Havia cerca de seis meses que eu havia me mudado para a Cidade de Viamão, e estava no primeiro semestre da Faculdade de Direito. Havia uma moça que veio falar comigo, e ela sempre me falava algumas coisas e outras que não fazia por causa de sua “religião”.

Um dia ela finalmente me disse que era Mórmon. Com muita curiosidade e interesse fui até a internet ver o que a palavra mórmon significava! Qual não foi minha surpresa e espanto, ao encontrar vários sites que falavam sobre a seita dos mórmons.Por ter família de origem evangélica, logo ficou enraizado em mim preconceito contra a religião mórmon.

Eu parei de ter contato com essa amiga por outros motivos, mas por alguma razão me sentia curioso e fascinado ao saber mais sobre os mórmons. Comecei a pesquisar a história da igreja por mim mesmo, e a freqüentar salas de bate papo online sobre o assunto. Conheci diversos tipos de pessoas nessa caminhada solo: membros da igreja, membros afastados, curiosos e pessoas que nutriam um certo tipo de aversão a igreja mas freqüentavam a sala para tentar mostrar que os mórmons iriam para o inferno.
Foram mais seis meses assim. Eu ainda não entendia o porque de querer saber tanto por algo, ainda mais algo que eu discordava, mas que no fundo sentia um certo prazer em descobrir mais. Neste meio tempo conheci uma irmã da Igreja de São Paulo e outra de Alegrete. Ambas se tornaram minhas missionárias.

Após seis meses pesquisando, e voltando na sala e dessa vez até tirando dúvidas de outras pessoas sobre a religião, algumas pessoas achavam que eu era um membro afastado, porque diziam que ninguém sabia tanto e não era membro da igreja. Essas duas novas amigas, diziam que eu já tinha um testemunho da igreja verdadeira, mas não queria reconhecer.

Eu recusava me encontrar com missionários, por ter medo que meus pais não aceitassem meu interesse em uma nova religião e por vergonha do que eles iam pensar.

Naquele ponto eu concordava e gostava com muitas coisas da igreja, mas discordava e achava outras impossíveis como ter um Profeta vivo em nossos dias, Deus falar com seus profetas e o Livro de Mórmon. Algumas vezes eu até gostava de ir para a Biblioteca da faculdade mais cedo, ler Os Ensinamentos dos Profetas. Algumas coisas soavam familiar, e outras eu não aceitava pelo preconceito das coisas que “eu achava que eram certas”.

Estava chegando na época da Conferência Geral, e uma delas me desafiaram a ir até uma capela e assistir a Conferência Geral, e a orar por mim mesmo e saber se realmente existiam profetas em nossos dias. Naquele dia algo estava diferente, pois após 6 meses estudando coisas escritas por pessoas de fora da igreja, ou que falavam mal da igreja sem nunca terem ido, eu havia passado a olhar do ponto de vista da igreja. Afinal quando se estudo Direito, deve se ter um olhar crítico dos dois lados.

Desafio aceito! Eu procurei na internet o endereço de uma Capela próxima a faculdade, e liguei. Um missionário me atendeu. Eu disse que estava pesquisando sobre a igreja havia alguns meses, e queria saber ate mesmo o que fazer sobre me batizar, e que gostaria de assistir a conferência, quando ele desligou. Liguei novamente e ele não atendeu. Deve ter pensado que era um brincadeira.

Pela primeira vez então, orei mentalmente e um pouco frustrado pois se no fundo eu estava começando a achar que essa realmente poderia ser a igreja verdadeira, porque as coisas eram difíceis? Pela primeira vez, sozinho no quarto, ouvi uma voz dizer?

Calma ainda não é o bastante! Continue pesquisando!

Naquele instante, me veio uma lembrança de infância, de quando o Templo de Porto Alegre, teve sua casa aberta, um período no qual não membros como eu podiam visitar o Templo. Eu devia ter oito anos na época, lembro do encarte no jornal, com a foto de outros templos, convidei minha mãe para a visitação pública, mas ela não quis ir. Lembro de ter guardado o encarte numa caixa, mas que depois pelo desgaste das folhas de jornal acabaram indo para o lixo.

Então segui o conselho dado, e continuei pesquisando! Naquela tarde e noite, assisti a todas as sessões da conferência! De fato havia algo diferente nos oradores, a maioria velinhos que realmente me inspiravam querer ser melhor!

Continuei a rotina de estudar sobre a igreja, mas dessa vez no próprio site, e falando mais com membros pela internet, mesmo os afastados. Todos tinham um testemunho, e a frase eu sei que essa igreja é verdadeira, soava um pouco diferente pois era sempre igual, e as pessoas sempre afirmavam isso com orgulho e convicção.

Depois dessa experiência, passado algum tempo tomei coragem e decidi ir até uma capela conversar sobre alguém sobre as minhas dúvidas, e como era ser membro da igreja! Fui na capela próxima a faculdade, em um dia no qual tinha alguns períodos livres, a capela estava cheia de jovens, e algumas pessoas bem arrumadas. Fiquei alguns minutos tomando coragem para entrar, e quando o fiz, fui até o fim da capela, mas ninguém veio falar comigo. Fui embora meio frustrado. Repeti a tentativa mais uma vez nas semanas seguintes, quando novamente ninguém veio falar comigo.

