Durante o mês de fevereiro, um time de arqueólogos, estudantes e mergulhadores, liderados pelo Dr. Richard Hauck, vai estar na Terra da Abundância de Néfi, em uma escavação para encontrar respostas para algumas questões decisivas sobre as condições do local em 600 AC. Representando a revista Meridian, “os inspetores” vão estar lá também para dar aos nossos leitores a cobertura dia-a-dia dessa aventura espiritual e arqueológica. Venha conosco para o extremo da Península Arábica na fronteira de nossa história das escrituras antigas.

A Khor Kharfot Foundation, presidida por Clyde e Karen Parker, Mark e Lori Hamilton e “os inspetores”, enviou grupos de arqueólogos, botânicos e estudantes duas vezes em 2013 e novamente no ano passado para fazer reconhecimento e analisar o local. Agora o trabalho se expande.

A incrível história de como o Sultão de Omã permitiu que arqueólogos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias escavassem em um local que poderia ser a Terra de Abundância de Néfi

por Meridian Magazine

Isso é absolutamente fascinante! Os restos de um antigo templo Hebreu em um cenário que se encaixa perfeitamente na descrição que Néfi fez de Abundância foi descoberto e, agora, um país muçulmano permitiu que arqueólogos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tivessem a chance de escavar o local.

Parecia impossível que o governo que comanda o devoto país muçulmano de Omã, no limite sudeste da Península Arábica, iria conceder permissão a um grupo de arqueólogos, liderados por um Santo dos Últimos Dias, para cavarem em uma praia isolada chamada Khor Kharfot, que é não apenas a mais, mas provavelmente a única candidata viável a ser a Terra de Abundância de Néfi.

Não apenas Omã deu permissão, mas eles estão dispostos a serem nossos parceiros, facilitando o trabalho, permitindo que amostras sejam retiradas do país para serem analisadas e muito mais. Estes são os muçulmanos graciosamente apoiando um projeto Mórmon: saber tudo o que podemos à respeito da Terra da Abundância de Néfi.

Como isso se deu é a memorável história que vamos contar aqui, mas entender porque isso é de tirar o fôlego requer antes algum contexto.

Ao descrever a Terra da Abundância onde construiu um barco, Néfi nos dá detalhes específicos, inclusive que é um lugar na costa do mar acessível pelo alto deserto, diretamente a oeste de Naom, um lugar de muitas frutas e mel e um lugar como muita madeira. O lugar deve ter um suprimento de água fresca, minério de ferro para fazer ferramentas, pedregulhos para fazer fogo, uma montanha perto o suficiente para que ele possa ir até lá e orar sempre, e penhascos perto da encosta já que seus irmãos ameaçaram jogá-lo.

A localização de Naom foi descoberta no Yemen, um lugar que recebeu este nome muito antes de Leí fazer a difícil jornada por aqueles caminhos 600 anos Antes de Cristo. Então o que está diretamente ao leste de lá poderia possivelmente se encaixar nesses critérios especificados ou sugeridos na história de Néfi?

Francamente, a Abundância de Néfi não se encaixa na seca, árida e sem árvores extensão da Arábia. Sua Abundância seria tão distinta quanto um diamante na areia naquela paisagem. O que é coberto por árvores e verdejante na Arábia? Só existem poucos candidatos possíveis – e todos eles perdem de várias formas. Só um lugar se encaixa em todos os critérios – uma praia isolada perto da fronteira do Yemen chamada Khor Kharfot.

Warren Aston descobriu este lugar mais de 25 anos atrás e um pequeno grupo de Santos dos Últimos Dias descobriu seu caminho por essas praias desde então. O que estava claro é que apesar de estar totalmente desocupado por enquanto, ao menos dois grupos de pessoas viveram nessa pequena área no passado e deixaram sua arqueologia para trás como testemunhas de que eles estavam lá.

