Em 12 de novembro de 2000 o Presidente Gordon B. Hinckley proferiu um discurso para os jovens e jovens adultos solteiros da Igreja. Naquela data, você estava com apenas 4 anos de idade. Hoje, você é uma jovem adulta solteira e, como sei que as palavras do Profeta continuam atuais, importantes e necessárias, vou basear minha mensagem nos seis conselhos que ele deu naquele momento.

Primeiro: Seja grata.

Há muito pelo que sermos gratos. Creio que a gratidão é a mãe de toda as virtudes. Quero lhe falar sobre um tipo de gratidão que está perdendo seu lugar nos nossos dias.

Todos conhecemos muito bem a linda história de Enos e sua conversão maravilhosa, após ter orado fervorosamente ao Senhor. Mas, porque Enos se sentiu motivado a buscar ao Senhor e obter a remissão de seus pecados? O próprio Enos relata:

“(…) eu, Enos, sabia que meu pai era um varão justo – pois instruiu-me em seu idioma e também nos preceitos e na admoestação do Senhor – e bendito seja o nome de meu Deus por isso. (…) e as palavras que frequentemente ouvira de meu pai sobre a vida eterna e a alegria dos santos penetraram-me profundamente o coração.” Enos 1:3

Um outro relato muito belo: Helamã nos descreve os dois mil jovens guerreiros que lutaram sob seu comando e indica de onde vinha a firmeza daqueles homens:

“E eram todos jovens e muito valorosos quanto à coragem e também vigor e atividade; mas eis que isto não era tudo – eles eram homens fiéis em todas as ocasiões e em todas as coisas que lhes eram confiadas. Sim, eles eram homens íntegros e sóbrios, pois haviam aprendido a guardar os mandamentos de Deus e a andar retamente perante ele. (…) eles tinham sido ensinados por suas mães que, se não duvidassem, Deus os livraria. E repetiram-me as palavras de suas mães, dizendo: Não duvidamos de que nossas mães o soubessem.” Alma 53:20-21, 47-48

É significativo que a primeira frase do primeiro versículo, do primeiro capítulo, do primeiro livro de O Livro de Mórmon seja “Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais (…)”.

Este é o tipo de gratidão de que quero lhe falar. Néfi, Enos e os jovens guerreiros sabiam que a base de sua força, fé e testemunho, eram a força, a fé e o testemunho de seus pais. E eles eram gratos por isso e demonstraram esta gratidão. Eles reconheciam os esforços justos de seus pais, ainda que estes fossem imperfeitos.

Isto é algo que merece nossa profunda ponderação. A importância da influência dos pais na vida de uma criança e de um jovem é realmente muito grande.

Sou grato pelos anos em que a encaminhamos para as aulas do Seminário, para as Mutuais, e outras atividades. Pelas vezes em que a acompanhamos aos bailes, pelas noites familiares, leituras das escrituras, orações de joelhos em família, acompanhamento do seu Progresso Pessoal e conversas sobre seus muitos questionamentos sobre a doutrina do Evangelho.

Espero que você também seja grata por tudo isso.

Sinto-me triste ao perceber que alguns jovens valorosos poderiam aprender mais, fazer mais, ser mais, se tivessem uma maior frequência ao Seminário. Se, ao irem ao Seminário, levassem as escrituras consigo. Se, ao levarem as escrituras, as tivessem estudado antes, em casa. Se, ao estudarem, em preparação para a aula, não se distraíssem com a TV, o celular, a internet e tantos outros atrativos que existem hoje. Minha tristeza se torna ainda maior ao compreender que parte desta realidade vivida por estes jovens, este acúmulo de esquecimentos, distrações e falta de vontade de aprender, é de responsabilidade de seus pais.

Tenho dificuldade em compreender quando ouço de um jovem que ele não foi ao Seminário ou à Mutual porque é noite e seus pais temem por sua segurança, quando esses pais são membros da Igreja e não se dispõem a levantar-se do sofá para caminhar com seu filho até a capela, esperar que ele participe das atividades e depois o acompanhar de volta ao lar.