Eu não entendia o porque ser membro da igreja era tão difícil! Naquela época eu já aceitava a igreja! Mesmo não crendo em tudo, eu queria do fundo do meu coração fazer parte dela.

Já estava quase terminando o ano! Lembro da minha amiga de São Paulo comentar um pouco mais sobre os Templos. Ela então me enviou um link do Blog Murilovisk, sobre o Templo de Curitiba.

Aquele foi um dos momentos mais marcantes da minha vida, ver como era um Templo por dentro, entender um pouco do seu significado, mas principalmente sentir um caráter espiritual nele me fez querer de todo meu coração estar em um prédio como aqueles. Decididamente eu queria entrar em um Templo. A melodia da música, também tocou profundamente minha alma. Eu estudei música alguns anos, cada uma das notas, combinavam com os vitrais do Templo.

O mais interessante veio no final, quando realmente adquiri um testemunho do Livro de Mórmon com apenas uma frase, a frase de encerramento do vídeo:

– Sim, vinde a Cristo, sede aperfeiçoados nele… (Morôni 10:32)

Com apenas esta frase, mais do que estar dentro de um Templo, pela primeira e genuinamente vez, eu queria ir ate Cristo e ser como ele. Nunca uma escritura fez tanto efeito como daquela vez. Finalmente era como se eu estivesse pesquisando algo a vida inteira, se resumisse em uma frase!

Agora fazia sentido de continuar pesquisando, porque ainda não era o bastante. A principal preocupação ou busca que eu deveria ter, não era sobre doutrina da igreja, ou sua história, ou sobre estar certo ou errado, mas sim sobre Ser como Cristo é. Naquele momento eu não tive dúvida sobre o que fazer.

Passadas algumas semanas, e decidido a ir na igreja mais próxima de mim, comecei a procurar algumas pessoas que pertenciam ao grupo da igreja próximo a mim. Tentei adicionar várias pessoas mas não obtive êxito, uma moça me aceitou e me passou algumas informações sobre as reuniões da igreja, que naquela época estavam funcionando em uma escola porque a capela estava de reforma.

Antes de ir a igreja, fiz duas coisas me mudaram minha vida. A primeira por mais hilária, que fosse foi levar quase 2 horas para aprender a fazer o nó mais simples de gravata que consegui aprender na internet. A segunda, foi fazer uma oração para perguntar se tudo aquilo era verdade, e para que eu pudesse encontrar o caminho certo. A oração não teve resposta naquele momento, mas eu segui com meu propósito de ir a igreja.

Lembro de ter entrado meio envergonhado, por estar vestido de “membro” da igreja, acredito que não despertei muita curiosidade nos membros, até porque lembro de ter participado da aula do sacerdócio inclusive opinando na aula. No meu primeiro domingo, um dos conselheiros do Bispo, começou a reunião de testemunhos dizendo uma frase que para mim parecia decorada por todos:

– Eu sei que esta é a Igreja verdadeira e que Cristo vive. Eu sei que o Livro de Mórmon é verdadeiro.

Foi um testemunho bem simples, mas ver alguém falando pessoalmente e com convicção me tocaram o coração. No segundo domingo, um dos membros perguntou de que unidade da igreja eu era, se estava me mudando ou a passeio. Naquele instante disse que não era membro, e logo me encaminharam para os missionários. Na semana seguinte, minha mãe disse que não era bom que eu fosse na igreja sozinho e disse que ia me acompanhar no próximo.

Após um curto espaço de tempo, sem ter problemas com café, castidade ou dizimo, eu, minha mãe e irmã fomos batizados no dia 06 de fevereiro de 2010. Interessante que no dia do meu batismo, eu lembrei da oração que fiz antes de dormir. Eu lembrei de um sonho que tive, onde estava na casa da minha falecida vó, e tinha diversos homens de branco que vinham em minha direção e me cumprimentavam. Estes homens, só pude reconhecer no dia do meu batismo, eram eu bispado, presidência do quorum de Elderes e Presidência de Estaca.

Os meses de fevereiro sempre me fazem recordar sobre meu batismo. Sou grato por ser membro e poder dizer que Eu sei que esta é A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, poder ter dito o privilégio de compartilhar minha alegria e testemunho do Livro de Mórmon servindo uma missão de tempo integral.

Apesar das dificuldades para chegar até aqui, sei o quanto foi importante perceverar até o fim, e que o testemunho que eu adquiri nem a morte pode levar.

Eu conheço a voz do meu pastor, e a cada dia tenho procurado me aperfeiçoar para ser como Ele. Sei que Ele me ama, vive e tem um plano para mim. A medida que sigo em sua direção a cada dia posso descobrir um pouco mais da Sua vontade para mim.

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Jefferson Moreira

Jefferson Moreira tem 27 anos e é converso há 5. Serviu na Missão Massachusetts Boston (2013-15). Músico e Bacharel em Direito, trabalha como Analista de Controladoria em um Escritório de Advocacia em Porto Alegre. Serve como Secretário da Estaca Porto Alegre Partenon.
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