O Livro de Mórmon é a tradução de um registro antigo que conta a história de como um grupo de Judeus saíram de Jerusalém, navegaram, cresceram e se desenvolveram no continente Americano. O registro cobre aspectos sociais, econômicos, políticos, bélicos e religiosos de civilizações específicas que viveram na América por um período aproximado de mil anos.

A questão que por muitos anos tem intrigado diversos pesquisadores e sido alvo de constantes ataques por parte de críticos é relativamente simples. Em que parte da América a história do Livro de Mórmon aconteceu? Que evidências arqueológicas apoiam sua autenticidade e historicidade?

Alguns talvez se perguntem se há qualquer benefício ou importância em conhecer a Geografia do Livro de Mórmon. Outros talvez vão além em firmemente afirmar que tais coisas não são importantes para nossa salvação. Não necessariamente discordo disso. É possível se banquetear espiritualmente dos ensinamentos do livro sem ter ideia alguma de onde a história aconteceu.

Sendo importante para a salvação ou não, uma coisa é certa, conhecer o contexto histórico da “pedra fundamental de nossa religião” agrega conhecimento, e conhecimento sim, é vital e essencial para a salvação.

Os 2 modelos geográficos mais comuns do Livro de Mórmon

A Teoria da Geografia Hemisférica

A visão mais comum entre Santos dos Últimos Dias está na concepção de que os eventos descritos no Livro de Mórmon aconteceram tanto no Norte como no Sul do continente Americano. Adeptos dessa teoria geralmente interpretam a “pequena faixa de terra”[1], por vezes citada no Livro de Mórmon, como a separação entre o hemisfério Norte e Sul do continente.

Aparentemente, a teoria da Geografia hemisférica do Livro de Mórmon foi inicialmente proposta por líderes como Orson Pratt, Frederick G. Williams e o próprio Joseph Smith. [2] Tal ponto de vista provê uma perspectiva simplificada e de fácil visualização dos eventos do Livro, no entanto, encontra desafios como distâncias extremamente longas (milhares de kilômetros) para serem percorridas em poucos dias como descrito no Livro de Mórmon.

A Teoria da Geografia Limitada

Outra visão que em tempos recentes tem ganhando cada vez mais força por parte de estudiosos é a teoria da Geografia limitada do Livro de Mórmon. Em outras palavras, a ideia de que os eventos do Livro de Mórmon não aconteceram em todo o continente como proposto anteriormente, mas em uma região limitada específica da América.

Apesar de contrariar a visão tradicional da Teoria da Geografia Hemisférica, tal teoria é mais plausível quando se considera pontos como:

1. Um modelo limitado se harmoniza com mais facilidade com as informações sobre distâncias entre diferentes locais, providas pelo texto do Livro de Mórmon.
2. Um modelo limitado é compatível com áreas geográficas como a Mesoamérica, conhecidas por terem sido altamente desenvolvidas culturalmente e intelectualmente.
3. Um modelo limitado oferece uma visão mais realista de sociedades antigas, que teriam grandes dificuldades em se comunicar ou transportar caso houvesse entre as cidades distâncias imensas, como proposto pelo modelo anterior.

Qual é a posição oficial da Igreja com relação à Geografia do Livro de Mórmon?

Apesar de líderes do passado como o próprio Joseph Smith, terem compartilhado suas opiniões apoiando uma visão tradicional hemisférica sobre a Geografia do Livro de Mórmon, a Igreja atualmente não vê tais declarações como revelatórias. Em outras palavras, a posição oficial da Igreja é que não há uma posição oficial da Igreja.

O Presidente Harold B. Lee declarou:

“Se o Senhor quisesse que soubéssemos onde (…) Zaraenla estava localizada, Ele teria nos dado a latitude e longitude, não acham?”[3]

A Enciclopédia do Mormonismo, uma produção então supervisionada por apóstolos declarou:

“A Igreja não tem tomado nenhuma posição oficial com relação à localização de lugares geográficos [no Livro de Mórmon] e não desencoraja esforços pessoais para lidar com esses assuntos.”[4]

A Igreja oficialmente ainda reafirmou:

“A Igreja enfatiza o valor doutrinário e histórico do Livro de Mórmon, não sua Geografia. Enquanto alguns Santos dos Últimos Dias tem procurado em alguns locais… Não há nenhuma conexão conclusiva entre o texto do Livro de Mórmon e tais lugares.” [5]