Sei que nem sempre foi fácil ser minha filha. Você nunca teve o direito de escolher não ir à Igreja aos domingos, não ir ao Seminário, não ir à Mutual, não ir ao Super Sábado, não ir ao Instituto. Você nunca teve a possibilidade de escolher usar um vestido acima dos joelhos ou que fosse revelador de qualquer modo. Nunca foi autorizada a pintar os cabelos de cores não naturais, fazer tatuagens ou colocar piercings. Teve que deixar de participar de atividades que outros jovens da sua idade participaram, porque não eram atividades apropriadas, ou eram realizadas em horários inapropriados.

Espero que você seja grata por isso, também.

Certa vez, quando você ainda estava entrando na adolescência, um amigo disse que você se afastaria da Igreja em não muito tempo, porque a pressão era muito grande e o nível de exigência que eu determinei era demasiado. Segundo ele, como jovem, você deveria ter toda a liberdade para escolher o que fazer, em todos os aspectos. Bem, a notícia alegre é que ele estava errado. Aí está você, ativa, com todas as suas metas e marcas alcançadas na Organização das Moças, com um certificado de aprovação com louvor em quatro anos do Seminário e a poucos dias de entrar no Centro de Treinamento Missionário para cumprir uma Missão de Tempo Integral honrosa. A notícia triste é que aquele meu amigo me disse recentemente, com um semblante pesaroso, que já não sabe mais o que fazer para que sua filha tenha real interesse pelo Evangelho e pela Igreja. É com tristeza que vejo que ele contribuiu para este quadro de apatia espiritual no qual sua filha se encontra. Ao permitir que ela tomasse decisões para as quais ela não estava preparada, ele, na verdade, esquivou-se de suas responsabilidades de pai. Infelizmente, este não é um caso isolado.

Você teve alguns bispos em sua vida, além de outros líderes e professores, na Primária, na Organização das Moças e na Escola Dominical. Embora eles tivessem um trabalho mais “leve” com você – porque nem eu, nem sua mãe, transferimos nossa responsabilidade de pais para eles -, sei que cada um destes homens e mulheres inspirados e amorosos se preocuparam com o seu bem-estar e oraram por você.

Espero que você seja grata por isso, também.

Segundo: Seja inteligente.

Há vários tipos de inteligência. Uma delas tem sido muito exigida dos missionários nos dias de hoje: a inteligência emocional, ou a capacidade de reconhecer e lidar com os seus próprios sentimentos e os dos outros.

Infelizmente, tem sido cada vez mais comum ver missionários frustrados, cansados, dependentes de ajuda psicológica para permanecerem no campo missionário. Não sou um especialista neste assunto, mas estive no campo missionário e posso dizer, sem medo, o que falta a estes missionários: resiliência, que é a capacidade de recuperação diante das adversidades.

Os desafios são inevitáveis. Leí ensinou: “(…) é necessário que haja uma oposição em todas as coisas.” 2 Néfi 2:11

Uma das chaves para enfrentar os desafios é concentrar-se na solução, e não no problema. O problema não está no seu controle, ou ele não existiria. O que está no seu controle é o que você pode fazer a respeito do problema. Foque nisso e vá em frente! Não tenha uma atitude alienada, nem fuja à luta. Estas são atitudes típicas do enfraquecido.

O Presidente Ezra Taft Benson disse, certa vez:

“Um dos maiores segredos do trabalho missionário é o trabalho. Se um missionário trabalhar, obterá o Espírito; se obtiver o Espírito, ensinará pelo Espírito; e se ensinar pelo Espírito, tocará o coração das pessoas; e será feliz. Não haverá saudade de casa, nem preocupação com a família, pois todo o tempo, talentos e interesses estarão centralizados na obra do ministério. Este é o segredo: Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Não existe substituto satisfatório, especialmente no trabalho missionário.” Seminário de Presidentes de Missão, agosto de 1982, citado no Guia Missionário (1988)

Quando sentir que, apesar do trabalho diligente, as coisas estão difíceis, lembre-se das palavras do pai do Presidente Gordon B. Hinckley, quando ele se sentiu desanimado em sua missão:

“Querido Gordon. Recebi sua carta [de tal data]. Tenho somente uma sugestão. Esqueça de você mesmo e trabalhe. Com amor, seu pai.” Jeffrey R. Holland, “Presidente Gordon B. Hinckley: Mostrando Real Valor”, A Liahona, junho de 1995.

