Um dos dilemas dos membros da igreja é o relacionamento com a liderança local.  Gostaria de abordar alguns aspectos destas relações que impactam diretamente nos níveis de confiança dos membros em seus líderes.

Paulo expressou perfeitamente a verdade sobre os líderes da igreja: “Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões. ” (Atos 14:15) Fica claro que a imperfeição é um item presente na vida de qualquer líder, e a proximidade com o líder a torna mais explícita.

Costumo afirmar ser muito fácil apoiar o profeta quando não precisamos conviver diariamente com ele. Ele não precisa nos negar uma recomendação ao templo, ele não nos chamará para uma entrevista pessoal para corrigir nossas falhas, não tem o encargo de nos julgar diariamente, dentre outras obrigações que cabem aos líderes locais da igreja.

As histórias de Moisés e de Joseph são exemplos claros de como a proximidade torna a obediência e aceitação mais difíceis. Eles estavam muito próximos das pessoas e por isto temos tantos relatos de revoltas, desobediências e até agressões. Os líderes da ala e estaca estão sujeitos aos mesmos efeitos da proximidade.

Certa ocasião ouvi de um querido, e também imperfeito presidente de estaca: “Um dos desafios de nossa fé e saber ser liderados por pessoas que achamos ter menor capacidade que nós. ” Faz parte dos desígnios divinos contar com pessoas imperfeitas: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir os fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele. ” (I Coríntios 1:25-29)

É comum vermos pessoas utilizando as imperfeições de líderes locais como justificativa para não viver o evangelho. Na realidade grande parte destas desculpas são mediadas por orgulho, que segundo presidente Benson se manifesta por ódio, hostilidade ou inimizade. Já teve raiva de seu bispo? Não “vai com a cara” da presidente da sociedade de socorro? Já disse palavras duras para a presidente de moças? – Estas são manifestações de orgulho.

E então, como conviver com nossos líderes locais?

Cuidado com expectativas de perfeição.

Já ficou claro o aspecto que envolve a imperfeição, somente há um perfeito que habitou nesta terra.

Ressalte as virtudes, jamais critique.

Certa ocasião fui visitado por um mestre familiar que decidiu falar algumas “verdades” sobre o bispo, na realidade boa parte das queixas poderiam ser consideradas procedentes. Optei por ressaltar o que o bispo tinha de bom e positivo e deixar o mestre familiar sozinho em suas críticas.

Oposição pública contra a liderança é chamado no manual de instruções de apostasia. Talvez sua pergunta neste momento seja: Então tenho que ficar calado? Claro que não, mas costumo utilizar a seguinte regra: se quero falar mal de um líder, eu falo para ele ou para o líder superior a ele. Se estou magoado, ou preocupado com as ações do bispo, posso procurá-lo em uma entrevista e falar de forma cordial sobre o que me preocupa. Na maioria das vezes resolvemos desta maneira.

Seja pronto a ouvir e ajudar.

Muitas vezes usamos mecanismos de defesa como negação e sarcasmo, rebatendo prontamente e deixando de ponderar e tirar proveito. Certa ocasião, quando servia como bispo, recebi a repreensão de uma líder que afirmou que eu precisava amar as pessoas, ele não via amor em mim. Eu estava certo que estava fazendo meu melhor e amando àqueles a quem servia, fiquei alguns dias com pesar e ponderando meus atos. Decidi então perguntar a alguns membros do conselho da ala como eles me viam como líder. Hoje entendo que a reprimenda foi exagerada, mas ao conversar com membros do conselho pude descobrir algumas coisas pequenas e simples que poderia fazer melhor. A reprimenda não foi inútil, e também não produziu ira ou desobediência. Até hoje as pessoas com quem conversei não sabem o que motivou minha pesquisa, contar a eles o que ocorreu talvez somente iria criar ressentimentos com o líder em questão.

Jamais esqueça quem chamou o líder.

Deus jamais permitirá que algo ocorra contra a sua vontade. Entendo que as vezes precisamos da imperfeição de alguns líderes para nos aprimorarmos.  Em algumas ocasiões vi pessoas chamadas precisarem ser desobrigadas em sequência por conta de transgressões. Teria sido um erro? Talvez a única maneira de salvar aquela pessoa era colocá-la em um chamado que exigisse um nível espiritual que não possuísse, e que a forçou a reconhecer seus erros.

Procure ver como Cristo vê.

O que Deus viu para chamar aquele líder? Certamente há qualidades para beneficiar a igreja, e também há desafios e qualidades na organização que vão moldar o líder. Deus não atenta para aparência, qualificação ou outros fatores tão importantes para a mente humana.

Personalidade diferente não é pecado.

Uma “choradeira” ocorre na época de mudanças em chamados, principalmente daqueles líderes que permaneceram muito tempo exercendo uma função. Cada pessoa leva para seu chamado algumas características pessoais acumuladas em sua bagagem de vida. Alguns são mais diretos, outros mais cautelosos ao falar, alguns demoram para decidir, outros são rápidos, alguns tímidos, outros expansivos, alguns talentosos ao ensinar, outros experimentam algumas dificuldades.

As normas e procedimentos da igreja não mudam, mas a forma de conduzir é afetada pelas características pessoais. Isto acaba sendo um benefício para o progresso da igreja causando uma renovação.

Apoie, principalmente nos erros e fraquezas.

A experiência de Aarão e Ur é emblemática. Havia um profeta fisicamente fraco, que não conseguia manter seus braços elevados em um momento onde isto era vital para o povo israelita, neste caso por uma incapacidade física. Consigo até imaginar a atitude de algumas pessoas reclamando, criticando Moisés, mas os dois tinham o que Moisés não tinha, e utilizaram suas capacidades em favor do seu líder e seu povo, suprindo sua falta de capacidade.

Gosto de lembrar que ter uma amizade estreita com o líder não é um requisito para que possamos nos beneficiar de seu chamado, em outras palavras precisamos respeitar o líder e sua autoridade concedida por Deus. Se a personalidade do líder não nos agrada, mesmo assim podemos nos beneficiar do serviço deste líder. Não estou falando de falsidade e adulação, estou falando de respeito, não somente pelo que popularmente chamamos de manto, mas também o respeito aos limites e incapacidades que nossa natureza humana e dual trazem.

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Luciano Sankari

Serviu na Missão Brasil Recife Sul de 1996 a 1998.Graduado em medicina em 2003 na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com Especialização em Cardiologia HC-UFPR e em Gestão do Trabalho e Educação em Saúde ENSP/FIOCRUZ. Trabalha na área de psiquiatria há 12 anos. É Presidente da Estaca Curitiba Brasil Novo Mundo. Casado, tem 3 filhos.
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