Alguns membros talvez argumentem que por ter Joseph Smith se posicionado sobre o assunto, sua visão constitui revelação divina sobre o assunto. Outros vão além ao sugerir que discordar do Modelo Geográfico Hemisférico proposto por Joseph é rejeitar os ensinamentos do profeta ou da Igreja. Tal acusação é estranha e incoerente, implicando que líderes que declararam que a Igreja não possui uma Geografia oficial do Livro de Mórmon estão igualmente a caminho da apostasia, o que certamente não é verdade. Evidências indicam que Joseph de fato recebeu visões sobre os povos antigos da América. [6]

Sobre isso, o pesquisador Michael R. Ash declarou:

“Só porque Joseph viu tais coisas em visões não significa que ele sabia onde os eventos aconteceram. Ver pessoas e edifícios não é a mesma coisa que ver um mapa ou uma imagem de satélite.” [7]

Como o estudo da Geografia do Livro de Mórmon é realizado?

O grande problema encontrado por muitos na procura dos locais descritos no Livro de Mórmon está na procura de respostas nos locais errados. O Dr. John E. Clark, arqueólogo e ex-diretor do New World Archaelogical Foundation explica um ponto crucial na formulação da Geografia do Livro de Mórmon:

“A maioria dos membros da Igreja, quando confrontados com a Geografia do Livro de Mórmon, se preocupam com as coisas erradas. Quase que invariavelmente, a primeira questão levantada é se a Geografia proposta se harmoniza com a arqueologia da área. Esta deve ser nossa segunda questão, sendo a primeira se a a Geografia proposta se harmoniza com os fatos do Livro de Mórmon. Apenas após uma proposta Geografia conciliar todos os detalhes geográficos significativos dados no Livro de Mórmon, a questão da arqueologia merece atenção. O Livro de Mórmon precisa ser o final e mais importante árbitro na decisão da precisão de uma dada Geografia; Caso contrário, seremos eternamente prisioneiros dos ventos inconstantes da opinião de experts.” [8]

Dessa forma, a maneira mais precisa de iniciar a busca pelos locais do Livro de Mórmon é em primeiro lugar, analisar o texto e baseado nele, criar um modelo que se harmonize com as informações do livro. Após isso, tal mapa servirá como base para uma busca em locais reais do continente americano.

Geografia do Livro de Mórmon vs Geografia da Bíblia

Críticos do Livro de Mórmon frequentemente citam descobertas arqueológicas de locais bíblicos como suposta indicação de que se o Livro de Mórmon é verdadeiro, deveria igualmente apresentar precisas localizações geográficas. Tal argumento é tendencioso e ignora completamente a extrema diferença entre a geografia do Velho e Novo Mundo.

Enquanto a Geografia do Velho Mundo é normalmente desértica e exposta, a do Novo Mundo é irregular e repleta de florestas. Arqueólogos não simplesmente abrem buracos no chão na procura por ruínas. Pesquisas arqueológicas em regiões nada amigáveis como florestas tropicais, exigem um massivo número de pessoas, equipamentos e maquinário, tornando-as pouco atrativas financeiramente. Dessa forma, é de se esperar que a arqueologia do Novo Mundo não seja tão abundante como a presente no Velho.

É importante lembrar que são incrições, não objetos, que delineiam detalhes precisos do contexto histórico de uma civilização. Objetos e artefatos antigos por si só são incapazes de recontar com exatidão os fatos relacionados aos povos que os possuíam. Para ilustrar, imagine que um arqueólogo encontre uma antiga panela. Embora uma panela possa oferecer pistas a respeito da datação dos eventos, ela certamente não provê evidência conclusiva das características religiosas e crenças de um indivíduo ou povo.

Como mencionado pelo Dr. William Hamblin:

“A única maneira pela qual arqueólogos podem determinar nomes de reinos políticos, pessoas, etnografia e religião de uma civilização antiga é por meio de registros escritos.”[9]

Como diferenciar uma “panela Nefita” de uma “panela Maia”? Como uma “panela Nefita” deveria se parecer? Como saber se as ruínas ou artefatos que já encontramos na América não pertenceram a povos do Livro de Mórmon? Sem registros escritos, definir conclusivamente detalhes culturais e religiosos de uma nação é praticamente impossível.

