Artistas de rua são solitários, concordam? Sempre que posso eu os observo e analiso suas tentativas de ganhar a vida se apresentando sozinhos nas esquinas das muitas ruas.

Hoje foi bem diferente, pois observei duas lições marcantes. Um malabarista que se equilibrava sobre uma corda estendida, fazia seu número de costume, lançando pinos e os equilibrando no ar enquanto ele próprio tentava se manter sobre a corda bamba.

De repente, num infortúnio momento, o artista perdeu sua concentração, levando vários pinos ao chão. Chateado, ele imediatamente começou a se reprimir. Desceu da corda, catou os pinos e foi se sentar afastado de tudo.

O homem estava cabisbaixo e reclamava consigo mesmo. Com umas das mãos ele apertava os olhos quase que escondendo o rosto enquanto continuava sua repreensão solitária, e em voz alta. Como ele havia derrubado os pinos que equilibrava, não foi até os carros para tentar receber alguns trocados.

Seu trabalho, ou aquilo que ele se propôs a fazer, não tinha sido realizado corretamente, portanto não havia o que receber. Senti-me comovida com sua dor e visível decepção. E para minha surpresa e maior aprendizado, um motorista começou a buzinar e a chamar o desapontado artista, estendendo-lhe a mão, oferecendo-lhe uns trocados.

“Mas caiu tudo, véio! ” – disse o malabarista meio sem jeito. O motorista não lhe respondeu, apenas balançou a cabeça, torceu o nariz, como quem diz: “não foi nada, não!”. – Nesse momento eu já tinha caído no choro! Choro de quem acabara de ver duas lindas lições diante dos próprios olhos.

Primeiramente com o artista, que no seu “malabarismo” para ganhar a vida, se mantém digno, homem honesto, não querendo receber ou cobrar NADA que não considerasse ser merecedor. Já a atitude da mão estendida pelo motorista, sem usar palavras, me fez ouvi-lo dizer: TENTE DE NOVO!

Achei esse gesto fantástico! O quanto precisamos ser assim, tal como o motorista – rápidos em estender a mão! Velozes no agir! E poder dizer para quem estiver fazendo seus “malabarismos” à nossa volta na tentativa de crescer, ou de vez em quando até para nós mesmos: TENTE DE NOVO!! Tente de novo! E mais uma vez “tente de novo”. Que EU possa ser essa motivação para quem EU puder ajudar e poder dizer “TENTE NOVAMENTE” quantas vezes for preciso. Não desista!

Siga-me!

Vera Ribeiro

Vera Ribeiro, casada, mãe de três filhos, é escritora de livros infantis e juvenis. Além dos livros, desde 2011 tem tido publicações de alguns poemas e crônicas no exterior. Atualmente está trabalhando em projetos de CDs, peças teatrais e videoclipes voltados para o entretenimento da criança brasileira.
Siga-me!

Últimos posts por Vera Ribeiro (exibir todos)