Quando vamos a uma empresa telefônica comprar um plano para celular nos  são apresentados alguns pacotes fechados a escolher, há um único tipo de contrato de cada plano para todos usuários, não há opção de escolha, é um contrato de adesão. Se você concorda assina, se não, vai à outra operadora.

Um pouco diferente pode ser a venda de um imóvel onde negocio o preço, posso dizer ao construtor que aceito comprar, mas ele precisa trocar algum metal, ou colocar um piso. Este é um contrato consensual, os termos são passíveis de negociação.

O evangelho é um contrato, ou melhor, um convênio de adesão. Os termos do contrato ou sejam as leis, ritos e ordenanças do evangelho estão prontos e são inegociáveis. Nós acreditamos em uma teocracia, uma monarquia onde há um rei com conhecimento total e absoluto, que sabe o que é melhor para nós.

Tomamos uma decisão final no conselho dos céus, aceitamos o plano oferecido por Eloim, nosso Pai Eterno. Lá tivemos o privilégio de apoiar, em uma maioria de dois terços, seguir o plano dele. Nascemos sem lembrar deste dia em que todos os que nasceram e nascerão na terra apoiaram o Plano de Salvação.

Esta escolha foi uma primeira grande seleção, um terço dos filhos de Deus se perdeu. As escrituras falam frequentemente de outras seleções. A parábola do joio e do trigo fala sobre nossos dias, onde os dois vegetais crescerão e amadurecerão juntos, mesmo dentro da igreja.

No prefácio do Senhor para Doutrina e Convênios temos a seguinte advertência?

“E o braço do Senhor será revelado; e chegará o dia em que aqueles que não ouvirem a voz do Senhor nem a voz de seus servos nem atenderem às palavras dos profetas e apóstolos serão afastados do meio do povo; Pois desviaram-se de minhas ordenanças e quebraram meu convênio eterno. Não buscam o Senhor para estabelecer sua retidão, mas todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio Deus,” D&C 1:14-16

Até há algum tempo atrás pensava que a separação do joio e do trigo ocorreria somente por um processo físico e traumático como fogo, terra se abrindo, furacões dentre outros eventos. A escritura acima abre o entendimento de que a remoção das raízes do joio, os que serão desarraigados,  serão por um processo mais gradual que se inicia em pessoas que optarão por  “não ouvirem a voz do Senhor nem a voz de seus servos nem atenderem às palavras dos profetas e apóstolos”. Na maioria das vezes estas pessoas não conseguem suportar a doutrina, principalmente a “louca” parte deste convênio que é acreditar que homens comuns são chamados para representar Deus a despeito de suas falhas e imperfeições.

Noé talvez tenha sido o campeão de rejeição, somente oito pessoas levantaram a mão para apoiá-lo como profeta, incluindo ele mesmo, e que foram salvos por entrar  na arca. Moisés teve que suportar o desafio de lidar com um povo de comportamento pendular, ora o agredindo com sua descrença, ora obedecendo. Cristo não foi unanimidade.

Nestes últimos dias, onde o mundo amadurece em pecado, onde os direitos se sobrepõe aos deveres e as pessoas desconhecem os procedimentos do Deus em quem deveriam confiar, algumas mãos levantadas contra profetas e apóstolos não deveriam nos chocar.

O próprio Salvador profetizou que haveria pessoas e grupos de pessoas que  “farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível, enganariam até os eleitos.” Mateus 24:24  Hoje em dia estes grandes sinais pode ser um séquito volumoso de seguidores no Twiter ou outras redes sociais, discursos e vídeos jocosos ou inflamados, pode, até mesmo, ser entrar em um centro de conferências lotado de apoiadores do profeta vivo para dar um voto de  sua desaprovação aos líderes chamados pelo Senhor.

O voto não é de escolha e sim de apoio, líderes não são escolhidos democraticamente. O SENHOR UNGE E ESCOLHE, e a nós é facultado apoiar a escolha ou não. Levantar a mão em contrariedade aos profetas e apóstolos é um julgamento. Quem está sob júdice não são os profetas e apóstolos, muito menos o Senhor, mas sim o que levanta a mão.

Quando levanto a mão em apoio estou dizendo ao Senhor que farei todo o necessário para ajudar e honrar o líder chamado, meu proceder posterior demonstrará se honro meu convênio feito. Em síntese, os que levantam a mão contra declaram não desejar seguir ou apoiar o escolhido de Deus, que não deixará de ser o escolhido de Deus.

Em nossas congregações mais elementares, alas e ramos, um voto contrário, pode ser mais significativo, principalmente se o membro tem conhecimento que a pessoa a ser apoiada apresenta um impedimento não conhecido pela liderança, que não é infalível. A pessoa será ouvida cuidadosamente para que seja investigada a objeção. Caso o voto contrário seja baseado em diferenças de personalidade, e não em pecado, ou erros dos quais o líder chamado já se arrependeu, as pessoas que votaram contra serão incentivadas a olhar para estes líderes como Cristo olha.

Pensando de modo carnal, nos quóruns mais elevados da igreja são chamados homens experimentados em várias grandes  responsabilidades, por homens de experiência similar, isto faz com que a possibilidade de erros seja praticamente nula. Mas além disto sabemos que após estudar cuidadosamente, tudo é aprovado por Deus. Do mesmo modo os que erguem a mão em contrário serão ouvido pelos seus líderes locais.

A igreja tem sido firme em defender os mandamentos, não há decisões baseadas em convenções sociais. Há fortes grupos organizados que querem que a igreja mude mandamentos para tornar o evangelho conveniente, para dar uma “alargada” no caminho estreito e apertado.  O conjunto de  mandamentos não é um buffet self service onde podemos escolher o que mais nos agrada, são sim  um belo prato completo preparado pelo chefe para ser degustado por completo. O Elder Joseph B. Wirthlin disse: “Para os que se afastaram por causa de questões de doutrina, não podemos desculpar-nos por pregar a verdade. Não podemos negar a doutrina que nos foi dada pelo próprio Senhor. Em relação a esse princípio, não fazemos concessões.” Preocupação pela Ovelha Perdida, conferência geral de Abril de 2008.

A Lei celestial exige submissão às autoridades divinamente constituídas. “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a maneira de viver deles. Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de prestar conta; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” Hebreus 13:7,17

“Porque aquele que não consegue viver a lei de um reino celestial não consegue suportar uma glória celestial.
Aquilo que transgride uma lei e não obedece à lei, mas procura tornar-se uma lei para si mesmo e prefere permanecer no pecado, nele permanecendo inteiramente, não pode ser santificado por lei nem por misericórdia, justiça ou julgamento. Portanto, permanece imundo ainda.” D&C 88:22-35

A cada passo para o futuro, vozes contrárias aos padrões da igreja, ou seja mandamentos, se erguerão, mesmo dentre os santos. Não podemos esperar outra coisa, isto seria contrário as profecias que demonstram o afastamento da humanidade do modo de pensar de Deus. Esta perspectiva não deve nos eximir da responsabilidade de prestar testemunho,  ensinar, mas principalmente amar as pessoas que não apoiam os profetas vivos. Nosa batalha não é contra homens, o respeito às opiniões divergentes é algo desejável para um cristão.

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Luciano Sankari

Serviu na Missão Brasil Recife Sul de 1996 a 1998.Graduado em medicina em 2003 na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com Especialização em Cardiologia HC-UFPR e em Gestão do Trabalho e Educação em Saúde ENSP/FIOCRUZ. Trabalha na área de psiquiatria há 12 anos. É Presidente da Estaca Curitiba Brasil Novo Mundo. Casado, tem 3 filhos.
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