Têm coisas que leio agora, em meus antigos diários da Missão, que até eu mesmo fico espantado… O que vou postar logo a seguir, e que escrevi no dia 4 de março de 1978, é uma delas.

Essa passagem deste diário pode dar uma boa dimensão para quem não foi missionário, do que sente um pregador do Evangelho de Jesus Cristo. E eu acho que isso deve ter acontecido com muitos missionários, e que continuarão a acontecer com os atuais e futuros missionários.

(Só para explicar um pouco para quem não é membro da Igreja SUD, um missionário mórmon serve durante dois anos (os rapazes); as moças servem durante um ano e meio. Não ganham salário, seguem regras rígidas de conduta, tais como levantar às 6 e meia da manhã, estudar as Escrituras várias horas por dia, não namorar, não se dedicar a mais nada que não seja exclusivamente estudar e pregar o Evangelho Restaurado. Não é uma coisa fácil de se fazer, como todos podem imaginar o que é  falar de Jesus Cristo e dos profetas antigos e modernos, para pessoas que os missionários encontram nas ruas, nos ônibus circulares, batendo nas portas de pessoas desconhecidas ou ensinando as pessoas que são apresentadas  por membros da Igreja Mórmon. Eis o trecho do diário 1 a que me referi:

04-MARÇO-1978Hoje eu orei muito: durante a manhã, um pouco a tarde e muito a noite na hora de dormir (hora em que escrevo estas palavras. Eu orei de uma forma em que me senti tão próximo do Pai Celestial que eu SENTI A PRESENÇA DELE!

(Há) algumas semanas atrás, num dia em que eu estava tão fraco que eu estava quase chorando de medo, angústia, desapontamento (por causa de tudo – saudades, iniqüidade (do povo em geral), tentações, etc) num dia que eu passei horrivelmente mal, eu orei ao Pai Celestial. Mas foi A ORAÇÃO.

Foi na capela da Estaca Rio de Janeiro, RJ. Estava deserta a capela (naquele dia).

Eu ajoelhei perto do púlpito, atrás de um dos bancos, e orei com fé. Foi um verdadeiro pedido de socorro.

Eu abri meu coração a Deus: pedi força, pedi alegria, pedi tranqüilidade e muitas outras coisas. E eu pedi COM FÉ. Eu estava disposto a seguir a Jesus, e queria ajuda para consegui-lo.

E FUI ATENDIDO.

Hoje a noite, em minha oração antes de dormir, eu percebi que tudo o que pedi naquele dia na capela da Tijuca, o Pai Celestial me concedeu: força, alegria, tranqüilidade.

Este é mais um testemunho que eu tenho da obra de Deus.

Tenho tido também, cada vez mais, a certeza do amor do Pai Celestial e do Senhor Jesus Cristo por mim.

Sei que Eles querem o meu sucesso.

EU OS ADORO. E farei a vontade dEles durante toda a minha vida, até onde forem as minhas forças. Eu quero voltar à presença dEles um dia. Isto é uma meta e um desejo sincero meu. Oro ao pai Celestial que Ele me ajude a realizar esta meta.

LOUVADO SEJA O DEUS ALTÍSSIMO E SEU FILHO JESUS CRISTO. Eu os adoro.

Claro que não vi Deus, mas a presença do Espírito Santo foi tão forte naquela ocasião, que mesmo depois de passadas mais de três décadas, ainda lembro bem do ocorrido!

Antes de continuar, eu gostaria de agradecer muito aos membros e líderes da Igreja da Ala Andaraí-RJ, porque eles nos ajudaram muito!

Não vou citar nenhum nome dos membros das áreas onde servi, porque posso esquecer-me de algum e cometer uma injustiça. Os nomes de muitos deles estão lá nos meus diários, mas nesses artigos vou contar somente fatos sem citar nomes.

A não ser os nomes dos que foram parceiros de Missão, e que ainda  são amigos até hoje (ou de alguns de quem nunca mais eu soube nada deles), para não constranger ninguém. Se for citar alguém, usarei apenas as iniciais dos nomes de algum dos membros seja de que área for.

Estou agora com o Diário nas mãos, e continuo me espantando com o que leio… Escrevi muitas coisas, não vou poder transcrever tudo.

Resumindo o que aconteceu no Andaraí, ficamos muito felizes com o batismo de dois pesquisadores, que foram referência de Irmão S., que nos apresentou a família C., e ensinamos a palestra da Restauração.

27.março.1978-“O maior “mérito” desses 2 batismos, porém, vão para os Élderes Melo e Batista, que terminaram de ensinar a família C. (porque os pesquisadores  eram de outra área, eram da Ala Tijuca)”.

 Isso que aconteceu no Andaraí, me lembrou de que isso acontecia muitas vezes na missão, e também acontecia de  a gente preparar várias pessoas para o batismo, e nós  éramos então transferidos para outra área, e os novos recém-chegados missionários só “colhiam os frutos” …

Bom, às vezes a gente chegava numa nova área e tinha gente preparada para batizarmos também, então ficava tudo empatado…

Para terminar este artigo, de forma que ele não fique muito longo, vou transcrever mais um trecho do que escrevi.

21.MARÇO.1978 – …vou expor algumas coisas que considero importantes. (…)

Meu testemunho das obras de Deus  cresce dia a dia, e minha fé tem aumentado demais. Sinto, às vezes, o poder de Deus tão perto de mim, que me dá uma segurança (…) muito grande.

O Espírito Santo tem me ajudado muito, e eu só tenho a agradecer o amor do Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo por mim, pelas bênçãos de sabedoria e força que tenho recebido.

Deus realmente quer o nosso progresso. “Pois se os homens, sendo maus, desejam o que é bom para os seus filhos, quanto mais não dará Deus não dará coisas boas a Seus filhos? (conforme as Escrituras ensinam”

Deus é amor. Por ser Amor, Ele quer que nós soframos? Isto é amor? Sim, é amor! Porque o sofrimento faz com que nós nos aperfeiçoemos. É nos momentos difíceis que aprendemos as coisas”.

(…)s e uma mulher quiser ter um filho, ela terá de passar pelo difícil período de nove meses de espera (e pelas dores do parto)”.

(…) Por isso, quem quiser ser um grande no Reino dos Céus tem de se humilhar e se entregar aos influxos do Espírito Santo e a se dedicar a Deus.. “de todo o coração, mente e força” (D&C 4:2)..

(…) Estou em missão há um mês e quatorze dias. Nesse pequeno espaço de tempo, já aprendi a ter mais fé, mais esperança (…).Aprendi que a oração é imprescindível a nós.

(…) Aprendi que quanto mais nos esforçarmos na obra missionária (de forma correta) receberemos mais bênçãos.

(…)Tenho sido caluniado, expulso (das casas) e sido motivo de riso para certas pessoas mal-informadas. Tenho aprendido a perdoar (essas) pessoas.

(…)Mas tenho (também) visto muitas pessoas boas, que são pessoas que amam, que se preocupam com seu semelhante.”.

 Vou ficando por aqui, e brevemente, postarei mais um artigo com trechos de meus diários do tempo de minha missão.

Até breve!

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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