Possíveis locais na América para os eventos do Livro de Mórmon

Após analisar cuidadosamente os eventos citados no Livro de Mórmon, estudiosos tem encontrado no texto diversas pistas, que agem como peças de um quebra-cabeça a ser remontado. Com um teórico mapa e localizações geográficas baseadas no texto do livro, o próximo passo é encontrar no continente Americano uma região que possua as mesmas características geográficas.

Vários locais no continente tem sido sugeridos como possível palco para os eventos do livro. Entre as teorias sugeridas mais conhecidas encontram-se:

A Teoria Geográfica Peruana: Baseada na teoria da Geografia limitada, esta teoria parte do princípio de que o grupo de Leí desembarcou no Chile (baseado em uma citação não confirmada atribuída a Joseph Smith). Tal modelo geográfico encontra apoio em descobertas arqueológicas como metais e tradições históricas como a lenda de um deus barbudo de pele branca, mas encontra sérios obstáculos como uma problemática localização do Rio Sidon e carência de evidências no que diz respeito à civilizações da mesma época do Livro de Mórmon.

A Teoria Geográfica de Baja: Baseada na teoria da Geografia limitada, este modelo possui detalhes que o apoiam, como uma “estreita faixa de terra” como citada no Livro de Mórmon e características similares à uma “ilha do mar” (2 Néfi 10:20). Por outro lado, carece de evidências arqueológicas complexas datadas da época do Livro de Mórmon.

A Teoria dos Grandes Lagos: Tal teoria utiliza alguns versículos do Livro de Mórmon como maneira de apoiar a ideia de que os eventos do Livro de Mórmon aconteceram unicamente em regiões Norte Americanas, nos arredores dos lagos de Nova York. Adeptos dessa teoria também se apoiam em testes de DNA em algumas tribos de Índios Americanos que parece indicar que possuem vínculos com antigas civilizações do Oriente Médio. Esta teoria entretanto enfrenta obstáculos como uma “faixa estreita de terra” que necessita muito otimismo para se harmonizar com a descrita no livro, ausência de evidências arqueológicas de grandes civilizações e um clima extremamente frio com a regular presença de neve, elementos jamais citados no Livro de Mórmon.

A Teoria da Mesoamérica: Entre as teorias geográficas existentes, a maioria dos estudiosos SUD defendem a Mesoamérica (onde cresceu civilizações como os Maias), localizada na América Central, como o mais provável local para os eventos descritos no Livro de Mórmon. Tal teoria baseia-se no modelo geográfico limitado e parece ser apoiada por diversos campos de estudo, como por exemplo:

1. A Geografia do Livro de Mórmon requer que a faixa de terra esteja entre faixas de água grandes o suficiente para serem chamadas de “mar”.
2. Registros Escritos: A Mesoamérica é o único local que aparenta ter tido um sistema de registro escrito sofisticado durante a época do Livro de Mórmon.
3. Cidades e fortificações: A Arqueologia confirma a existência de cidades datadas da época do Livro de Mórmon.
4. Rios: A Mesoamérica possui rios em locais que se harmonizam com o texto do livro.
5. Clima: As evidências encontradas no Livro de Mórmon sugerem um clima que possibilitaria a plantação de trigo e cevada e ausência de neve. Tais características são encontradas na Mesoamérica
6. Cultura: Tanto a cultura do Livro de Mórmon como a da Mesoamérica sugerem a existência de uma sofisticada agricultura e comércio.
7. Atividades Vulcânicas: A Mesoamérica está situada em um local onde terremotos e erupções vulcânicas são bons cadidatos a autores dos eventos de destruição descritos em 3 Néfi.[10]

Teria Leí encontrado um continente vazio ao chegar na América?

Historiadores membros e não membros da Igreja tem ao longo dos anos encontrado centenas de paralelos que indicam de maneira consistente que o grupo de Leí se uniu aos povos da Mesoamérica, e isto sugere que a história do Livro se passa em uma área geográfica limitada e significativamente menor do que muitos antes acreditavam.

Embora O Livro de Mórmon não contenha detalhes significativos das nações já existentes na América antes da chegada do grupo de Leí, uma passagem no livro aparentemente apoia a ideia de que o continente já era habitado. Em 2 Néfi 5:5-6 lemos:

“E aconteceu que o Senhor me advertiu para que eu, Néfi, me afastasse deles e fugisse para o deserto, com todos os que quisessem seguir-me. Portanto aconteceu que eu, Néfi, levei comigo minha família, assim como Zorã e sua família; e Sam, meu irmão mais velho, e sua família; e Jacó e José, meus irmãos mais jovens, e também minhas irmãs e todos os que me quiseram acompanhar. E todos os que me quiseram acompanhar foram os que acreditavam nas advertências e revelações de Deus; portanto deram ouvidos a minhas palavras.”

