Recentemente visitei uma família amiga em um dia de domingo. Uma coisa me chamou atenção na dureza de palavras de meu amigo. Ele desfilava palavrões o tempo todo. Murmurava contra o patrão e os colegas de trabalho. Gritava como um louco: “chamando-os de vagabundo”. Era grosseiro com sua amável esposa e os filhos.

Fiquei incomodado com tudo aquilo. O pior veio depois. Mesmo sendo uma família cristã o televisor estava ligado a todo volume. Domingo de jogo entre Corinthians e Palmeira. Ele é corintiano doente. Esse homem gritava como um louco, falava mal dos jogadores, do juiz, bandeirinha e técnicos. Gritava: “Vai, vai, acaba com esse desgraçado” quando o ataque era do adversário.

Fiquei surpreso. Sempre o vi na Igreja, ativo, participante e tranquilo. Em casa um falastrão destemperado. Duro de palavras com a esposa e os filhos e agindo como um animal descontrolado diante do televisor. Gritando e xingando os adversários de seu time. Para mim foi uma experiência que não pretendo repeti-la.

As palavras de uma canção conhecida: “Não deixeis palavras duras vossos lábios pronunciarem, porque Deus, lá nas alturas, pode por certo escutar” (…) refrão: “Aos vossos irmãos amai, ordena o Salvador, criança escute ao bom Senhor, ao vosso irmão amai”. (…) “amor é sempre puro, a amizade sempre um bem, mas lembrai de que um gesto duro pode matar o amor também”. (.,) “Frases ásperas ou frias, gestos cheios de rancor, matam nossas alegrias, nossa amizade e amor”. Amo a letra deste hino dedicado às crianças.

Sua mensagem é universal. Frases ásperas e frias, gestos cheios de rancor, matam nossas alegrias, nossa amizade e amor. Pura verdade. Como escreveu o salmista: “A palavra branda desvia o furor”. As pessoas de coração duro perdem o limite do amor a Deus e ao próximo. São egoístas. Na linguagem popular o coração está associado ao simbolismo da vontade. Uma fonte de sentimentos das pessoas. Traduz emoção. Quando nosso coração é quebrantado pela pureza do Espírito Santo, nossas palavras, gestos e ações são retos. Deus é colocado na condição de um Pai Celestial, Todo-Poderoso, sentimos sua bondade e amor em nós mesmos e por extensão em nosso próximo. Nosso coração se enche de amor. Assim nosso coração passa a ser uma fonte de amor contrito, nossas palavras são retas e não sentimos desejo de ofender e magoar ninguém.

Ter um coração quebrantado é ser alguém ensinável, humilde e receptivo à vontade de Deus e aos ensinamentos de Cristo. Alguém que age e sente desconfortável com o rancor e o ódio. “Eu o Senhor, te falarei em tua mente e em teu coração pelo o Espírito Santo” (D&C 8: 2). O duro de coração por suas palavras fecha-se a inspiração do Espírito.

Pais duros de coração batem nos filhos como se eles fossem bandidos. Nas delegacias de policias são comuns os registros contra pais agressores de esposas e filhos. A violência é tanta que provoca quebram de ossos, hematomas, sangramentos e até de quebra de braços e dedos. Os agressores justificam sua violência como meios de ensinamentos. A violência não ensina para o bem. Essas pessoas são duras de coração e geralmente foram criadas em famílias de pais violentos. Não é regra geral. Em boa parte dos casos há relações profundas.

As marcas da violência ficam e pode se manifestar quando menos se espera. Certa ocasião eu dei uns tapas em meu filho de doze anos por uma desobediência dele. Com lágrimas nos olhos ele abraçou-me e pediu desculpa. Eu o abracei e choramos juntos. Prometi a mim mesmo que nunca mais bateria em meu filho. Hoje meu filho é casado e tem um filho, nunca levantou a mão para bater no filho. O melhor caminho para ensinar é o exemplo e o amor. Dureza de coração não leva a nada – só ao inferno.

Os maiores problemas familiares de hoje estão na falta de comunicação entre pais e filhos. Eles vivem no mesmo teto como estranhos formais. Não conversam. Um não sabe nada do outro. Quando não há relacionamento amistoso entre pais e filhos, ocorre a separação e a falta de confiança. O filho se abre para colegas sem experiência ou para o traficante da esquina. A falta de apoio em casa pode leva-lo as drogas e ao crime – o que vem ocorrendo com frequência na maioria das famílias. Quando a desgraça acontece os pais cinicamente dizem: “o que eu fiz para merecer isso?” Não fez nada. O filho foi largado à própria sorte. Sem amor, sem carinho, sem direção, sem orientação. Pais e filhos que vivem como inimigos. Corações duros de ambos os lados.

Há um ditado que diz: “Não é casa e comida que faz alguém feliz”. Os filhos precisam muito mais do que casa, comida e escola. Precisam de amor, carinho, orientação e proteção dos pais. Como patriarca do lar o pai precisa assumir seu papel de líder dos filhos por palavra e por exemplo, com apoio da esposa. Se ele nada sabe a respeitos dos filhos – responsabilidade sua – os traficantes, bandos e quadrilhas do crime organizado vão se apossar deles. É dever dos pais liderar sobre os filhos por ensino e exemplo.

Antônio Macedo

Nascido em Pernambuco, Antônio Fernandes Macedo é jornalista e radialista. Casado, é pai de seis filhos. Serviu como Diretor de Assuntos Públicos da Área Brasileira e Missionário de Tempo Integral no Departamento de Assuntos Públicos da Área Brasil.

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