Uma lagoa de água fresca divide a praia e em ambos os lados há uma rica área de arqueologia. Longas linhas duplas de pedras se estendem ao longo da praia. Encostas e os restos caídos de edificações marcam a paisagem. Um grande morro que foi um dia uma espécie de torre levanta-se a oeste. Uma saliência protege antigos grafites. Paredes direcionam o que antes era o leito das águas de uma fonte na montanha. A arqueologia em Khartof é imaculada, intocada, ainda não foi estudada e praticamente pede para ser compreendida.

Se essa é a Abundância de Néfi, perguntas saltam imediatamente à mente. Qual era a diferença da vegetação então? Quais árvores estavam crescendo? Que dizer sobre a lagoa que agora está represada por um banco de areia e não consegue chegar ao mar? Será que suas águas um dia corriam diretamente para o mar e era, portanto, um lugar perfeito para se construir um barco?

Qual foi a data que os primeiros colonizadores vieram, e então deixaram este lugar? Será que Néfi e Leí chegaram em um lugar com moradias abandonadas, assim como o Senhor tinha prometido, cada coisa que eles precisariam estava preparada para eles, e eles só tiveram que ocupar o lugar?

A questão mais importante

A questão mais importante de todas é a mais aflitiva de se perguntar. Será que Néfi e Leí deixaram para trás algo que possa indicar que eles estiveram lá? A princípio, a resposta parecia ser ‘não’. Eles estiveram aqui talvez dois ou quatro anos preparando todas as coisas e construindo esse barco, mas não tempo o suficiente para ter deixado suas marcas.

Foi o que todos nós presumimos, mas quando Warren Aston deu para Richard Hauck um desenho dos restos de uma estrutura particular no lado ocidental de Khor, ele ficou chocado.

Hauck tinha estudando amplamente o Templo de Salomão, O Tabernáculo no sertão e estruturas semelhantes na América Central, então ele reconheceu imediatamente o que estava observando. Ele tinha os olhos treinados para ver o que nenhum outro observador casual poderia perceber.

O que estava desenhado era o contorno de um santuário para adoração com um registro arquitetônico e um formato que remetia diretamente ao do Templo de Salomão. Se parece de muitas formas com os restos de um santuário Hebreu. Naquela viagem e nas que se seguiram para Khor Kharfot, Hauck estudou cuidadosamente o local onde esse desenho tinha sido feito.

Ele podia ver a partir dos restos deixados para trás que a estrutura, que um dia esteve ali, empregava os conceitos sagrados em medidas e formato que tinham sido usados para construir o Templo de Salomão. Na verdade, ele encontrou 14 correlações que se alinhavam não apenas com o Templo de Salomão, mas dois locais de templos nos quais ele havia trabalhado na América Central.

Como um arqueólogo, Hauck percebeu que estava deixando de apenas imaginar que Kharloft era o possível local da Abundância de Néfi, mas começava a acreditar que era provável. Quem se não um profeta teria construído um santuário para sua família adorar de modo que incorporasse especificamente todos os conceitos sagrados evidentes no Templo de Salomão.

O que também era intrigante era que, apesar da vasta arqueologia em Kharkof indicando que outra população muçulmana tinha estado no local por algum tempo nas últimas centenas de anos, o local do santuário estava intocado. O local do santuário é o ponto mais favorável em Kharfot, sendo no alto de uma cordilheira que recebe constantemente a brisa do oceano que ameniza o calor presente por ali.

Teria sido um lugar muito provável para alguém construir, apesar de encobrir o santuário que esteve ali, mas as fontes que nutriam o lugar haviam secado ao longo dos séculos, e ninguém mais havia escolhido construir algo ali – uma bênção que fez com que a silhueta do santuário ficasse visível.

Agora, o próximo passo para aprender mais sobre o local deste santuário e para responder a todas as outras questões é cavar – e fazer aquele cuidadoso, paciente e arqueológico trabalho que revela o passado ao presente – mas isso requeria a permissão de Omã.

