Não tenho conexão com a internet quando estou fora de casa, mas assim que chego o celular é conectado quase que imediatamente às redes sociais, minha reação é olhar as mensagens no WhatsApp e olhar o face. Durante esse processo, algum tempo é despendido nisso e tendo mensagens para mim (o que sempre acontece) vou responder, o que demanda mais e mais tempo.
Nesse processo, olho logo quem está ON no bate-papo e quem visualizou as mensagens. Estava analisando essa situação…
Sempre condenei as pessoas que ficam o tempo todo com o celular; mesmo entre amigos percebemos, às vezes, cada um com seus aparelhos eletrônicos conectados com o mundo, mas sem se conectar com as pessoas ao redor.
Condenava mas olhava as publicações e outras coisas no celular dos amigos, então percebi claramente minha hipocrisia; embora não tivesse olhando com o meu celular, assim que chegava em casa, olhava ansiosa para ver o que “tinha perdido”, ansiosa para me “conectar ” com o mundo virtual.
Então, eu estava reclamando de quê?
Muitas vezes em casa, cada um fica no seu mundinho particular. Estão próximos fisicamente, mas há quilômetros de distância. Me dei conta que também Estava ficando assim; justifiquei para mim que queria notícias de meu filho na missão, que queria saber como estão os parentes que moram longe, que não fazia mal a ninguém, que era uma forma de fortalecer amizades e tantas outras coisas…
” A ficha” foi caindo aos poucos depois que meu filho foi para a missão. Comecei a questionar… Será que passei com ele tempo suficiente? Queria mais tempo, tempo para brincar, tempo para estar mais junto, mais tempo… meu menino quando voltar será um homem. Então comecei a pensar e a lembrar de alguns momentos especiais.
Lembrei de nossas viagens ao Templo, de “bater perna” com ele, de nossas idas às livrarias, de nossa maratona “Harry Potter “, nossos passeios na praia, nossas idas ao cinema, quando cantávamos bem alto músicas ao passearmos, lembrei das reuniões familiares, nossa leitura diária das escrituras, lembrei de nossas viagens e como sempre estávamos dispostos a mesmo cansados a caminhar, conversar, comer besteiras enquanto “olhávamos tudo”.
Então percebi que nossos grandes momentos, ou seja, os grandes momentos da minha vida, estávamos juntos. Não estávamos sentados olhando para um celular, ou tablet, ou computador. Estávamos próximos e conectados um ao outro. Esses momentos que vamos lembrar e que são realmente importantes.
Precisava então tomar uma atitude, precisava redescobrir a felicidade de “estar junto ” Sem os aparelhos eletrônicos. Precisava redescobrir que existe vida sem as “redes sociais ” e acima de tudo, há felicidade!
Não sou contra a Internet, tecnologias ou redes sociais, ao contrário, acredito que é importantíssimo no mundo moderno, embora muitas vezes seja ilusório e não correspondam à realidade as imagens postadas, sei q é importante no dia a dia. Mas devemos distinguir o que é importante do que é essencial. Precisamos ter moderação em todas as coisas, pois as redes sociais podem aproximar quem está distante e distanciar quem está próximo. É paradoxal.
Às vezes não temos disposição para nada, estamos cansados, mas não largamos nossos aparelhos eletrônicos.
Vem a grande questão : Estou gastando o mesmo tempo para os meus filhos, meu marido, meu lar, que me dedico às redes sociais? Estou cansada para ler as escrituras com minha filha mas não para estar no face? Olhar a Internet é mais prazeroso do que estar com a minha família?
No fim, é uma questão de prioridades.
” Porque onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração “. (Mateus 6:21) Muitas vezes nosso coração está nas redes sociais e não no que realmente é importante; aquilo que é essencial.
Por essa razão, resolvi me desconectar um pouco, resolvi somente “passar” por lá e não “morar” lá. Se sinto falta? Às vezes. ( tenho que vencer a curiosidade e vencer a vontade) se me arrependo? Não!

Hoje, eu e minha filha passamos mais tempo juntas. Lemos juntas, passei a levá -la para passear de bicicleta, passear com nossa cadela, arrumar as coisas em casa ouvindo músicas entre outras coisas.
Com certeza, essa foi a melhor decisão que tomei, porque no fim, suas lembranças serão quanto tempo passamos juntas, o que fizemos juntas e não o que estávamos vendo cada uma em seus aparelhos eletrônicos.
Devemos lembrar o que diz Eclesiastes 3: 1-2, 4. ” Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; (… ) Tempo de chorar, e tempo de rir (… )” Ou seja, há tempo para tudo. É preciso ter sabedoria.
Há tempo de CONECTAR -SE, e há tempo de DEIXAR de conectar-se. Discernimento é a chave.
Embora ainda chegue em casa e esteja conectada quase instantaneamente, a decisão de estar ON para os amigos e OFF para a minha família é minha.
Eu decidi fazer-me presente. Eu decidi estar ON em meu lar.

Siga-me!

Tatiana Castro

Membro da Igreja há 25 anos. Serve como Professora na Escola Dominical e também como Professora do Instituto. É graduada em Letras Português Espanhol e tem Especialização em Leitura e Produção Textual. É casada, mãe de dois filhos: um rapaz de 18 anos, que serve na missão Brasil Manaus, e uma menina de 8 anos. É funcionária pública e ensina na rede Estadual e Municipal.
Siga-me!

Últimos posts por Tatiana Castro (exibir todos)