Ninguém está isento de eventualmente ser enganado por falsas impressões. Já vi membros fortes no testemunho do Evangelho e com muitos anos na igreja, deixar-se “levar” por impressões que não correspondem à realidade.

Uma impressão muito forte e muitas vezes difundida entre nós (membros) é a visão de pessoas que estão do outro lado do véu. Alguns divulgam que esses membros “diferenciados”, “agraciados”, que receberam um “dom especial”, que só Alguns “privilegiados” possuem, têm visões constantes de pessoas que já se foram da mortalidade. Já ouvi vários relatos de pessoas que “vêem “, “ouvem”, “escutam passos”, “sentem mãos segurando-os” de parentes, amigos, entes queridos ou mesmo desconhecidos, em todo lugar, ou em casa, ou nas ruas, nos arredores do templo e dentro do Templo.

Não sou cética, ao contrário, acredito sim que acontecem coisas e que ocorrem várias manifestações que são inexplicáveis aos homens e que somente visualizamos pelos olhos da fé; também já tive experiências (pessoais) que me permitem testificar que visões são possíveis e reais! Mas devemos distinguir o que é “visão ou impressão ” de nossa mente, do que é “visão espiritual “.

É claro que “eventualmente ” O Senhor permite que algo que não é habitual aconteça, mas com certeza, tem um objetivo específico, ou seja, um propósito. Principalmente dar testemunho da grandiosidade da obra ou do próprio Deus; do filho Jesus Cristo ou mensagens especiais; entretanto, precisamos tomar cuidado e “filtrar” essas manifestações especiais de histórias sensacionalistas ou inverídicas. Precisamos diferenciar as histórias mirabolantes que circulam entre nós das que são realmente miraculosas.

Como então reconhecer o que é real do que não é? Simples. O Espírito não testifica sobre algo que não é verdadeiro. É impossível. Você sentirá na mente e no coração a veracidade das coisas. D&C 6:23 ( Não sei paz a tua mente quanto ao assunto? Que maior testemunho podes ter que o de Deus? )

O Espírito é descrito como luz e verdade, então ao entendermos a verdade, saberemos reconhecer coisas falsas. Se temos luz, não seremos facilmente enganados, pois se buscarmos entender os princípios do evangelho é formos familiarizados Com a palavra do Senhor, não seremos iludidos, saberemos reconhecer essas “falsas impressões “, esses “falsos espíritos “.

Precisamos também lembrar, que às vezes o inimigo tenta parecer um “anjo de luz ” a fim de enganar as pessoas. D&C 129:8
Vamos para o ponto doutrinário… O que aprendemos no evangelho que acontece no mundo espiritual pós-mortalidade?

Aprendemos que lá é um lugar de trabalho; aprendemos que estão realizando o trabalho missionário entre os espíritos em prisão; existe também a estrutura familiar e organização da igreja entre os fiéis. Com tanto a fazer, não seria incoerente esses espíritos ficarem “perambulando ” pela nossa casa, pelo nosso quintal, em todo canto, em qualquer lugar?

Se passarmos a vida esperando por essas coisas, por essas manifestações extraordinárias, como se isso fosse um sinal de santidade, precisamos rever nossos conceitos.

O Presidente Joseph F. Smith aconselhou: “Mostrem-me Santos dos Últimos Dias que precisam nutrir-se de milagres, sinais e visões para manterem-se firmes na Igreja, e eu lhes mostrarei membros (… ) que não estão em boa situação diante de Deus e que andam por caminhos escorregadios. Não é por meio de manifestações maravilhosas que seremos estabelecidos na verdade, mas, sim, pela humildade e pela fiel obediência aos mandamentos e às leis de Deus”. (Conference Report, Abril de 1900, p. 40)
Essa questão de ver as pessoas que estão do outro lado do véu a toda momento, em qualquer lugar, a toda hora, é a doutrina de outra religião que acredita em “mortos ” vagando pela terra, pagando penitência por outras existências passadas, Se insistimos nessa propagação, o que nos diferencia dela?

O Presidente Brigham Young esclarece esse ponto quando disse no funeral do Elder Thomas Willians, a respeito do mundo espiritual : ” (… ) Ora, iremos para o mundo espiritual, onde o irmão Thomas se encontra (… ) Por que não o podemos ver ? (…) Gostaria de poder ver meu marido ou meu pai e conversar com ele! ‘Isso não seria adequado, não seria direito; poderíamos perder o propósito de nossa vida se tivéssemos esse privilégio (… ) de modo que perderíamos a visão do próprio objetivo de nossa vida. ‘É melhor que as coisas estejam como estão :que o véu esteja fechado (… ) ( DSNW, p. 28 de Julho de 1874, p. 1. ) Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young, 1997

Devemos levar alguns aspectos em consideração ao ouvirmos esses relatos. Às vezes, as pessoas que recebem essas “manifestações ” podem estar carentes de atenção, com problemas emocionais ou espirituais , ou reconhece no outro uma pessoa sugestionável, então destilam impressões que não são reais (ou que são de sua cabeça ), muitas vezes até inconscientemente.

Isso não quer dizer que qualquer visão ou manifestação não é real, ao contrário, significa que devemos discernir entre o que é real e o que não é. “De fato, tais milagres poderosos ocorrem. No entanto, esse padrão de revelação tende a ser mais raro e incomum”(O Espírito de Revelação. Maio de 2011. A Liahona)

Precisamos utilizar discernimento para ver até que ponto o que presenciamos é realmente uma manifestação divina ou se é “coisa” da nossa mente, motivada pelo medo, sentimento de culpa, necessidade de aceitação, depressão ou qualquer outro sintoma ou circunstância; pois não é raro observar que o que pensamos tem tal força que pode ficar “real” para nós.

Ninguém está imune. Poderemos ser enganados, a menos que estejamos estudando e ponderando o evangelho, essa é a chave. Devemos analisar que se a visão for real, a questão não é por que, mas sim PARA QUE?

Sentiremos então em nosso coração a autenticidade de uma visão ou manifestação, pois saberemos reconhecer a diferença entre uma pretensa revelação ou impressão. Temos os meios para discernir. O conhecimento do Evangelho evitará as dúvidas e saberemos com segurança da veracidade dessas coisas.

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Tatiana Castro

Membro da Igreja há 25 anos. Serve como Professora na Escola Dominical e também como Professora do Instituto. É graduada em Letras Português Espanhol e tem Especialização em Leitura e Produção Textual. É casada, mãe de dois filhos: um rapaz de 18 anos, que serve na missão Brasil Manaus, e uma menina de 8 anos. É funcionária pública e ensina na rede Estadual e Municipal.
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