Certa vez eu fui à padaria comprar pães e frios para minha família. Ao passar pelo caixa com a comanda eletrônica, percebi que só havia o valor do pão; a atendente esquecera de acrescentar o valor dos frios. Automaticamente eu avisei que estava faltando o valor dos frios e disse à ela o que eu havia comprado, e a resposta dela foi “Nossa! Puxa vida, moço, muito obrigada!” E eu, perplexo, perguntei “Obrigado por quê?” “Pelo senhor ter sido honesto! Se fosse outro teria deixado por isso mesmo…” Agradeci o elogio e disse àquela moça que eu só queria o que era meu, e que a minha atitude deveria ser o normal e não a exceção. Ao sair dali fiquei pensando nas 4 primeiras palavras da décima terceira regra de fé de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: “Cremos em ser honestos”.

O Élder Quentin L. Cook, em seu discurso intitulado “Que Haja Luz“, proferido na Conferência Geral de outubro de 2010, afirmou que “A honestidade é um princípio que se baseia na crença religiosa e é uma das leis básicas de Deus.” Ele também conta uma história que aconteceu quando ele advogava na Califórnia e recebeu a visita de um amigo e cliente que não era membro da Igreja que, com grande entusiasmo, mostrou uma carta que recebera de um bispo mórmon de uma ala próxima. Eis o relato:

“O bispo contou que esse homem, antigo funcionário de meu cliente, subtraíra materiais do escritório de meu cliente, com a justificativa de que eram excedentes. Mas depois de tornar-se um santo dos últimos dias fiel e tentar seguir a Jesus Cristo, o funcionário reconheceu que seus atos tinham sido desonestos. A carta vinha acompanhada de uma quantia que cobria não só o custo dos materiais, mas também os juros. Meu cliente ficou impressionado ao ver a Igreja, por meio de seus líderes leigos, ajudar esse homem em seu empenho para reconciliar-se com Deus.

Pensem na luz e verdade que o valor compartilhado da honestidade tem no mundo judaico-cristão. Pensem em como a sociedade se beneficiaria se os jovens não trapaceassem na escola e se os adultos fossem honestos no local de trabalho e fiéis ao cônjuge e aos votos matrimoniais. Para nós, o conceito fundamental da honestidade baseia-se na vida e nos ensinamentos do Salvador. A honestidade também é um atributo valorizado por muitas outras religiões e na literatura histórica. O poeta Robert Burns escreveu: “Um homem honesto é a obra mais nobre de Deus”. Em quase todos os casos, as pessoas de fé sentem que a honestidade é algo que devem a Deus. Foi por esse motivo que aquele homem na Califórnia se arrependeu de suas atitudes desonestas do passado.”

Essa história me fez pensar no que está escrito no livreto Para o Vigor da Juventude, na seção – Honestidade e Integridade; os jovens da Igreja estão acostumados com essa declaração:

“Seja honesto(a) com você, com os outros e com Deus, o tempo todo. Ser honesto(a) significa decidir não mentir, roubar, enganar ou trapacear de modo algum. Se você for honesto(a), desenvolverá uma força de caráter que lhe permitirá prestar grande serviço a Deus e às pessoas. Você será abençoado(a) com paz de consciência e respeito próprio. Terá a confiança do Senhor e estará digno(a) de entrar em Seus templos sagrados.” Para o Vigor da Juventude – Honestidade e Integridade.

Sempre me sinto profundamente tocado ao reler o relato que se acha em Alma 53:20, no Livro de Mórmon, à respeito dos jovens guerreiros de Helamã:

“E eram todos jovens e muito valorosos quanto à coragem e também vigor e atividade; mas eis que isto não era tudo—eles eram homens fiéis em todas as ocasiões e em todas as coisas que lhes eram confiadas.”

Ainda no livro de Alma, capítulo 27, versículo 27, Mórmon, referindo-se aos lamanitas convertidos que ficaram conhecidos como o povo de Ânti-Néfi-Leí, escreveu:

“E eles estavam com o povo de Néfi e foram também contados com o povo que era da igreja de Deus. E também se distinguiram por seu zelo para com Deus, assim como para com os homens, porque eram perfeitamente honestos e justos em todas as coisas; e conservaram-se firmes na sua fé em Cristo até o fim”.

Minha pergunta é: somos honestos?

Creio que a maioria de nós (ou poderíamos afirmar que todos), se declara honesto, não? Mas quando lemos o que Mórmon disse à respeitos dos laminadas convertidos de que eles “eram perfeitamente honestos e justos em todas as coisas; e conservaram-se firmes na sua fé em Cristo até o fim“ temo que nossa resposta não seja tão confiante assim. Isso porque quando pensamos em honestidade, pensamos nos negócios, no troco da padaria e coisas do tipo, mas somos perfeitamente honestos em todas as coisas? Volto a citar o Para o Vigor da Juventude: “Seja honesto(a) com você, com os outros e com Deus, o tempo todo.”

O bispo Richard C. Edgley, em seu discurso intitulado “Três Toalhas e um Jornal de 25 Centavos” proferido na conferência de outubro de 2006, relata:

“É triste, mas alguns dos maiores valores ausentes do mundo atual são a honestidade e a integridade. Nos últimos anos, inúmeros líderes do mundo dos negócios foram denunciados publicamente por desonestidade e outras formas de mau comportamento. Dezenas de milhares de funcionários antigos e leais perderam seu meio de subsistência e pensão. Para alguns, isso resultou na perda da casa própria e na interrupção dos estudos e de outros planos de vida. Lemos e ouvimos falar da desonestidade generalizada nas escolas, praticada por alunos mais preocupados em receber boas notas ou diplomas do que em aprender e preparar-se.

