Não, você não leu errado. E eu não escrevi errado. O título deste artigo é esse mesmo: “Não seja uma ovelha em pele de lobo!” Estamos acostumados com a expressão “lobo em pele de ovelha” e sabemos muito bem do que se trata.

No livro de Mateus, no capítulo 7, versículo 15, Jesus Cristo alerta aos seus seguidores:

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm a vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.”

Discernir um lobo oculto em meio ao rebanho é muito importante para a sobrevivência da ovelha. Assim, nos versículos seguintes, do 16 ao 20, Ele explica como identificar um lobo disfarçado de ovelha:

“Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. E assim, pelos seus frutos os conhecereis.”

Evidentemente, o Salvador não estava falando apenas dos que para seus próprios intentos criam igrejas, filosofias e conceitos, arrebanhando a muitos pelas belas palavras e ofertas agradáveis aos ouvidos, de salvação sem sacrifícios, bênçãos sem compromissos, e perdão sem mudança de coração. Ele também não descrevia somente os que pregam a intolerância religiosa e mesmo o fim das religiões, apresentando as falsas doutrinas do secularismo, do niilismo e de uma ética que procura destruir a base do evangelho: a família.

De quem mais, então, falava o Mestre? Dos que, estando em meio ao rebanho – e o rebanho é a Igreja de Jesus Cristo -, são, na verdade, lobos fantasiados de cordeiros. Dos que, embora estejam entre os que professam seguir a Cristo, trazem em seu coração a maledicência e a discórdia. Sempre sorridentes diante da maioria das ovelhas, não hesitam em “mostrar os dentes” àquelas que percebem suas ações, com o intuito de intimidá-las. Semeiam a dissensão entre os irmãos e a afronta aos que têm a incumbência de pastorear o rebanho.

Embora a existência de lobos em meio ao rebanho seja uma dura e triste realidade, não são eles os que me causam mais preocupação hoje. Os olhos e ouvidos atentos dos pastores e das ovelhas podem identificá-los. Mais cedo ou mais tarde deixarão um sinal, uma evidência de sua real natureza, pois que, tal como o joio não é trigo, o lobo não é ovelha e não conseguirá manter seu disfarce por muito tempo.

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O que me traz mais preocupação que um lobo em pele de ovelha, é uma ovelha em pele de lobo.

Noto, com tristeza, a crescente transformação pela qual muitos têm passado, deixando de lado costumes, palavras, crenças e ações claramente cristãs, e adotando outros costumes, palavras, crenças e ações que, no mínimo, são nebulosos e desfocados da realidade cristã. Com o propósito de serem mais prontamente aceitos pelo mundo, estas ovelhas disfarçam-se de lobos, relativizando doutrinas, princípios, normas e práticas do evangelho, tornando-os mais “agradáveis” e menos “exigentes”. É a “mundanização” da vivência cristã.

O Apóstolo Paulo, talvez prevendo este tipo de comportamento, alertou aos santos:

“Abstende-vos de toda a aparência do mal.” I Tessalonicenses 5:22

A aparência do mal é a capa de lobo sobre o pelo da ovelha. Deve ser eliminada. Jamais vestida. É muito interessante a presença da palavra “toda” nesta escritura. Ela elimina qualquer dúvida sobre se nesta ou naquela situação podemos racionalizar. Não deve haver tolerância para com o mal.

Quero descrever três situações, que, de acordo com a nossa decisão, podem ressaltar a nossa condição de ovelha no rebanho de Cristo, ou cobrir-nos com uma capa de lobo.

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1 – O modo como defendemos a verdade

O Profeta Leí narrou o sonho que teve da Ávore da Vida. Ele descreveu elementos físicos e também sentimentos e atitudes das pessoas. Em um dos momentos mais importantes de seu relato, ele disse:

“E depois de haverem comido do fruto da árvore, olharam em redor como se estivessem envergonhados. E eu também olhei em redor e vi, na outra margem do rio de água, um grande e espaçoso edifício; e ele parecia estar no ar, bem acima da terra. E estava cheio de gente, tanto velhos como jovens, tanto homens como mulheres; e suas vestimentas eram muito finas; e sua atitude era de escárnio e apontavam o dedo para aqueles que haviam chegado e comiam do fruto. E os que haviam experimentado do fruto ficaram envergonhados, por causa dos que zombavam deles, e desviaram-se por caminhos proibidos e perderam-se.” I Néfi 8: 25-28

Que triste! Pessoas que seguiram no caminho estreito e reto, que apegaram-se com firmeza à barra de ferro, que venceram a névoa de escuridão, que chegaram à árvore e comeram do fruto, afastaram-se dele. A vergonha os tirou de lá. Cederam às investidas do orgulhosos, dos zombadores, do escarnecedores. Intimidaram-se com os ataques sofridos, com as mentiras e falácias dos soberbos. Faltou-lhes coragem para defenderem sua condição!

