Diante da morte de entes queridos, perda do emprego ou saúde, assim como o advento de dificuldades ou sofrimentos, cada um de nós costuma apresentar reações um pouco diversificadas,  que denotam nossa historia, formação, o tipo de vida que levamos, nossas expectativas diante da vida e etc. Vicissitudes acometem a todos indistintamente e serão de menor ou maior intensidade, de maneiras que não nos é dado prever. Algumas pessoas se tornam mais fortes e resilientes diante das tempestades que lhes sobrevém, outras não conseguem sair da crise e se perdem nas borrascas da dor, ficando cegas ao que ocorre na outra extremidade. Permanecendo em constante estado de sobressalto e medo, oscilam entre ira e depressão, com toda espécie de sentimentos negativos que impedem o crescimento e o aperfeiçoamento individual.

É fácil perceber o impacto que tal ser humano causa e sofre em seu grupo primário, que é sua própria família, nas implicações mais simples do cotidiano e dos relacionamentos mais banais. Com o tempo surge a inserção em novos grupos sociais,tais como a escola e  trabalho, onde podem se repetir situações constrangedoras. Assédio moral, comportamentos invasivos, ser posto na  berlinda, ou simplesmente bullying, como dizemos hoje.

Este artigo não consiste numa tentativa de dissecar a fragilidade humana e suas causas, mas sim aponta para algo muito mais importante que ocorre no seio das famílias eque não raro passa despercebido: o fato de que frequentemente um grupo familiar possui alguém necessitando de um olhar um pouco mais atento, um pouco mais paciente e amoroso.  Esta pessoa se caracteriza geralmente por atitudes que a fazem despontar ou desaparecer no grupo, tais como agitação que atrapalha ou apatia que a faz ser esquecida. Quaisquer desses comportamentos demonstram desadaptação ao ambiente e devem ser cuidadosamente observados para cuidados imediatos.

Além das intervenções profissionais que se façam necessárias, tão ou mais importantes e bem-vindas são as posturas familiares adequadas. Estas sim, não carecem de dinheiro, discursos ou qualquer pompa. Apenas demandam atenção, carinho, tempo. Tempo para perceber necessidades e desejos, tempo para sanar as ansiedades dos filhos, tempo para satisfazer suas necessidades emocionais. Exige sim disponibilidade e presença de quem cuida- sejam os pais biológicos, sejam avós ou tios- para ouvir e orientar, esclarecer e consolar. Enfim, são estes contatos humanos e insubstituíveis que irão compor personalidades sólidas e fortes para fazerfrente aos embates que virão com resiliência e auto-estima.

Mais vale a mãe ou aquele que cria, estar atento a estes incalculáveis e preciosos momentos de presença do que ausentar-se em função de tarefas domésticas que nunca se acabam em detrimento de um chamado do filho. Melhor será oferecer margarina ao invés de manteiga, mas zelar pela segurança emocional da família, priorizando a harmonia e o cuidado mútuo.  Ao esforçar-nos constantemente para transformar o lar, qualquer que seja e onde quer que esteja, em algo acolhedor e aprazível, estaremos edificando a nós, nossos filhos e também a sociedade.

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Suzana Mcauchar

Membro da Igreja há 35 anos, é casada e mãe de dois filhos. Psicóloga credenciada nos Serviços Familiares SUD. Serve como 1ª Conselheira na Sociedade de Socorro e como Professora na Escola Dominical. Trabalha com políticas públicas na Prefeitura de Juiz de Fora, além de ser professora universitária.
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