Esse ano, completei dez anos em que me tornei um membro de A Igreja De Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E um dos momentos mais marcantes durante esses dez anos, foi a minha decisão em servir em uma missão de tempo integral. Sou membro único da minha família, e como alguns, na época eu não tinha recebido apoio da família para partir em uma missão.
Eu morava com a minha querida avó e mais três primos na cidade de Manaus no Amazonas. Lembro-me, com carinho, do tempo em que estava me preparando para partir para o campo missionário. A compra da mala, das gravatas, camisas, sapatos… Tudo foi com muito esforço e com ajuda dos amigos da congregação que eu frequentava na época.
Assim como muitos jovens da Igreja, me empolguei e pensava que o trabalho missionário consistia apenas em ajudar os pesquisadores, os ramos e alas que faziam parte de minha missão. Mas não foi bem assim que aconteceu …
Passaram-se três anos desde que retornei de minha missão. Tive o privilégio de servir na Missão Brasil Santa Maria-RS. Ao olhar as fotos, sempre sou tomado de um sentimento de gratidão ao Pai Celestial pelo serviço que pude prestar durante os vinte e quatro meses.
Ao retornar para casa, a frase que tanto ouvi de outros missionários retornados, era: ” É como cair do céu ao inferno ”. Ao perdermos o manto de ministro do evangelho, caímos na realidade da vida e percebemos as prioridades  e esquecemos de outras.
Conheci inúmeros missionários retornados que por algum motivo se distanciaram do evangelho. Outros se casaram e se divorciaram, e outros se tornaram bem sucedidos, excelentes pais, lideres e profissionais no mercado de trabalho. Com algumas experiências assim, dei-me conta de que o tempo de missão era o tempo de vencer a si mesmo.  
Percebi por mim mesmo, que as experiências vividas no campo missionário serviriam para os desafios que viriam durante a minha jornada terrena. Muitos pensam (ou pensavam como eu) que na missão é tempo de ensinar o evangelho, quando na verdade é tempo de aprender a viver o evangelho, ou que talvez pensem que é tempo de clamar o arrependimento, mas quando na verdade é tempo de se arrepender mais.
É depois da missão que provamos ao Senhor que tipo de servos realmente fomos. É após a missão que devemos acreditar fielmente nas doutrinas e princípios que ensinamos aos pesquisadores.  É o tempo onde aprendi a confiar em Deus e de orar e Jejuar como nunca fiz antes. É tempo de amar e de servir ao próximo e esquecer de si mesmo. É um tempo de ser amado, de amar e dar mais valor à sua família como nunca antes. É uma época em que desejamos que eles sintam o que sentimos.
Foi na missão que aprendi a ouvir mais o Espirito Santo e a confiar mais no Pai Celestial e a segui-lo sem dúvidas ou temor. É tempo onde o  coração falta  explodir de alegria com os frutos recolhidos, mas também é tempo de conter o orgulho. Sem dúvidas é o tempo de reconhecermos que sozinho não conseguimos nada. É o único tempo de reconhecer a mão de Deus em todas as coisas e foi assim que aconteceu com o falecimento do meu pai, enquanto eu servia em minha penúltima área da missão…. 
Há aqueles que pensam que é tempo de falar  de Jesus Cristo, quando na verdade é o tempo de ser como Ele é. Tempo esse que você mostra que você tem que lutar contra o seu maior inimigo: ” VOCÊ MESMO”. Onde seus exemplos valerão mais do que mil palavras. 
Aprendemos em Doutrina & Convênios 18:15 : ” Se (…) trouxerdes a mim mesmo que seja uma só alma, quão grande será vossa alegria com ela no reino de meu Pai’‘, isso inclui a si mesmo, pois não é isso que aprendemos em Tiago?: “Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” ( Tiago 5:20)
É na missão que aprendi que é o tempo de estar com o Salvador no Jardim do Getsêmani e sentir sua dor pelos pecados do mundo e seu amor pelos pecadores. Sim, até mesmo aqueles que renegam e zombam de sua mensagem. É tempo de verdadeiramente conhece-lo e Ele nunca mais será um estranho para nós. É  um tempo único de calejar os joelhos em fervorosas orações e de ser rapidamente amparado. E é todo esse tempo que devemos colocar em pratica na vida.
Desde que entrei na Igreja, ouvi dizer que a missão torna o homem melhor em tudo: melhor pai, melhor marido, melhor profissional, melhor líder e etc. Na realidade, agora, e somente agora, aprendi que a missão não é garantia de nada, desde que tudo ou quase tudo que aprendemos na missão seja colocado em pratica, dia após dia. 
Infelizmente também tive amigos ex-missionários que não estavam a altura de seus chamados, e acabaram tomando outros caminhos em sua jornada mortal. Mas sou eternamente grato pelo aprendizado que tive em minha missão de tempo integral, são coisas que guardo em minha mente e em meu coração. Acredito que não há nada maior que o missionário possa aprender em relação à sua futura integridade, do que o valor do aprendizado pessoal.
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Elias Rozendo

Nasceu no dia 14 de Fevereiro de 1990, na cidade de São João Del Rei- MG. Conheceu a Igreja em Manaus e foi batizado em 2005. Fez seminário e cursa o instituto. Serviu na Missão Brasil Santa Maria, onde recebeu a inspiração para escrever o seu primeiro livro ' A VERDADE SOBRE OS MÓRMONS''.É apaixonado por comunicação.
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