Na ocasião em que os Nefitas e Lamanitas se separaram, Néfi foi seguido por sua própria família, Zorã e Sam e suas respectivas famílias, seus irmãos mais novos Jacó e José, suas irmãs e ainda “todos os que me quiseram acompanhar”. Quem seriam estes “outros” que “acreditavam nas advertências e revelações de Deus”? A resposta mais provável é que esses versículos se refiram a nativos do continente ao invés de membros do grupo de Leí. Significativamente, neste ponto do livro, Néfi pela primeira vez introduz o termo “povo de Néfi” em referência a seus seguidores (2 Néfi 5:9), expressão que sugere uma sociedade maior do que seus familiares imediatos.

O Livro de Mórmon e testes de DNA

Críticos em tempos recentes tem apelado a testes de DNA como uma tentativa de descreditar as declarações do Livro de Mórmon de que Judeus estiveram presentes e se desenvolveram no continente americano.

Testes recentes de DNA realizados com amostras de Índios nativos do continente Americano indicam que a informação genética de tais Índios não são compatíveis com o DNA dos povos Judeus da atualidade e sim com o de povos da Ásia. Tais estudos tem sido utilizados por alguns como uma maneira de determinar que dessa forma, os povos Americanos não são descendentes de Leí que era um Judeu e portanto isto provaria que O Livro de Mórmon não é Escritura inspirada como Santos dos Últimos Dias declaram.

Apesar de aparentemente convincentes, este tipo de crítica é inconsistente e insensata quando se considera que:

1. O Livro de Mórmon não declara que Leí encontrou um continente vazio ao chegar na América e não elimina a existência de outros povos. Dessa forma, é natural que a grande maioria de índios americanos não pertencerão à linhagem de Leí.
2. Estudos genéticos indicam que a possibilidade do DNA de Leí existir atualmente é remota, visto que ao se unir a civilizações maiores já existentes na América uma natural diluição genética eliminaria rastros de um grupo menor.
3. Leí era da tribo de Manassés (Alma 10:13; 1 Néfi 5:14) e não de Judá. Isso significa que não possuía DNA do Judeu tradicional de sua época. Sem saber as características exatas de seu DNA, como o que compararíamos as amostras de Índios atuais?

Dessa forma, é impossível utilizar estudos de DNA como maneira de provar ou desprovar a autenticidade do Livro de Mórmon.[11]

Para uma análise mais detalhada sobre as críticas e fatos relacionados a DNA, acesse:

DNA e O Livro de Mórmon – Separando Mito e Realidade.
Localização do Monte Cumôra

Se a história do Livro de Mórmon aconteceu na região da América Central conhecida como Mesoamérica, como explicar Joseph encontrando as placas no Monte Cumôra em Nova York?

O Livro de Mórmon descreve:

1. As últimas batalhas entre Nefitas e Lamanitas aconteceram na “terra de Cumora” e Mórmon afirma que ocultou “no monte Cumora todos os registros que me tinham sido confiados pela mão do Senhor, excetuando-se estas poucas placas que dei a meu filho Morôni” (Mórmon 6:6)
2. Os últimos habitantes do povo Nefita foram destruídos aproximadamente 385 d.c. Apenas Morôni sobreviveu para preservar os registros remanescentes. (Mórmon 6:5)
3. Morôni andou como errante durante um longo período para perservar sua vida. (Morôni 1:3)

Seria o “Monte Cumora” descrito no Livro de Mórmon o mesmo “Monte Cumora” de Manchester, NY o qual Joseph Smith encontrou as placas? Se a última batalha aconteceu em um local da Mesoamérica, como teriam as placas viajado milhares de kilômetros até Nova York?

