte do problema. Um novo local representa mudança de comportamento, mudança de visão, representa ver todo o panorama, representa buscar uma nova maneira de fazer as coisas, obter outro emprego, trabalho, modo de consumir e comprar.

Insistir em plantar ou caçar num terreno esgotado é investir adubo, forças, tempo e recursos inutilmente. Mudar de terreno é desafiador, porém significa novas e melhores oportunidades. Isso se aplica ao mercado de trabalho. A oportunidade de trabalho que procuramos pode estar em outra cidade, uma vez que já esgotamos todas as possibilidades num determinada região.

9. A terra da Abundância.
Leí e sua família estiveram no deserto por oito anos. E passou por todos esses desafios para ser provado ver se merecia mesmo chegar a terra da abundância.
Notem que eles tinham uma jornada com um objetivo e o Senhor os proveu com todas as coisas até atingirem o objetivo. Na escassez o Senhor os proveu. E continuaram a jornada obtiveram a abundancia para preparar o navio com provisões para uma nova jornada que durou quase um ano de travessia pelo mar.
Foram duas etapas até chegar da terra da promissão.

Quando nos deparamos em nosso deserto e percebemos que nossa jornada está parada pode ser por que nosso arco está quebrado. (Isso também pode representar, não como regra, um mandamento sendo negligenciado). Quando percebermos isso, levantemo-nos, façamos um novo arco e perguntemos ao Nosso Pai Celestial, onde buscar alimento. Ele nos mostrará e nos dará novo alimento até atravessarmos o deserto em segurança. Ninguém chega à Terra da abundância sem antes passar pelo deserto sem esmorecer!

Alexandre Neto

Antonio Alexandreda Silva Neto é escritor, gosta de nadar e passear de bicicleta. Serviu na Missão Brasil Porto Alegre de 1982 a 1983. Trabalha como
Consultor da Ademilar Consórcio de Investimento Imobiliário e participa do Projeto ReclySystem, empresa incubada de reciclagem de resíduos sólidos, como gerente administrativo.

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