Os membros da Fundação Khor Kharfot sempre conversaram sobre o que nós faríamos se chegássemos a esse dilema. Nós não tínhamos certeza de que, neste país devotado à religião muçulmana, um projeto dos Mórmons sobre O “Livro de Mórmon” seria muito apreciado. Nós não tínhamos certeza, de fato, de que eles não iriam nos expulsar de Kharfot.

Hauck reuniu um sofisticado grupo de arqueólogos, nenhum dos quais eram SUD, mas cada um com especialidades que eram importantes para o trabalho, e criou um projeto arqueológico para o local.

O projeto iria responder a todas as perguntas que nós tínhamos sobre a Abundância de Néfi, assim como muito mais. Já era hora de leva-lo ao governo de Omã para conseguir a permissão. O projeto de pesquisa arqueológica era o bastante, não precisava de explicação de nossa profunda motivação – aprender mais sobre Néfi.

A coisa se complica

Em 8 de novembro de 2015, Hauck e o arqueólogo Kimball Banks tiveram dois encontros com as autoridades de Omã. Na primeira reunião estavam as pessoas chave para aprovar a escavação, Dr. Said Alsalmi, Diretor Geral para o Gabinete do Conselheiro de Assuntos Culturais e Hassan Al-Jaberi, o Diretor de locais Arqueológicos. Todos os habitantes de Omã, é claro, estavam vestidos com seus tradicionais vestuários, robes brancos e faixas na cabeça.

Hauck e Banks fizeram uma apresentação completa sobre a importância arqueológica da região de Khor Kharfot à cultura histórica de Omã. Eles falaram sobre vários fatores da pesquisa e os líderes de Omã concordaram que cada um deles era muito importante.

Eles disseram que a decisão final sobre a permissão não demoraria muito, mas seria tomada naquele mesmo dia e tudo parecia favorável. Então veio a surpresa quando Said disse que eles logo se encontrariam com o conselheiro do Sultão, sua excelência Al Rowas.

Enquanto eles estavam saindo para essa reunião, Hassan fez uma pergunta, que deixou Hauck perplexo. Ele disse que ele estava confuso para saber se havia de fato um ou dois profetas. Eram Néfi e Leí dois profetas ou apenas um? Isso não podia ter sido surpresa maior já que “O Livro de Mórmon” não tinha sido citado em momento nenhum na reunião anterior.

Tudo estava para mudar

A primeira pergunta de Sua Excelência foi algo que atraiu a atenção: “O que é que você deseja realizar ao vir para Omã?”. Hauck começou a dar a ele uma visão geral do Distrito Arqueológico do Khor Kharfot, compreendendo as ocupações do Oriente Médio nos períodos paleolítico, neolítico através da idade do bronze e do ferro.

Sua excelência claramente não gostou e disse que Hauck não tinha realmente respondido à pergunta que ele havia feito de várias formas. “Vocês não vieram até este local e gastaram tanto para estudar o comércio de incenso? Nós sabemos o que está acontecendo em Khor Kharfot. Se você não responder a essa pergunta, nossa entrevista vai terminar imediatamente”.

Hauck escreveu: “quando eu percebi o que o conselheiro estava pedindo, eu imediatamente concluí que eu deveria dar a ele o que estava procurando, mesmo que isso pudesse acabar com nossa oportunidade de obter permissão para trabalhar em Khor Kharloft. Eu sabia que explicar para eles a conexão Mórmon com Omã – que Khor Kharfot é um candidato viável para a Terra de Abundância perdida onde um barco foi construído por antigos profetas do “Livro de Mórmon” – poderia fazer com que fossemos chutados pra fora do país. Concluindo que ser transparente sobre nossas intenções de pesquisa era a única chance que tínhamos de ter sucesso nessa empreitada, eu mergulhei no caldeirão fervendo.