Ao fim de seu registro, Morôni indica que mais de 420 anos haviam se passado após a vinda de Cristo (Morôni 10:1), o que significa que ele permaneceu como “errante” por 36 anos após a destruição total da civilização Nefita (421-385=36). Apenas para que se tenha uma noção das distâncias que poderiam ser percorridas em 36 anos, considere os seguintes parâmetros:

1. Uma pessoa caminhando normalmente, percorre cerca de 5 km por hora.
2. A 5 km/h seria possível percorrer 40 km por dia, em jornadas de 8 horas diárias.
3. Por mês 1200 Kilômetros e por ano 14.400 km
4. Com esses parâmetros, em 36 anos teríamos percorrido cerca de 518 mil km.
5. 518 mil km é equivalente a aproximadamente 13 voltas no planeta

Naturalmente, 36 anos seriam mais do que suficientes para que Morôni chegasse e enterrasse as placas no local onde Joseph as encontrou. Diversos historiadores dessa maneira indicam que o palco da última batalha entre Nefitas e Lamanitas (terra de Cumora) não é o mesmo local onde Joseph recebeu as placas em Nova York. Como o historiador John E. Clark mencionou:

“Nos últimos 50 anos, alguns estudiosos tem sugerido que o uso comum da palavra Cumora entre Santos dos Últimos Dias confunde dois locais diferentes e que o modesto monte onde Joseph Smith recuperou as placas não é o mesmo cenário das batalhas genocidas”. [12]

Evidências Arqueológicas do Livro de Mórmon

Nahom

Entre as incríveis evidências arqueológicas em suporte ao Livro de Mórmon encontramos Nahom, local presente na provável trilha de Leí e que é citada por nome no Livro de Mórmon como o lugar em que Ismael foi sepultado(1 Néfi 16:34-35). Localizados na Península Arábica, três altares foram descobertos contendo a inscrição hebraica do nome “NHM”. O nome “Nahom” citado no Livro de Mórmon se torna “NHM”, ao considerar que o hebraico escrito não possui vogais.

A precisão do Livro de Mórmon é ainda maior ao localizar Nahom no exato local em que está presente geograficamente (1 Néfi 17:1), sendo datado entre o século 7 a.c. e 6 a.c., exata época em que o grupo de Leí saiu de Jerusalém.[13]

Para entender o peso da evidência de Nahom, alguns irreverentemente ilustram que seria como estar andando em algum local da Mesoamérica e encontrar uma antiga placa esculpida em pedra com as inscrições “Bem vindos a Zaraenla”.

Em outras palavras, o Livro de Mórmon citou por um nome específico, um local específico de uma época específica. Como poderia Joseph Smith saber de tais coisas?

Para mais detalhes sobre Nahom, clique aqui.

A Terra de Abundância

Após passar por Nahom e caminhar por anos pelo deserto, Néfi declara que em determinado momento encontraram um local fértil o qual nomeou “Abundância”, com grande quantidade de frutas, mel silvestre e os materiais necessários para a construção de um navio (1 Néfi 17:5-8). Lembre-se que estamos falando da Península Arábica, um local desértico onde vegetação e frutas não é exatamente o que se espera encontrar. Críticos da época de Joseph Smith não cansaram de zombar da ideia de um “Oásis” no meio do deserto da Arábia. [14]

Simplesmente não havia para Joseph os meios necessários para saber da existência de tal local. Mas com o passar do tempo a humanidade evoluiu, o homem aprendeu a voar e imagens de satélite (que você mesmo pode acessar pelo Google Maps) indicam um incrível candidato à Terra de Abundância em um local que se harmoniza com a descrição da viagem de Leí, a Costa de Omã.

A Costa de Omã não apenas fornece uma evidência gritante da coerência do relato do Livro de Mórmon, mas é descrita na viagem como sendo após Nahom, que Geograficamente foi um ponto anterior de parada do grupo de Leí. Em ambos os casos, o Livro de Mórmon forneceu detalhes específicos inexistentes ou não acessíveis a Joseph Smith. Coincidência ou Inspiração?

A cidade Maia “Lamanai”

Uma das cidades antigas da Mesoamérica cujo nome pré-Colombiano é conhecido é a cidade Lamanai. Registrada por missionários espanhóis e documentada mais de 1000 anos antes em inscrições Maias como “Lam’an’ain”. Tal nome não é citado no Livro de Mórmon, mas é digno de reflexão. [15]

Izapa Stella 5

Descoberta em 1941 pelo arqueólogo Matthew W. Stirling, Stela 5 é uma escultura de 2 metros de altura, datada de aproximadamente 300 a.c. e possui elementos que se assimilam à visão de Leí da Árvore da Vida, como descrito em 1 Néfi 8. Entre os elementos presents na escultura encontramos:

1. Uma árvore frutífera no centro
2. Ao topo, uma representação dos céus
3. Abaixo o que parece ser uma representação da terra e da barra de ferro conduzindo à árvore
4. Também em baixo, o que parece representar um rio
5. Pessoas sentadas abaixo da árvore são representadas por alguns como alguns dos personagens do Livro de Mórmon.

