No mês de outubro tive uma oportunidade única de ser mãe de seis crianças. Cada qual com sua idade, sua fase e sua personalidade.

Inicialmente quando me apresentei para tal serviço, não pensei como seria e quando a data se aproximou, passei a me preocupar se eles se acostumariam comigo, se eu teria paciência, como seria o meu tempo.

Na primeira semana fui um desastre com a rotina que eles tinham. O almoço saiu atrasado, eu fiquei tão preocupada em manter a ordem na casa que nem percebia o horário que os mais velhos chegavam da escola. Mal me lembrava de escovar os dentes. E por vezes me perguntava como a mãe deles se sentiria em saber que não consegui fazer as coisas na perfeição que ela fazia tais tarefas e me sentia frustrada.

Já na segunda semana, orei ao Senhor, pedi sua ajuda e consegui administrar meu tempo e cumprir as tarefas com mais eficiência. Foi assim até a chegada dos pais das crianças.

Foi um momento único no qual aprendi algumas grandes lições:

1 – O Senhor nos deu o mandamento de nos multiplicar, não de escolher se faremos.

É óbvio que existem casais que por algum motivo, não podem se tornar pais durante essa vida terrena. E como disse o Presidente Henry B. Eyring: “(…) as provações da vida mortal para as pessoas boas ainda podem ser fardos pesados.” (“O Consolador”, Conferência Geral, Abril de 2015)

Mas o Senhor os compreende e conhece vossos corações. “Devemos lembrar que um Pai Celestial amoroso está ciente de nossos desejos justos e honrará Suas promessas de que nada será negado àqueles que guardam fielmente seus convênios.” (Bonnie L. Oscarson, “Defensoras da Proclamação da Família”, Conferência Geral, Abril de 2015).

Porém, no mundo onde vivemos hoje, mesmo entre os membros da igreja, os filhos têm começado a virar uma opção como se fosse uma viagem internacional para comemorar o término de um curso universitário de medicina. Na qual procrastinamos programando para um futuro distante depois de terminarmos a faculdade, já estivermos trabalhando numa boa empresa, tivermos uma casa própria, com a idade na qual consideramos ser boa para sermos pais, calculamos que dois ou no máximo três filhos já são o suficiente e pensamos em cada sacrifício que teremos que fazer para chegar finalmente ao momento de ter os filhos.

“O mandamento de multiplicar-nos e encher a Terra nunca foi revogado. Ele é essencial para o plano de redenção e a fonte da felicidade humana. (…) O poder de procriação não é uma parte secundária do plano; ele é o plano de felicidade. É o ponto-chave para a felicidade.” (Presidente Boyd K. Packer, “O Plano de Felicidade”, Conferência Geral, Abril de 2015).

Vi minha amiga realmente viver isso! Ela e seu marido conversaram sobre seus planos ao se casarem, oraram (mesmo sem saber como seria o futuro do jovem casal) e passaram a ter seus filhos. Durante esse trajeto, o Senhor os ajudou a continuarem com o plano de multiplicarem-se.

Não foi fácil, e acredito que alguns momentos tenham se sentido frustrados. Mas o Senhor proveu o sustento, vestiu-os e os direcionou para que pudessem ser autossuficientes. De uma ação de despejo a uma excelente profissão na qual lhe dá a oportunidade de manter sua esposa em casa com os cinco filhos e lhes dar o melhor.

Podemos não passar por tudo o que eles passaram, mas temos que aprender a ter fé no Senhor e saber que seu plano de multiplicarmos não é um plano secundário.

2 – O Senhor que nos diz quantos filhos teremos.

Quando vivíamos na presente do Pai Celestial e ele nos apresentou seu Plano para virmos a Terra nos aperfeiçoarmos e um dia voltarmos a sua presença, concordamos que faríamos tudo que nos fosse pedido e que confiaríamos nele. Então é Ele quem nos diz quantos filhos iremos ter em nosso laço matrimonial e temos que aprender a confiar Nele.

Com quase quatro anos de casamento, chegou o momento do Senhor e Ele nos enviou uma bela menina. Lembro-me que dois anos após meu casamento, irmãs que mal sabiam onde eu morava, ao me ver diziam: “Nossa, você ainda não tem filhos? Está demorando!”

Na época, minha mocidade não me deixava afetar pelo comentário. Eu estava segura sobre o que eu e meu marido havíamos conversado e estávamos esperando o tempo do Senhor.

Com quase três anos, comecei a sentir em meu coração que o momento estava próximo. Eu sentia o que o Presidente Boyd K. Packer falou: “Á medida que o poder de procriação amadurece no início da vida adulta, ocorrem de modo natural alguns sentimentos muito pessoais que diferente de qualquer outra experiência física.”