Falando sobre a coragem para defender a verdade, o Presidente James E. Faust citou algo que ocorreu com um outro profeta, quando ele ainda era um rapaz:

“Cada um de nós precisa, por vezes, defender corajosa e firmemente aquilo que somos e o que cremos. Quando o Presidente Joseph F. Smith era jovem, teve que enfrentar esta situação:

‘Certa manhã, quando com vários outros missionários estava voltando para a cidade de Salt Lake, um grupo de rudes inimigos dos mórmons aproximou-se a cavalo, dando tiros e dizendo impropérios.

O chefe deles pulou do cava­lo e disse: ‘Vamos matar qualquer um que seja mórmon!’ Os outros missionários tinham corrido para o mato, mas Joseph F. ficou ali, de pé, corajosamente. O homem meteu o revólver no rosto de Joseph F. e perguntou: ‘Você é mórmon?’

Joseph F. empertigou-se e disse: ‘Sim, senhor, até a raiz dos cabelos!’

O homem ficou surpreso com a resposta. Guardou o revólver, apertou a mão de Joseph e disse: ‘Bem, você é o homem mais admirável que já conheci! Fico satisfeito de ver uma pessoa que defende suas convicções.’ Tornou a montar e afastou-se com seus companheiros.” “Agir por Nós Mesmos, e Não Receber a Ação”, Conferência Geral, outubro de 1995, citando “Courageous Mormon Boy” (O Corajoso Rapaz Mórmon), The Friend, agosto de 1995, p. 43.

A atitude do Presidente Joseph F. Smith é um exemplo do que foi ensinado por Paulo:

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê.” Romanos 1:16

O Presidente Thomas S. Monson ensinou:

“Vou dar-lhes uma fórmula simples pela qual podem medir as escolhas com que se defrontam. É fácil recordá-la: ‘Não se pode estar certo fazendo o que é errado nem se pode estar errado, fazendo o que é certo’. Sua consciência as adverte como um amigo antes de nos punir como um juiz.” “O Caminho da Perfeição”, A Liahona, julho de 2002

O livreto Para o Vigor da Juventude nos dá a direção a tomar:

“Tenham a coragem moral de permanecer firmes na obediência à vontade de Deus, mesmo que tenham que ficar sozinhos.”

O modo como defendemos a verdade diz muito sobre quem realmente somos, muito mais do que quem aparentamos ser. Ser valente na defesa do evangelho dentro dos limites da Igreja ou nas casas dos irmãos é relativamente fácil. Defender a retidão em meio aos seus opositores é muito mais difícil. Acovardar-se ao ponto de concordar, mesmo que em silêncio, com as críticas aos ensinamentos de Jesus Cristo e de Sua Igreja, ou com as posições e opiniões do mundo a questões morais como o casamento de pessoas do mesmo sexo, o uso de contraceptivos, ou a Palavra de Sabedoria, sob a falsa desculpa de estar sendo tolerante, é colocar sobre si a capa de lobo.

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2 – O modo como tratamos as pessoas

“Portanto, falarei a vós que sois da igreja, que sois os pacíficos seguidores de Cristo e que haveis recebido esperança suficiente para entrardes no descanso do Senhor de agora em diante, até que descanseis com ele no céu. E agora, meus irmãos, julgo estas coisas a respeito de vós, devido a vossa conduta pacífica para com os filhos dos homens.” Moroni 7:3-4

De todas as formas de nos comunicarmos, o que falamos e como falamos certamente terão o maior impacto sobre as pessoas. O livreto Para o Vigor da Juventude nos orienta a esse respeito:

“Falem com bondade e de modo positivo a respeito das pessoas. Decidam que não vão insultar nem menosprezar as pessoas, nem mesmo por brincadeira. Abstenham-se de todo tipo de fofoca e não falem com raiva. Quando se sentirem tentados a dizer coisas rudes ou ofensivas, não digam essas coisas.”

Uma atitude de bondade e respeito deve ser a tônica especialmente nos relacionamentos familiares. O Élder Quentin L. Cook ensinou a esse respeito:

“O modo como tratamos as pessoas mais próximas de nós é de fundamental importância. A violência, os maus-tratos, a falta de educação e o desrespeito no lar são inaceitáveis – tanto para os adultos quanto para a nova geração. (…) Independentemente da cultura em que fomos criados e quer nossos pais tenham ou não nos maltratado, não podemos maltratar física, emocional ou verbalmente ninguém.” “Podeis Agora Sentir Isso” Conferência Geral, outubro de 2012

O ser pacífico é uma característica de um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. Não se pode imaginar um cristão colérico, irritadiço, agressivo, impaciente ou intolerante. Mesmo a defesa da verdade deve ser feita com ordem e respeito aos que pensam diferente de nós. O emprego da força como defesa pode ser justificada em determinadas situações. Porém, o cristão deve sempre agir com justiça e manter em seu coração a bondade e a caridade para com todos, mesmo seus inimigos.

