O Sacerdócio estendido a todos os homens dignos

A 1ª parte desta série você encontra aqui.

A 2ª parte desta série você encontra aqui.

Vou continuar escrevendo a respeito de vários fatos ocorridos entre os anos de 1978/1980, quando fiz uma Missão de Tempo Integral durante dois anos, pregando o Evangelho Restaurado na Missão Brasil Rio de Janeiro, que abrangia, em 1978, desde o Estado do Rio de Janeiro até Manaus, no Estado do Amazonas.

Nesta 3ª parte destaco a minha experiência como missionário em campo, quando o Sacerdócio foi estendido a todos os homens dignos.

Por muito tempo — desde meados dos anos 1800 até 1978 — a Igreja não ordenava ao sacerdócio os homens que tivessem antepassados afrodescendentes e nem permitia que homens ou mulheres negras participassem da investidura do templo ou das ordenanças de selamento. Nós convidávamos todas as pessoas a frequentarem a Igreja, e todos eram realmente muito bem-vindos à Igreja, mas havia uma restrição.

Existia até uma palestra, que chamávamos “palestra de linhagem”, que ensinávamos a todas as pessoas que se interessavam em ouvir nossa mensagem, onde era prometido que, “no plano eterno de Deus”, um dia o Sacerdócio seria estendido a todos os homens dignos.

Não vou entrar em pormenores a respeito dessa doutrina aqui neste artigo, mas sim apenas narrar o que senti na época, de acordo com as anotações do meu Diário. Para saber mais sobre esse assunto leia “As Etnias e o Sacerdócio” do site oficial da Igreja.

DE ANDARAÍ-RIO DE JANEIRO, PARA FORTALEZA-CEARÁ

Depois de trabalhar dois meses na área do Andaraí, na cidade do Rio de Janeiro, fui transferido para Fortaleza, capital do Estado do Ceará.

No meu Diário 2, dia 09 de abril de 1978, anotei:

Hoje recebi uma maravilhosa notícia: TRANSFERÊNCIA PARA FORTALEZA. É um dos lugares (áreas) que mais (têm batismos) na Missão Brasil Rio de Janeiro. É uma bênção muito grande (ir para lá), e todos os missionários que estão aqui no Rio estão “secos” (isto é, com muita vontade) de irem para lá. É um sonho de todo missionário ir para o Nordeste.”

…vou juntamente com o Elder Batista e Elder Cordeiro em um ônibus leito. São aproximadamente três dias de viagem”…

Fiquei em Fortaleza durante quatro meses. Naquela época só havia um Ramo em Fortaleza, localizado na Av. Santos Dumont, na Aldeota, e somente meia capela estava construída naquela época.

Aconteceram muitas coisas boas nesses quatro meses, entre as quais 12 batismos de pessoas que ensinei, juntamente com o Elder Carlson e o Elder P., a conhecerem o Evangelho Restaurado. Os membros do Ramo de Fortaleza ajudavam muito os missionários, levando-os às casas de seus amigos e parentes. Foram muitas as experiências espirituais nesses quatro meses.

Oportunamente, relatarei mais detalhes a respeito do tempo que servi em Fortaleza, mas neste artigo quero me ater especificamente ao fato de o Sacerdócio ter sido concedido a todos os homens dignos.

Em 14 de Junho de 1978, anotei no meu Diário 2:

Foi confirmado: (os negros) vão poder receber o sacerdócio!

O Irmão Day (Conselheiro do Presidente do Ramo Antenor) recebeu a informação da Casa da Missão do Rio de Janeiro.

Este é um ano histórico: 1978. (Este ano) foi escolhido para ser o ano em que dos (homens) da “linhagem de Caim” pudesse ser tirada a maldição, e a ela venham a serem dadas as bênçãos do Sacerdócio.

O Profeta Spencer W. Kimball recebeu a revelação. Creio que nós (missionários) logo teremos os detalhes. Até agora nós (ainda) não recebemos nada (por) escrito.

Agora o Evangelho (Restaurado) poderá ser ativamente levado a todas as pessoas” (Diário 2, pg.46).

Logo nós, os missionários, recebemos instruções de não mais ensinar a “palestra de linhagem”, o que foi uma grande alegria por parte de todos nós.

A nossa euforia foi muito grande com a notícia, e nosso trabalho ficou muito mais facilitado, porque a partir de então, começamos a não ter de nos preocupar em identificar se alguém era negro ou não.

Hoje em dia, no ano de 2016, muitos membros da Igreja nem sabem desses fatos, mas os membros de antes de 1978 vão se lembrar como esse acontecimento mudou a História da Igreja, com o Sacerdócio sendo estendido a todos. A Igreja começou a crescer cada vez mais, o trabalho missionário se estendeu para várias partes do mundo onde o Evangelho Restaurado ainda não havia entrado, e cada vez mais pessoas passaram a receber as bênçãos advindas do Sacerdócio de Melquisedeque.

Os homens que já eram batizados na Igreja e que eram negros receberam o Sacerdócio de Melquisedeque, e por todos os lugares onde a Igreja já estava estabelecida o Sacerdócio foi reforçado com o acréscimo desses irmãos aos Quóruns e Grupos das Alas e dos Ramos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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