E a frustração das demais pessoas se tornou grande, parecia que o fato do tempo do Senhor não chegar, fazia com que elas achassem que eu estava escolhendo não ser mãe e sempre me diziam que estava demorando pra ser mãe.

Algumas vezes me senti irritada com tal comentário porque eu já sabia por meio do Espírito que esse momento estava próximo e que eu deveria ter fé e paciência no momento do Senhor. Ao longo do dia, por vezes eu sentia o desejo de ter dentro de minha barriga um ser. Queria poder pegar em meus braços um ser pequenino e poder ver com quem se parecia. Alguns dias esses sentimentos que aconteciam naturalmente, me deixavam sentimentalmente frustrada pela demora. Eram sentimentos maiores do que os meus, meu corpo pedia que isso acontecesse. E passei a orar ao Senhor, não pedindo que pudesse me tornar mãe logo, mas que ele me ajudasse a não me sentir frustrada.

Quando as pessoas souberam que eu estava gravida, o primeiro comentário que ouvi foi: “Até que enfim!”

Como casal, devemos conversar sobre o nosso desejo, mas acima de tudo, orar ao Pai pedindo que ele nos use para que possamos cumprir com seu plano.

Enquanto cuidava dos filhos de minha amiga, teve alguns dias que me senti frustrada por não conseguir ser como ela. Nos dias que mais me sentia frustrada com a perfeição que eu queria ter, ouvia de algum membro “Você já enlouqueceu? Ela é doida em ter tantos filhos!”. Essa perguntar, apesar de um tanto desagradável, me fez ver o quanto estamos com os olhos fitos no que queremos. E não no que o Senhor quer para nós. Em que momento o Senhor nos disse que devemos ter dois ou três filhos?

Eu tenho uma filha que nesse mês fará 6 anos. O momento do Senhor para o segundo filho ainda não chegou. Mas desde que ela tinha 2 anos. O que mais ouço é “Já passou da hora de ter o segundo!”

Na casa de minha amiga, pude compreender ainda mais sobre confiarmos no Senhor.

Tive uma gravidez muito difícil na qual adquiri problemas sérios de saúde e por alguns anos tentei imaginar como será ficar grávida diante a doença, nossa situação financeira e outros empecilhos que aprendi não passarem de meras distrações de Satanás para que eu tirasse o foco do principal objetivo que é confiar no Senhor.

No começo quando eu ouvia que estava na hora do segundo filho, simplesmente não respondia e ignorava. Um dia, em um momento de ira, acabei respondendo de forma bem rude uma irmã dizendo que para ter um segundo filho, precisava duas coisas: O tempo do Senhor e o meu desejo. E que nenhuma das duas coisas ainda havia acontecido.

Para alguns casais, o tempo do Senhor é rápido como um piscar de olhos e para outros o tempo do Senhor é demorado ao ponto de nos questionarmos se um dia teremos essa oportunidade, mas temos que entender que o Senhor sabe de todas as coisas!

Tenho uma amiga que levou onze anos para ter seu primeiro filho. Ela conta que foram anos de angustia, frustração, tratamentos médicos (inclusive duas inseminações artificiais) e até descrença de que seria mãe. Até que ela e o marido decidiram fazer uma terceira inseminação artificial. Durante o processo ela disse que só orava pedindo que o Senhor lhe consolasse se não desse certo e que era a sua última tentativa. Ela disse que se sentia muito desgastada com cada frustração.

Até que o grande momento aconteceu. Ela curtiu cada momento da gestação. Juntos decoraram todo o quarto e compraram cada roupinha.

Alguns meses depois do nascimento, ela falou que havia compreendido porque demorou tanto para acontecer o tempo do Senhor. Ela disse que havia entendido que se tivesse se tornado mãe antes, não teria tido espírito para a nova vida. Que se sentia ingrata por todas as vezes que reclamou.

Achei interessante a visão que ela teve sobre o tempo do Senhor. Afinal, se tornar mãe é adquirir uma nova vida e nova rotina. E devemos estar espiritualmente preparadas para isso!

Quando penso nisso, vejo com clareza porque os filhos devem vir nos laços matrimoniais.

03 – Não podemos impor a maternidade e paternidade para as pessoas.

Temos que aprender a respeitar as pessoas, nós não somos o Senhor para tentar impor para as pessoas o momento de serem pais e mães.

Devemos estar ao lado das pessoas para consola-las quando esse momento demorar, apesar do desejo deles e sermos amigos para ajuda-los quando esse momento chegar.