Algo muito importante: cuidado com o perfeccionismo. Ele pode minar a sua resistência. A percepção da imperfeição pessoal pode significar a grande oportunidade para a mudança e o progresso, ou o sentimento de derrota para si mesma. Seu valor nunca deve ser medido por seus resultados. Você é filha do Pai Celestial que a ama e a quem você ama. Isto define o seu valor!

Envelhecemos a cada dia. A velhice é um processo natural e inevitável. A maturidade, não. Ela é opcional. Requer a decisão de ser maduro. Há quem escolha não amadurecer. E permanece infantil, ainda que não seja mais criança. O amadurecimento vem com o passar dos anos. Mas há quem escolha amadurecer com o passar dos danos, ao fazer escolhas tolas e de consequências negativas. Faça escolhas sábias, inteligentes e no tempo correto. Escolha ser prudente, ser melhor, ser mais. Decida ser madura. Espiritualmente madura. Você verá que isto é leve e bom.

Terceiro: Seja pura.

O Senhor disse: “(…) que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente” D&C 121:45. E também: “Porque eu, o Senhor Deus, deleito-me na castidade das mulheres.” Jacó 2:28

No campo missionário, você será uma representante do Senhor. Usará uma plaqueta com o Seu nome. Terá lições a aprender e a ensinar. Porém, a eficácia deste trabalho dependerá de sua pureza. Mantenha-se sempre pronta à companhia do Espírito Santo. Mantenha-se vigilante, atenta às armadilhas do inimigo de nossas almas. Lembre-se de que a pureza plena envolve atos, palavras e pensamentos.

Infelizmente, não são poucos os jovens que se deixam seduzir pela vaidade, que leva ao relaxamento dos padrões de vestuário, que leva ao rebaixamento dos padrões de comportamento. Este ciclo é muito nítido. Mas nem todos parecem perceber que estão envolvidos nele. Como alguém entorpecido, eles não conseguem enxergar o mal que este processo lhes causa.

Quarto: Seja fiel.

A sua fidelidade é, primeiro, para com o Senhor. O Presidente da Missão O representa. Assim, você também deve ser fiel a ele e à sua esposa. Depois, você deve ser leal à sua companheira. Respeite esta hierarquia. Ela é importante.

Não há nada mais triste que alguém desleal. No campo missionário, é fácil agir assim. Criticar o Presidente da Missão, criticar a companheira, queixar-se das condições, etc., são algumas das maneiras de ser desleal no campo missionário. Esteja atenta, sempre! E jamais envolva os membros locais em situações de desconforto com as companheiras. O companheirismo no serviço missionário é um protótipo do casamento. Deve haver lealdade, confiança, respeito e amor.

Quinto: Seja humilde.

Em 2014, Noelle Pikus-Pace, atleta SUD de skelleton, da Austrália, conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Inverno. A cena da comemoração de Noelle foi marcante. Ela poderia ter feito qualquer coisa. Mas preferiu correr para a arquibancada. Lá estava a sua família. Noelle, então, começou a repetir: “Conseguimos”. Ela havia ficado de fora das competições em 2006, por causa de um acidente que quebrou a sua perna. Em 2010, ela ficou de fora do pódio por um décimo de segundo. Ali, naquele momento em 2014, era a sua última chance. E, ao conseguir alcançar o seu sonho, ela reconheceu que aquele era, na verdade, o sonho de toda a sua família.