Embora não haja um consenso entre estudiosos SUD com relação ao assunto, Izapa Stela 5 é visto por alguns pesquisadores como evidência de elementos presentes no texto do Livro de Mórmon e apesar de seu relacionamento com o Livro de Mórmon não ser conclusivo, sem dúvida é digna de consideração.[16]

Para uma análise detalhada da Izapa Stela 5, clique aqui.

Conclusão

Apesar de a Geografia do Livro de Mórmon não ser um ponto vital na doutrina e ensinamentos dos Santos dos Últimos Dias, o estudo e constantes descobertas relacionados ao campo da Geografia e Arqueologia reforçam a historicidade e autenticidade do livro, eliminando a ideia de que ele é “fictício” ou apenas “de valor espiritual”.

Naturalmente conhecer os ensinamentos e promessas do Livro de Mórmon é mais importante do que conhecer sua Geografia. Entretanto, conhecer o contexto histórico dos povos descritos no livro nos ajuda a ter uma visão mais ampla dos autores da história. Tal análise nos proporciona uma perspectiva mais profunda de seus sentimentos e situação, nos motivando a não repetir seus erros e nos ensinando a buscar e lembrar o Salvador, o qual eles esqueceram.

Fontes:

[1] Alma 22:32; Alma 50:34; 52:9; Hel. 4:7; Morm.3:5; Éter 10:20
[2] “Statement on Book of Mormon Geography,” FARMS (accessed 18 September 2006)
[3] Limited Geography and The Book of Mormon: Historical Antecedents and Early Interpretations; FARMS Review; 2004:16:2,259
[4] John E. Clark, “Book of Mormon Geography”, Encyclopedia of Mormonism
[5] Michael Watson, Office of the First Presidency, 23 de Abril de 1993
[6] History of Joseph Smith, 83
[7] Challenging Issues, Keeping the Faith: Two points about Book of Mormon geography; Michael R. Ash; Feb 2010
[8] [A Key for Evaluating Nephite Geographies, John E. Clark, FARMS Review: Volume – 1, Issue – 1, Pages: 20-70, A review of “Deciphering the Geography of the Book of Mormon” by F. Richard Hauck, Provo, Utah: Maxwell Institute, 1989
[9] William J. Hamblin (posting under the screen-name, “MorgbotX”), posted 29 January 2004 in thread, “What Would Be Proof of the Book of Mormon,” on Zion’s Lighthouse Bulletin Board (ZLMB)
[10] Shaken Faith Syndrome; Michael R. Ash; Fev 2013
[11] DNA e O Livro de Mórmon – Separando Mito e Realidade; Luiz Botelho; Intérprete Nefita; Nov 2014
[12] John E. Clark,”Archaeology and Cumorah Questions”, Journal of Book of Mormon Studies
[13] S. Kent Brown, “Nahom and the ‘Eastward’ Turn,” Journal of Book of Mormon Studies 12:1
[14] Warren P. Aston,”The Arabian Bountiful Discovered? Evidence for Nephi’s Bountiful”, Journal of Book of Mormon Studies, 7/1 (1998)
[15] Biblical archaeology compared to the Book of Mormon; FairMormon/ http://en.wikipedia.org/wiki/Lamanai
[16] Stewart W. Brewer,”The History of an Idea: The Scene on Stela 5 from Izapa, Mexico, as a Representation of Lehi’s Vision of the Tree of Life”, Journal of Book of Mormon Studies

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Luiz Botelho

Luiz Botelho serviu na Missão Santa Maria e atualmente mora em Provo-Ut, com sua esposa Kelsie e filha Elisa. É certificado em Design Gráfico e Desenvolvimento Web, mas descobriu na Ciência, História, Filosofia e Teologia sua verdadeira paixão.Atualmente trabalha voluntariamente como Diretor Internacional da FairMormon, escreve regularmente para a More Good Foundation e é autor do Interpretenefita.com.
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