A 1ª parte desta série você encontra aqui. A 2ª aqui. A 3ª aqui. A 4ª aqui. A 5ª aqui. E a 6ª parte aqui.

Nesta 7ª parte, eu narro a minha volta ao Rio de Janeiro, para minha terceira área, onde servi na Missão Brasil Rio de Janeiro (de 1978/1980)

Fiquei sabendo que seria transferido no dia 14 de Julho de 1978, mas fiquei mais alguns dias em Fortaleza, a tempo de ter mais algumas boas experiências: a primeira experiência foi que nós fomos a um bairro afastado do centro da cidade dar uma palestra. Só que a palestra acabou bem mais tarde do que pensávamos, e não tinha mais ônibus para voltarmos para o centro da cidade, de onde pegaríamos outro ônibus para casa.

Que fazer, então? Ficamos pedindo carona, e o tempo foi passando. Meia noite e meia, um “corajoso” motorista parou e nos levou até o centro da cidade:

Quando estávamos no centro da cidade, eu disse que iríamos pegar um ônibus para a Cidade 2000 (bairro onde morávamos, em Fortaleza). Para nossa surpresa, ele disse que morava lá (na Cidade 2000) também! E nos trouxe (até em casa)! Foi impressionante pegar uma carona lá no (bairro) Pref. José Walter às 24:30 horas e de um homem que mora no mesmo bairro que nós! Foi ou não uma bênção do Pai Celestial? Eu sei que foi!

No último domingo que servi em Fortaleza, foram realizados por mim dois batismos: Maria Lucy e Ana Lúcia Barbosa Oliveira.

Despedi-me, então, do Ramo de Fortaleza, onde eu fiz muitos amigos e onde nós (missionários que servíamos em Fortaleza) batizamos várias pessoas.

Campo Grande – Rio de Janeiro

De ônibus, em três dias de viagem, voltei de Fortaleza para o Rio de Janeiro, onde passaria a servir como missionário no Ramo de Campo Grande-RJ.

Dia 20 de julho de 1978 escrevi algumas palavras a respeito da viagem para o Rio:

20.Julho.1978: “Estou no Rio de Janeiro desde ontem à tarde.(…)eu e o Elder Cordeiro viajamos de Fortaleza a Recife em ônibus semileito. Em Recife, revi o Elder Veneroni, que estava indo para Natal; revi o Elder Areas (que me emprestou 1600,00 cruzeiros); vi o Elder Olher, (que mora em Tupã-SP, onde eu nasci) que estava indo com Elder Barreto para Fortaleza.”

Depois, de Recife, com um ônibus-leito da Itapemirim, eu vim sozinho para o Rio de Janeiro. O Elder Cordeiro ficou em Recife.Ele, juntamente com o Elder Barrus, foram me levar até a Rodoviária de Recife.

Registrei no diário que durante a viagem sentaram perto de mim duas senhoras da Igreja Batista e duas freiras católicas. Também registrei que eu estava muito gripado durante toda a viagem até o Rio.

Logo que cheguei ao Rio de Janeiro, liguei para a Casa da Missão. Elder Tobler me disse para ir para lá. Peguei o primeiro táxi que vi, um táxi branco, bonito…só que era um Rádio-Taxi! Caríssimo! Não sei dizer quanto equivale 178,00 cruzeiros no dinheiro de hoje, mas foi o que custou o taxi (uma fortuna para mim, na época). Sem contar que, na Casa da Missão tive de aguentar as gozações dos missionários que estavam lá… por não ter usado taxi comum (que eram os táxis amarelos, pelo que me lembro).

Nova área: Campo Grande, Rio de janeiro

Em Campo Grande-RJ eu passei a ser missionário “Sênior”(o líder da dupla de missionários). Eu estava, então, com 7 meses de missão, e meu primeiro companheiro “Junior”, em Campo Grande-RJ, foi o Elder Sales (que viria a falecer , com apenas 23 anos, após terminar a sua missão, de câncer no cérebro).

Aprendi muito com o Elder Sales, apesar dele não ser de muita conversa. Morávamos numa edícula que se situava na casa que era usada como Capela do Ramo Campo Grande.

Eu não conhecia nada da área de Campo Grande, e logo de cara já tive uma experiência muito interessante.

Já narrei essa experiência num artigo chamado “Sinais de Nosso Pai Celestial nos Caminhos da Vida”, do qual transcrevo um trecho abaixo:

“Certo dia, numa visita à casa de um dos membros de Campo Grande, Rio de Janeiro, tomamos o ônibus. Ele, (Elder Salles) como era de costume, ficava “na dele” e eu “na minha”.

O ônibus serpenteava pelas ruas da cidade, quando eu, que estava distraído olhando pela janela (eu era novo na área), ouvi uma voz muito suave (mas nítida) em minha mente: “- Seu companheiro desceu e você ficou”.

Levei um susto e comecei a procurar o meu companheiro pelo ônibus, mas não o encontrei. Ele tinha descido mesmo sem me avisar…

Como eu não conhecia a área ainda, continuei sozinho dentro do ônibus e esperei ele voltar até ao ponto inicial de onde saímos, e dali fui para a casa onde morávamos …Horas depois ele (Elder Salles)chegou em casa, bravo, por eu não ter descido após ele…”

O que era uma coisa “ruim”, na verdade, acabou se tornando uma experiência espiritual, onde se mostra que o Espírito não se preocupa só com coisas grandes e sérias, mas também está atento até às pequenas coisas que acontecem na vida dos missionários, devido ao fato deles estarem pregando o Evangelho de Jesus Cristo.

As experiências que se tem em dois anos de Missão valem para o resto da vida, justamente porque nesses dois anos, sentimos mais claramente a mão do Senhor, tanto nas coisas “grandes” que nos acontecem, como nas pequenas.

Música dos Élderes Florêncio e Tyler

Na Missão, apesar de levarmos muito a sério o trabalho de pregação do Evangelho, nós, missionários, também tínhamos momentos de descanso e bom humor. Como muitos sabem, segunda-feira era o nosso “Dia de Prepararão” (ou “P-Day”, como dizíamos). Dia de descansarmos, escrevermos cartas e visitarmos lugares turísticos da cidade.

Também gostávamos muito de fazer paródias, usando a melodia de hinos ou outras músicas, e colocando letras a respeito do trabalho missionário. É o caso dessa música do Eler Florêncio e do Elder Tyler, que colocaram uma outra letra no Hino 136, “O Mundo Desperta”. Para quem não conhece o hino 136, ouça o original em O Mundo Desperta.

Técnicas de Ensino

Pra ter conversão
Também é preciso
Haver uma boa preparação
Ensine em conjunto
Prepare o ambiente
Comece a palestra com uma oração
Saiba os nomes de cada um
Pra não haver erro nenhum
Saiba usar seu “flip-chart” também
Com escrituras combina bem
Para ter sucesso
E um bom segmento
Ensine com o Espírito
Sempre presente
Preste testemunho
Com bons fundamentos
Termine orando
Bem sinceramente
Refrão

O “flip-chart” era o nosso livro de gravuras, que era usado junto com as palestras, para ilustrar o que ensinávamos sobre o Evangelho Restaurado. Por hoje, fico por aqui. Breve mais experiências, num próximo capítulo de meu Diário Missionário.

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Luiz Polito

Luiz Polito serviu na Missão Brasil Rio de Janeiro (1978/80). É músico e microempresário. Proprietário de um Sebo Virtual, chamado Higino Cultural. E atualmente serve como Consultor de História da Família na Ala Bauru - Estaca Bauru.
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