Em sua missão, você sempre fará um trabalho de equipe. Nunca haverá algo que você fará sozinha. Divida o mérito, sempre. Reconheça o esforço de todos. As orações de todos. O desejo de todos de fazerem o melhor que puderem.

Há outro ponto importante sobre ser humilde. Trata-se da humildade financeira. Você terá companheiras abastadas, e outras sem tantos recursos. Trate-as igualmente, sem fazer distinção de nenhum tipo. Lembre-se que todo e qualquer dinheiro que você receber no campo missionário, seja através do Presidente da Missão ou de sua família (quando houver necessidade para situações não cobertas pelos fundos missionários), não importa, este dinheiro é sagrado. Cuide-o bem e com sabedoria. Seja controlada. Anote seus gastos. Não seja um peso para ninguém.

Ao dispor de recursos limitados para suas despesas, você precisará ter sabedoria. Este aprendizado será muito importante em sua vida após a missão. Se um maior número de membros da Igreja seguissem estes cuidados simples, os bispos teriam bem menos trabalho e preocupação. Infelizmente, as pessoas descontrolam suas finanças, gastam excessivamente, confundem desejos com necessidades e abusam do uso do cartão de crédito. Elas começam com o cartão, e terminam com a “cartinha”.

Sexto: Ore sempre.

Só há duas palavras a dizer sobre isto: Ore! Sempre!

Conclusão

Ao término de seu serviço missionário, você retornará para casa. Retorne com honra! A Missão de Tempo Integral não é uma obrigação para as mulheres. Porém, a partir do momento em que uma mulher decide participar desta obra, ela coloca-se na condição de ter responsabilidade para com o seu chamado.

Quando retornar, venha com a mente focada naquela que deve ser a sua meta pessoal mais importante: um casamento no Templo, com um digno portador do Sacerdócio, para formar uma família para o Senhor. Não é cedo para pensar neste assunto. Isto deve ter todo o seu cuidado.

O Élder M. Russell Ballard, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse:

“(…) o que precisamos atualmente é da melhor de todas as gerações de jovens adultos da história da Igreja. Precisamos de todo o seu coração e toda a sua alma. Precisamos de jovens adultos vibrantes, criativos, entusiasmados, que saibam ouvir e responder aos sussurros do Espírito Santo ao trilharem o caminho em meio às dificuldades e tentações diárias, sendo jovens santos dos últimos dias atualmente. Em outras palavras, é hora de elevarmos o padrão não apenas para nossos missionários, mas também para os ex-missionários e toda esta geração.” Conferência Geral, abril de 2013

Decida hoje que, daqui a um ano e meio, você fará parte deste grupo de pessoas: os “vibrantes, criativos, entusiasmados, que saibam ouvir e responder aos sussurros do Espírito Santo”.

Não se esqueça jamais da lei da colheita: você não colhe o que você não planta. E você só colhe o que plantar. Então, se deseja colher, plante. É o único meio. A terra não dá frutos sem que uma semente lhe seja dada primeiro. É uma troca e tanto: uma semente por uma árvore inteira! Todo o esforço de andar vários quilômetros por dia, bater em milhares portas, ensinar centenas de lições, visitar muitos membros menos ativos, tudo isso será como plantar sementes no solo dos corações. Se, ao final, apenas uma árvore florescer, e esta der frutos, ainda que esta árvore seja unicamente a sua própria alma, que grande colheita será!

Eu servi em uma missão, sua mãe serviu em uma missão e seu irmão também serviu em uma missão. Agora, é a sua vez. Somos uma família missionária. Isto não é simplesmente uma tradição familiar. É muito mais. É a expressão sincera do nosso desejo de servir. Honre este legado familiar.

Nós a amamos!

Sei que o Salvador vive. Ele tem tido grande misericórdia para conosco. Toda a honra e toda a glória ao Seu santo nome. Sei que o serviço missionário é um trabalho essencial ara o estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. Atualmente, serve como Secretário Executivo da Presidência da Estaca. Casado, é pai de 2 filhos.
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