“Respirando fundo eu disse ‘Eu sou um Mórmon’. Mas os Drs. Kimball Banks e Linda Cummings não são Mórmons e portanto não estão interessados nas conexões Mórmons em Khor Kharfot”. Eu continuei dizendo que por causa dessa fundamental e necessária diferença nós, como profissionais, trabalhamos em duas camadas. Uma camada é o plano de pesquisa geral completa que precisa ser feita para podermos compreender o contexto cultural de tempo e espaço para o distrito de KK. E na outra camada, que como Mórmons nós sobrepomos sobre a primeira, se relaciona à proposta que nós Mórmons temos de querer fazer uma pesquisa arqueológica e ambiental em KK.

“Eu prossegui destacando que a pequena família de Leí fugiu da opressão e fez uma jornada desde Jerusalém rumo ao sul, junto com a caravana na rota do incenso até Naom, no que é hoje o Yemen, e então eles rumaram diretamente para o leste e continuaram até a costa do Mar Arábico no atual Estado de Omã. Essa direção os trouxe diretamente para a área de Khor Kharfot. Eu mencionei que, por um curto perído, estimado de dois a quatro anos, eles estiveram na costa de Omã construindo um barco que foi usado para levá-los a cruzar o mar e chegar nas Américas.

“Eu concluí contado como Néfi, em seus escritos continuamente se refere à jornada de sua família de sua destruição certa em Jerusalém à liberdade na Terra Prometida do Novo Mundo e relacionei aquela jornada ao movimento em massa de Moisés e seu povo fugindo da escravidão no Egito para a liberdade na Terra Prometida da Palestina”.

Isso era o que o conselheiro do Sultão queria ouvir. Então ele perguntou outras questões chave. Hauck disse: “Ele perguntou se nós tínhamos encontrado alguma real evidência dos primeiros visitantes do “Livro de Mórmon” a Khor Kharfot?” O Espírito estava muito forte e eu sabia que eu devia ir direto ao ponto.

“Eu respondi dizendo ‘Sim, nós temos algumas provas que podem fazer a relação entre o curto período que Leí e Néfi viveram em Khor Kharfot. Enquanto eu fazia essa declaração, eu puxei o desenho de como era o local do Santuário e o expus diante dos moradores de Omã. Eu expliquei que essa estrutura parecia representar um lugar de adoração. Sua arquitetura e suas medidas ambas sendo completamente consistentes com aquelas do Templo de Salomão em Jerusalém e também com diversos outros complexos de templos antigos nos quais eu tinha trabalhado na América Central.

“Os três líderes ouviam muito cuidadosamente e pareciam completamente abertos a tudo o que eu relatava. O conselheiro do Sultão frisou para nós que seu escritório era completamente imparcial e aberto a todos os povos e religiões e crenças e que ele e sua equipe iriam respeitar nossos interesses.”

Sua Excelência trouxe então um artigo de primeira página do jornal daquela mesma manhã contendo um artigo sobre o discurso do Sultão na 38ª Conferência Geral da UNESCO em Paris onde ele frisou a necessidade de criar e manter relações irmãs entre todas as nações e povos, ele condenava a violência que existia no Oriente Médio, e ele usa seu próprio país e governo para demonstrar a aplicabilidade de tão abertas e receptivas amizades.

No que para nós era um absoluto milagre, os líderes de Omã deram permissão total para nossos esforços arqueológicos em Khor Kharfot e serão nossos parceiros para facilitar o trabalho.

Agora, nós vamos ver o que vamos encontrar.

Tradução Eduardo Marcondes.

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Eduardo Marcondes

É jornalista há 20 anos, com ênfase na atuação em Rádio e Televisão. Foi repórter, editor e apresentador, com passagens por praticamente todas as emissoras com sede na capital paulista, entre elas o Grupo Bandeirantes e o SBT. Atualmente faz trabalhos de textos em parceria com alguns empresários e escreve regularmente na internet há pouco mais de ano.
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