Desde que entrei para a Igreja, eu escrevo diários. Não sei se poderia chamá-los de “diários”, no verdadeiro sentido da palavra, porque não escrevo todo dia.

Na verdade, são livros de memórias, de experiências especiais.

Tenho muitos cadernos de capa dura, cheios de histórias, experiências e impressões, que venho escrevendo nos últimos trinta e oito anos.

Ao reler os meus diários, a primeira coisa que percebo é que tem muitos erros de português… Fico com vergonha, de ver erros de escrita ou concordância verbal, que eu cometia muito tempo atrás.

Por outro lado, se agora eu estou percebendo tais erros, é porque hoje eu sou um pouco melhor de ortografia do que era antes. Já é um progresso…

Fora isso, como é gostoso reler meus diários, e ir relembrando coisas que aconteceram há tanto tempo, e que eu já não lembrava mais!

Fatos e pessoas vão desfilando em minha mente, reacendendo muitas da minhas memórias.

Sentimentos tão ternos vêm ao meu coração, sentimentos que mostram o quanto valeu a pena eu ter registrado tantas histórias.

Meus diários estão repletos de registros de todas as fases de minha vida, desde que entrei para a Igreja, em 1977, até quando me casei, em 1985.

Muitas coisas eu não me lembrava mais, e é uma alegria e surpresa ler hoje a respeito de tantas experiências pelas quais eu passei – algumas boas, outras ruins – que me ajudaram a amadurecer .

Uma coisa se sobressai nos meus diários: as constantes orações ao Pai Celestial, para que Ele me guiasse e me concedesse sabedoria para eu saber escolher bem a minha futura esposa.

Tenho certeza, agora, de que Ele estava atento, e atendeu esse meu sincero pedido.

O casamento é um mandamento de Deus que tive alegria em obedecer.

É uma tremenda responsabilidade, pois geralmente, com o casamento, vêm os filhos, e com os filhos, muita alegria e muitos desafios.

Nós temos três filhos: duas meninas e um menino.

Não tivemos mais devido a problemas de saúde de minha esposa. Cada gravidez foi um grande desafio, pois todos os nossos três filhos queriam nascer antes do tempo normal.

Desde o terceiro mês, no caso de nossa primeira filha, começaram as contrações, e só com muito repouso, tratamento e orações, nossa filha nasceu bem. Só que ela nasceu com sete meses de gestação.

A segunda filha nasceu com oito meses e o caçula nasceu aos oito meses e meio…

Uma coisa que agravava a situação, era que minha esposa tinha bronquite asmática, e não podia tomar os remédios normais para essa enfermidade durante a gravidez (porque poderia prejudicar os bebês).

Isso fez com que a minha esposa sofresse mais nas gestações e. após o terceiro filho, o médico foi categórico: se ela tivesse mais algum filho, ela correria risco de vida.

Hoje vemos que o Senhor foi sábio, e que, para nós, três filhos é um número suficiente, de acordo com nossa capacidade.

Aconteceram algumas experiências espirituais relacionadas ao nascimento dos nossos filhos, que nos impressionaram bastante.

Antes de saber que estava grávida de nossa primeira filha, pouco tempo depois de nos casarmos, a minha esposa teve um sonho terrível:

No sonho, ela corria e era perseguida pelo demônio, que lhe dizia que não iria deixar a criança nascer, porque no futuro ela iria ser uma pessoa muito especial. Ele disse que iria fazer de tudo para impedir o nascimento daquela criança.

Depois desse pesadelo, minha esposa acordou chorando, e pediu-me uma bênção do sacerdócio. Ela ficou bem depois da bênção.

No dia seguinte, compramos um teste de gravidez (daqueles que se faz em casa) e o resultado foi positivo.

Foi assim que ficamos sabendo da primeira gravidez da minha esposa.

Graças a eu ter escrito meu diário, eu posso acessar todos os detalhes de coisas importantes que ocorreram há tanto tempo!

O Presidente da Igreja, Spencer W. Kimball (1895–1985), escreveu que os diários pessoais são um… legado valioso”:

Você é único, e pode haver situações de sua vida que sejam mais nobres e dignas de nota, a seu próprio modo, do que as registradas por qualquer outra pessoa. Pode haver um lampejo de inspiração aqui e uma história de fidelidade ali. Registre sua verdadeira essência e não o que os outros porventura enxergam em você.

Sua história deve ser escrita agora, enquanto está fresquinha na mente e enquanto os verdadeiros detalhes estão à mão. (…)

O que você poderia fazer de melhor para seus filhos e netos do que registrar a história de sua vida, seus triunfos sobre a adversidade, sua recuperação após uma queda, seu progresso quando tudo parecia sombrio, seu júbilo quando finalmente atingiu seus objetivos? (…)

Arranje um caderno (…), um diário que dure toda a vida, e talvez os anjos venham a fazer citações dele na eternidade.

Comece hoje e escreva suas idas e vindas, seus pensamentos mais profundos, suas conquistas e seus fracassos, suas amizades e seus triunfos, suas impressões e seus testemunhos” (“The Angels May Quote from It”, New Era, outubro de 1975, p. 5).

Escrevamos nossos diários. Vale a pena mesmo!

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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