É fácil dizer que está demorando para ter o próximo filho. Temos que aprender a agirmos como Cristo e ajuda-los a passar por esse momento.

Lembro-me de certa vez, que uma irmã estava falando sobre um casal que eu também conhecia. Ela falou que a irmã dizia que não queria ter filhos para não deformar o corpo dela. Eu ouvi o comentário da irmã e fiquei bem chocada, mas não dei continuidade à conversa.

Alguns anos depois, conversando com a tal irmã, ela me falou que desde que se casará 10 anos antes, esperava ansiosamente ser mãe. Procurará ajuda médica, jejuará e lamentava-se por não ter esse privilégio. Até que o tempo do Senhor chegou.

Lembrei-me do comentário desagradável que ouvirá da irmã e pensei no quanto julgamos as pessoas. Esquecemo-nos de olhar para nossa própria vida e passamos a achar que temos o direito de dizer o “por que” das pessoas não serem pais.

Temos que parar com isso! Não é assim que o Senhor deseja que sejamos. Não foi esse convênio que fizemos em nosso batismo ao nos comprometermos a “carregar os fardos uns dos outros”. (Mosias 18:8)

Ao mesmo tempo, quanto se passa dessa “cota” que as pessoas estipulam de que no máximo três filhos é o suficiente, gerasse o outro comentário de que é loucura ter tantos filhos. Por que isso nos incomoda tanto?

Eu queria que todos tivesse a experiência que tive! De finalmente compreender com melhor clareza o mandamento de crescermos e nos multiplicarmos.

Não é fácil ser mãe de tantas crianças e alguns dias desejei que alguém aparecesse simplesmente para conversar comigo. Mas o que ouvi foi “Você enlouqueceu?” Perguntei-me a cada vez que ouvi essa pergunta: “Em que momento os planos de Deus é loucura?”

O Senhor confiou essas crianças a esse casal porque Ele sabe que eles não estão preocupados em viver uma cota. Mas porque realmente compreendem o mandamento de se multiplicarem.

04 – O Senhor proverá todas as coisas necessárias se confiarmos Nele.

No mundo que vivemos hoje, realmente é difícil criarmos filhos longe das coisas mundanas. Mas no momento que passamos a confiar no Senhor, ele proverá tudo que for necessário.

Devemos deixar de agir como se os bens materiais fossem tão importantes quanto cumprirmos os mandamentos.

Raramente gosto de conversar sobre maternidade, sinto-me frustrada quando vejo as irmãs colocarem em um papel que só podem ter dois filhos porque a renda familiar só será possível pagar uma escola particular, um plano médico e uma missão de tempo integral para dois filhos.

Ouvindo a história desse casal tão especial, vi que o Senhor irá nos ajudar a provermos tudo que Ele considera essencial para nossos filhos, desde que coloquemos o Senhor em primeiro lugar.

Que grande oportunidade que tive! O Senhor sabia que eu precisava dessa experiência, pois o mundo já estava começando a me convencer que é essencial para minha filha uma escola particular, roupas de marca, comer em redes fast food todos os meses e passeios caros. Mas o que ela precisa é de minha presença, minhas orações e meu amor!

Sim, se pudermos pagar uma escola particular, comprar roupas caras e fazer grandes passeios. Que sejamos gratos, mas que isso não seja o motivo de evitarmos sermos pais e mães.

Que confiemos mais no Senhor e façamos nossa parte para cumprirmos com o grande Plano de Felicidade do qual concordamos quando estávamos na presença do Pai.

Ele proverá o que é necessário e temos que lhe dar com o sentimento errôneo de algumas vezes considerarmos algo necessário para nossos filhos, porém não ser o plano de Deus.

Devemos deixar de nos comparar com outras famílias que parecem ser mais bem sucedidas ou acharmos que nós somos melhores que as outras famílias. “As famílias terrenas diferem todas entre si.” (Caroline M. Stephens, “A Família É do Senhor”, Conferência Geral, Abril de 2015)

Siga-me!

Michele Romero

Conheceu a Igreja e batizou-se em 2004, por meio de um Cartão da Amizade que sua mãe recebeu de uma colega de trabalho. Selou-se em 2005 e tem uma filha. É criadora e moderadora do blog "As Tontas Vão Ao Céu". Atualmente, serve como Consultora de História da Família da Ala, bibliotecária da Ala, Segunda Conselheira da Organização das Moças da Ala, facilitadora do curso "Minha Busca por Emprego" da Estaca e Missionária de Suporte do Family Search.
Siga-me!

Últimos posts por Michele Romero (exibir todos)