Ouvimos falar de alunos que no passado usaram meios ilícitos para concluir a faculdade de Medicina e hoje estão realizando cirurgias complicadas em seus pacientes. Pessoas idosas e outras são vítimas de fraudadores, o que não raro resulta na perda de imóveis ou de economias de toda uma vida. Essa desonestidade e a falta de integridade sempre surgem da ganância, arrogância e desrespeito.”

Outro lugar onde vemos o enaltecimento da desonestidade é em alguns esportes. Vou citar apenas um velho conhecido nosso: o futebol. O jogador esperto, bom de bola, malandro, admirado pela torcida, geralmente está relacionado àquele que simula situações que não ocorreram, justificando seus atos como “coisa do jogo”, “valorização da jogada” ou que, “se não fizer assim, o juiz não marca a infração”.

Na política então, nem se fala! E não estou falando dos figurões que estão concorrendo aos altos cargos governamentais de nosso país e estados. Vemos pessoas defendendo interesses pessoais ao invés do serviço em prol da comunidade.

Volto à pergunta: somos perfeitamente honestos em todas as coisas?

“Seja honesto(a) com você, com os outros e com Deus, o tempo todo.”

Uma qualidade que está atrelada a honestidade é a integridade, ela é a chave para a resposta da pergunta sobre sermos perfeitamente honesto em todas as coisas:

“Integridade significa pensar e fazer o que é certo o tempo todo, sejam quais forem as consequências. Quando somos íntegros, estamos dispostos a viver segundo nossos padrões e nossas crenças, mesmo que ninguém esteja observando.” Para o Vigor da Juventude – Honestidade e Integridade.

É nesse ponto que corremos perigo, quando ninguém está observando.

Quando estamos à sós conosco mesmos é quando acontecem as maiores batalhas entre o homem natural e o homem de Deus.
Pensem, por exemplo, em nossa oração pessoal; pedimos ao Senhor as coisas que desejamos receber Dele, certo? Pedimos bençãos diversas e confiamos na misericórdia divina, mas já repararam que a honestidade é essencial ao pedirmos coisas a Deus?

Eu não seria totalmente honesto, por exemplo, se pedisse ao Senhor ajuda para uma prova da escola se não tivesse prestado atenção às aulas, feito os deveres ou estudado para essa prova.

Quantas vezes, quando oramos, o Espírito não nos fez admitir que devíamos fazer mais para receber a ajuda que pedimos ao Senhor?

É contrário à doutrina dos céus que o Senhor faça por nós algo que podemos fazer por nós mesmos.

Gostaria de citar mais uma parte do discurso do Bispo Edgley:

“A honestidade é a base de uma verdadeira vida cristã. Para os santos dos últimos dias, a honestidade é um requisito importante para entrar no santo templo do Senhor. A honestidade permeia os convênios que fazemos no templo. A cada domingo, ao participarmos dos emblemas sagrados da carne e do sangue do Salvador, renovamos nossos convênios básicos e sagrados, que incluem a honestidade. Como santos dos últimos dias, temos a sagrada obrigação não somente de ensinar o princípio da honestidade, mas também de vivê-lo. A honestidade deve estar entre os valores mais fundamentais que governam nosso cotidiano.

Quando somos fiéis aos princípios sagrados da honestidade e da integridade, somos fiéis a nossa fé e somos fiéis a nós mesmos.”

Como seria o mundo se fôssemos “perfeitamente honestos e justos em todas as coisas; e conservando-nos firmes na nossa fé em Cristo até o fim” e “fiéis em todas as ocasiões e em todas as coisas que nos fossem confiadas”?

Como seriam as pessoas, se fossem honestas consigo mesmas, com os outros e com Deus, o tempo todo?

Se queremos descobrir essas respostas, sejamos nós mesmos como os jovens de Helamã, “homens (e mulheres) íntegros e sóbrios, pois haviam aprendido a guardar os mandamentos de Deus e a andar retamente perante ele.”

Que tal por em prática lições simples tal como “amarás o teu próximo como a ti mesmo” ensinada em Mateus 22:39 e Marcos 12:31, para que haja mais honestidade no mundo dos negócios, nas escolas, no lar ou em qualquer outro local; para que possamos declarar em alto e bom som que realmente “Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos” (13ª Regra de Fé) para que possamos considerar “o estado abençoado e feliz daqueles que guardam os mandamentos de Deus. Pois eis que são abençoados em todas as coisas, (…) e se eles se conservarem fiéis até o fim, serão recebidos no céu, (…) [e habitarão] com Deus em um estado de felicidade sem fim”.

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Luiz Laffey

Luiz Laffey é ator profissional há 18 anos, radialista há 27 e DJ há 35. Casado, é pai de 4 filhos.
Multimídia, Luiz Laffey transita pelo meio artístico com trabalhos realizados na TV e no rádio. Dublagem, novelas, cinema, rádio e publicidade fazem parte do seu dia-a-dia. E com certeza você já ouviu a voz dele. Atualmente serve como Diretor de Assuntos Públicos da Área São Paulo Oeste.
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