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3 – O modo como nos vestimos

O Élder D. Todd Christofferson relatou:

“Muito tempo atrás, uma jovem de outra parte dos Estados Unidos foi passar algumas semanas na casa de parentes. Em seu primeiro domingo, foi à Igreja com uma blusa simples e elegante, uma saia na altura dos joelhos e um suéter claro com botões. Estava usando meia-calça e sapatos sociais e seu penteado era simples, mas feito com cuidado. No todo, sua aparência transpirava graça jovial.

Infelizmente, sentiu-se logo deslocada. Parecia que todas as outras jovens de sua faixa etária estavam usando saias informais, algumas muito acima dos joelhos; usavam também camisetas justas, que às vezes mal chegavam à cintura; não usavam meias nem meias-calças; e calçavam tênis ou sandálias de dedo.

Poderíamos esperar que, ao verem a nova moça, as outras percebessem o quanto seu modo de vestir-se era inadequado para a capela e o Dia do Senhor e imediatamente mudassem para melhor. Contudo, a triste verdade é que foi a visitante que, para não destoar do grupo, adotou os hábitos das anfitriãs.” “A Consciência das Coisas Sagradas”, A Liahona, junho de 2006

O modo como nos vestimos também diz muito sobre quem realmente somos, muito mais do que quem aparentamos ser. Como mostra o exemplo citado pelo Élder Christofferson, vestir-se de modo inadequado não é apenas vestir-se com roupas reveladoras. Quando um portador do sacerdócio vai às reuniões na Igreja com a camisa por fora das calças, sem gravata ou com a aparência desleixada de qualquer modo, assemelha-se mais ao modo de vestir-se do Presidente Thomas S. Monson ou ao modo de vestir-se do mundo, que banaliza a formalidade? Quando uma irmã usa roupas que deixam o corpo à mostra além do padrão estabelecido pelo Senhor para a Sua Igreja, assemelha-se ao modo de vestir-se da Irmã Linda K. Burton, Presidente Geral da Sociedade de Socorro, ou ao modo de vestir-se do mundo, que dissimula a proteção ao corpo, fingindo cobrir quando pretende mostrar?

O Presidente Thomas S. Monson ensinou:

“Algumas pessoas tolas voltam as costas para a sabedoria de Deus e seguem a sedução da moda volúvel, a atração da falsa popularidade e a emoção do momento. É preciso coragem para pensar o que é certo, escolher o que é certo e fazer o que é certo, pois essa rota raramente é fácil de ser trilhada, se é que alguma vez o será.” “O Caminho da Perfeição”, A Liahona, julho de 2002

No livreto Para o Vigor da Juventude, há uma solução para os momentos de dúvida sobre o vestuário:

“Se não souberem o que é adequado vestir, estudem as palavras dos profetas, orem pedindo orientação e peçam a ajuda de seus pais ou líderes. Sua aparência e a maneira como se vestem agora os ajudarão a preparar-se para a época em que irão ao templo fazer convênios sagrados com Deus. Perguntem a si mesmos: ‘Será que eu me sentiria à vontade vestido dessa maneira, se estivesse na presença do Senhor?'”

Estes são apenas alguns exemplos de situações nas quais precisamos estar atentos e descobrir se estamos agindo como uma ovelha ou como um lobo. Diferentemente dos lobos, as ovelhas não têm má intenção, mesmo quando se revestem da capa de lobo. Elas assim o fazem para tentar alcançar aceitação, popularidade ou por rebeldia juvenil (que pode ocorrer em qualquer época da vida, a depender da maturidade pessoal). Contudo, adotar a postura de lobo, sendo uma ovelha, é muito perigoso e um sinal de falta de confiança no Bom Pastor. Caso você perceba que está desenvolvendo alguma atitude que parece mais apropriada ao mundo do que à Igreja, tenha a coragem de abandoná-la agora mesmo. Lembre-se: você é uma ovelha no rebanho do Senhor. Você não é um lobo. Já há lobos demais rondando o rebanho. Eles não precisam de mais um. E você não precisa ser como um deles. Transforme-se, mas para melhor. Torne-se como o Senhor Jesus Cristo. Esta é a medida do discipulado.

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Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. Atualmente, serve como Secretário Executivo da Presidência da Estaca. Casado, é pai de 2 filhos.
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