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Fortaleza, Capital do Estado do Ceará, minha segunda área na Missão, foi onde tive muitas experiências espirituais. Povo muito acolhedor e de muita fé, parecia que quase todo mundo com quem conversávamos já tinha tido alguma experiência espiritual.

Na viagem do Rio de janeiro para Fortaleza, que demorou 3 dias, parece que a gente não tinha muito dinheiro (grande novidade: missionário brasileiro sem dinheiro), porque eu anotei o seguinte:

12/abril/1978 – “Durante a viagem (…) o ônibus (faz uma parada) de vez em quando para que os passageiros possam comer alguma coisa e andar um pouco. Descemos em algumas cidades, como Jequié-BA, Vitória da Conquista -BA, etc . Numa delas, eu e o Elder Cordeiro almoçamos. Compramos apenas uma refeição (55 cruzeiros!!!) e dividimos por dois. Noutra parada eu e ele tomamos a água de um coco.”

No diário eu conto como fiquei impressionado com o tamanho do Brasil, pois vimos tantas cidadezinhas no caminho, casinhas de sapé na beira dos rios, e muita terra muito mato (terras desabitadas na época). Outra coisa que nos surpreendeu foi o sotaque das pessoas do Nordeste, que para nós, do Sudeste, era bem diferente.

Fizemos uma parada em Recife, no Pernambuco, onde ficou o Elder Batista. Depois seguimos para Fortaleza.

Depois de algum tempo lá, fiz muita amizade com os membros, que nos ajudavam bastante na Obra Missionária. Escrevi em 19/abril/1978:

As reuniões são bem animadas e realmente o Espírito está presente nelas, pois os membros estão fazendo o trabalho. Os membros (muitas mulheres e moças e poucos portadores do sacerdócio) são pessoas muito gentis e amáveis. (…)como eu nunca vi em parte alguma do Brasil. (…)estou me sentindo “em casa” mesmo. (…)Os membros ajudam, dando boas referências e os Missionários de Distrito (membros do Ramo) são os melhores da Missão Rio de Janeiro.(…)

Hoje, num contato no ônibus circular, um homem disse que estranha Jesus Cristo não ter escrito livro nenhum enquanto esteve na terra …Ele (Aloísio)…disse ainda que Jesus Cristo deveria ter se casado, pois assim Ele iria perceber melhor as coisas, iria ver as coisas como chefe de família”.

Dia 21/Abril/1978 registrei:

…Eu e o Elder Carlson(…)ministramos bênçãos de saúde em seis pessoas que estavam com forte gripe (…)(cuja) epidemia (as pessoas do povo) deram o nome de “Te Contei?”(…)

No dia seguinte eu e o Elder Carlson fomos num velório de uma família, de um homem chamado José Rabelo, que morreu de câncer no pulmão, deixando muitos filhos e filhas. Uma de suas filhas estava bem triste e chorava demais , e alterada, gritava:

-Eu vou descobrir, eu vou matar essa doença (o câncer)! Eu vou, eu vou descobrir, Elder! Ela (a doença) não vai matar mais ninguém, não vai! Vou estudar e descobrir o remédio para acabar com essa doença” (Os Élderes Cordeiro e Waddingham também estavam lá) e os dois americanos tinham mais jeito para consolar… A jovem também gritava: “Por que ele (seu pai) e não eu? ” – E os élderes explicavam que o pai dela, José Rabelo estava num lugar bom, (Mundo Espiritual) que ele tinha sido chamado por Deus, e (assim), com dificuldade, a acalmaram”.

Eu disse que em Fortaleza tivemos várias experiências espirituais, sendo uma aquela que contei no artigo anterior, a respeito de o Sacerdócio ter sido estendido a todos os homens dignos da Igreja.

De outras experiências que tive, em Fortaleza, faço um resumo a seguir:

-Certa ocasião, quando jantávamos na casa de uma família, uma das irmãs que estavam na mesa ficou com uma cara de enorme espanto, porque viu um espírito na cozinha (nós não vimos), enquanto todos nós jantávamos. Depois, abençoamos a casa.

-Um rapaz, chamado Paulo, não-membro da Igreja que estávamos ensinando, procurou-nos apavorado, enquanto estávamos numa Festa da Igreja. Ele disse que uma pessoa começou a passar mal perto dele, e ele, percebendo que era um espírito maligno, pegou uma bíblia e colocou na cabeça da pessoa e tentou expulsar o espírito. Só que ele, Paulo, começou a passar mal, e foi nos procurar desesperado… Nós o abençoamos e ele ficou bem.

-Em Fortaleza, com a ajuda da Vitória Prieto, fui operado de uma forte sinusite crônica que eu tinha, que atrapalhava bastante, e em menos de uma semana já estava recuperado, e voltei a trabalhar. Essa foi uma das grandes bênçãos da minha missão: ter ficado curado da sinusite crônica que eu tinha desde antes da missão. Nunca mais tive sinusite grave, apenas algumas leves, sem maiores consequências.

-Fomos muito ajudados por muitas famílias de Fortaleza, no trabalho de achar e ensinar o Evangelho Restaurado. Não quero citar nomes, para não correr o risco de esquecer ninguém. Sou muito grato a todos os membros daquela época!

Tive muitas outras experiências que talvez no futuro eu venha a relatar com mais detalhes.

Para encerrar esse capítulo do meu Diário, vou transcrever uma parte onde eu reconheço o que a Missão está fazendo por mim (além, claro, do fato de eu estar pregando o Evangelho e podendo ajudar muita gente):

02/Maio/1978 “...Tenho pensado muito sobre (…)a vida, sobre a morte (…)Geralmente chego a conclusões que me tranquilizam e que me confortam (…)Creio que estou me aperfeiçoando e (adquirindo) sabedoria (…), chego mais fácil às conclusões. Como missionário (isto significa, Embaixador do Evangelho de Cristo) eu me sinto muito bem.(…)gosto do trabalho missionário (e) fico muito satisfeito quando encontramos pessoas interessadas em ouvir o Evangelho (…) e é os escolhidos que buscamos, para que façam parte do Reino de Deus na Terra”

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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