“Certa vez ouvi que em reuniões na igreja, como reuniões de liderança não se faz orações de joelhos, mas sentados mesmo ou em pé, pois orações de joelhos fazemos em casa sozinho ou em família. Penso que isso seja opinião de alguém e não uma regra, mesmo que seja das faladas, mas não escritas. Queria saber se leu algo da igreja sobre isso, pois nos manuais certamente não têm, embora no manual não tenha tudo, né?”

RESPOSTA:

De fato os manuais não contêm todas as instruções detalhadamente, e algumas coisas aprendemos através daquela “ordem não escrita das coisas” sobre a qual Presidente Boyd K. Packer ensinou de forma brilhante num discurso na BYU-Provo em 1996.

Permita-me abrir um parêntesis e esclarecer que uma diferença entre a “ordem não escrita” e as “tradições” estaria no fato de que a primeira está baseada em princípios do evangelho encontrados nas escrituras ou em ensinamentos de profetas modernos, enquanto a outra geralmente não é baseada em coisa alguma, e geralmente é uma mera imitação de alguma coisa “legal ou bonitinha” originalmente feita ou dita não se sabe por quem, nem quando, onde, nem porquê.
As instruções oficiais sobre orações públicas se encontram no Manual 2, item 18.5. E já que o manual não especifica nada sobre a oração de joelhos, o que encontramos nas escrituras?

A primeira passagem que nos vem à mente é a que contém instruções para a oração sacramental: “E o élder ou o sacerdote administrá-los-á; e desta maneira deverá administrá-los: Ajoelhar-se-á com a igreja e invocará o Pai em solene oração …” (Doutrina e Convênios 20:76) Instruções subsequentes da Primeira Presidência determinaram que apenas o sacerdote ou élder que estiver oferecendo a oração deve se ajoelhar, e não a congregação. Por extensão, as orações oferecidas em nossas reuniões públicas não são feitas de joelhos, para a conveniência da congregação.
Temos o hábito de orar de joelhos em nossas reuniões de bispados, presidências de estaca e comitês executivos (i.e. sumo conselhos) de estaca, muito embora isto não esteja especificado no Manual. Uma possível explicação se encontra nas instruções dadas para a presidência da Escola dos Profetas, em Kirtland em 1833:

“E esta será a ordem da casa da presidência da escola: Aquele que for designado para presidente ou professor deverá estar em seu lugar … Portanto será o primeiro na casa de Deus, num lugar em que a congregação da casa possa ouvir-lhe as palavras atenta e distintamente, sem que ele tenha de falar alto. E quando ele entrar na casa de Deus, pois deverá ser o primeiro a chegar—eis que isto é belo, para que ele sirva de exemplo—Que se ofereça a si mesmo em oração, de joelhos perante Deus, em sinal ou lembrança do convênio eterno. E quando alguém entrar depois dele, que o professor se levante e, com mãos elevadas aos céus, sim, diretamente, saúde seu irmão ou irmãos …” (Doutrina e Convênios 88:128-132)

Não temos mais a Escola dos Profetas–hoje em dia cursamos o Instituto de Religião para estudar as doutrinas do evangelho com maior profundidade, e cursamos uma faculdade ou outras instituições para aprender disciplinas seculares e idiomas. Mas encontramos nestas instruções o princípio no qual se baseia a prática de nos ajoelharmos em oração.

Eu gosto muito desta idéia de que ao nos ajoelharmos demonstramos simbolicamente nossa lembrança do convênio eterno e também de que, apesar de nossos belos títulos eclesiásticos de presidente, bispo, conselheiro, ou sumo-conselheiro, dizemos simbolicamente através do ato de nos ajoelharmos diante de Deus o mesmo que Amon declarou: “… sei que nada sou; quanto a minha força, sou débil; portanto não me vangloriarei de mim mesmo, mas gloriar-me-ei em meu Deus, porque com sua força posso fazer todas as coisas …” (Alma 26:12)

Ajoelhar em oração é uma representação simbólica de profunda humildade diante de Deus. Considero uma cena tocante e poderosa ver um grupo de homens vestidos de ternos, parecendo ministros de estado ou executivos de corporações, ajoelhados (ou mesmo sentado, caso não seja possível ajoelhar-se) humildemente rogando as bênçãos de Deus. É uma grande honra e privilégio para mim estar atualmente servindo pela sétima vez num destes conselhos de sumo-sacerdotes.

Podemos também lembrar aqui que um dia (que esperamos não estar muito distante) estaremos na presença do Salvador Jesus Cristo, e tal como os Nefitas e Lamanitas de outrora, nos prostraremos diante Dele, conforme lemos em 3 Néfi 11:12, 18-20. (dicionário – “Prostrar: vtd (1) Lançar por terra; (2) Lançar-se de bruços por acatamento ou reverência …”)

(Este comentário não constitui uma declaração oficial de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias)

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Marcus H. Martins

Marcus H. Martins possui Doutorado (Ph.D.) em Sociologia da Religião e Relações Raciais e Étnicas. Serviu como Bispo e Presidente de Missão.
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