Em nosso país dezenas de manifestações populares estão ocorrendo nos últimos meses. Esses movimentos possuem temas variados – mas em geral se resumem a dois grandes: (1) a desaprovação do governo federal atual – com a exigência de mudanças drásticas ou (2) o reforço e apoio aos atos do poder executivo na atual gestão. Diante do que esta acontecendo muitos membros da Igreja se inclinam para um ou outro lado – ou evitam tomar partido. Muitos se perguntam se é apropriado participar ativamente de uma manifestação de rua. Escrevi quatro pontos que talvez ajudem os membros da Igreja sobre o assunto: 

  1. A Igreja é neutra, mas os membros não devem ser neutros na políticaOs edifícios da Igreja não são usados para eventos políticos, a Igreja jamais endossará um politico (mesma que seja Mórmon), e os registros da Igreja jamais serão usados para pesquisas, arrecadação de recursos ou campanha. Os Santos dos Últimos Dias são, todavia, encorajados a serem cidadãos ativos em suas comunidades, especialmente nos assuntos políticos. Eles não são incentivados a se unirem a um partido politico especifico, mas a fazer o melhor que podem por suas comunidades e pelo lugar onde vivem. Cada membro da Igreja deve procurar um partido e candidato que mais adequadamente represente seus interesses. E exigir desse um trabalho sério para o bem da sociedade. Alguns de nossos irmãos da Igreja pensarão diferente de nós quanto a situação econômica, social e politica. Embora tenhamos o mandamento de chegar a unidade da fé (Efésios 4:13), a diversidade enriquece e favorece a Igreja e a vida dos membros. A despeito das diferenças políticas somos todos irmãos e irmãs em Cristo – e o evangelho nos une. Conforme Alma, o pai ensinou: “E mandou-lhes que não contendessem entre si, mas que olhassem para a frente com um único fito, tendo uma fé e um batismo, tendo os corações entrelaçados em unidade e amor uns para com os outros. (Mosias 18:21) 
     

  1. Manifestar-se é direito do ser humano, protegido por pactos internacionais e por nossa Constituição Federal (Art. 5º, IV, XVI)Isso é muito importante! Várias pessoas, em um passado não muito distante não podiam se manifestar publicamente sobre assuntos políticos. Na verdade, até mesmo hoje em dia (infelizmente), em várias partes do mundo, esse não é um direito respeitado pelos detentores de poder. Em nosso país podemos ir à ruas e nos expressarmos com relação ao que bem entendermos. E isso é muito bom! 
     

  1. A decisão de ir e participar de um ato de manifestação popular deve levar em consideração vários aspetos, como tema, local, horário, segurança, etc. Se a manifestação acontecer durante o horário da reunião mais importante da semana: a Reunião Sacramental – seria sábio ir para Sacramental. Se há indícios de que haverá perigo, tais como radicalismos, armas e conduta inadequada, então o lugar de manifestação se tornará inóspito para um santo dos últimos dias.  Para um fiel santo dos últimos dias nem todas as causas são causas boas e que merecem nossa defesa e apoio. Embora sempre devamos respeitar o direito de consciência e seus desdobramentos – como o direito de manifestar-se publicamente –  o Senhor nos ordenou que fossemos uma luz para o mundo (Mateus 5:14). Lembrem-se que quando Morôni viu nossos dias ele disse que nossa “conduta [era] pacífica para com os filhos dos homens” (Morôni 7:4). Ele também nos ajudou a saber se nosso esforço deve ser direcionado para alguma causa ou movimento. Ele disse: eu vos mostro o modo de julgar; pois tudo o que impele à prática do bem e persuade a crer em Cristo é enviado pelo poder e dom de Cristo” (Morôni 7:16). Em Éter lemos: E tudo quanto persuade os homens a fazerem o bem, vem de mim; porque o bem não vem de ninguém, a não ser de mim” 
     

  1. Viver o evangelho é a melhor manifestação contra a corrupção e o mal. Isso não significa que devamos ser passivos. Muitas mudanças importantes e boas vieram ao mundo por meio de manifestações – e até conflitos armados. Vemos exemplos disso nas escrituras e na própria História da Igreja Restaurada. Mas antes de ir à luta, seja por meio de um ato publico pacifico ou por meio de uma atitude mais energética – devemos ter o Espírito de Deus. E obtemos tal dádiva guardando os mandamentos. Lembre-se também que antes do Capitão Morôni iniciar um movimento que levaria muita gente a se manifestar politicamente – e até geraria um conflito armado – ele “derramou a alma a Deus” e “orou para que fosse favorecida a causa dos cristãos e a liberdade da terra.” (Alma 46:16-17). Devido ao viver reto desse homem o Estandarte da Liberdade foi plantado em toda Terra dos nefitas e no coração do povo. O viver reto é o que nos armará “com retidão e com o poder de Deus, em grande glória.” (1 Néfi 14:14).

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Lucas Guerreiro

Lucas Guerreiro serve atualmente como Secretário do Comitê de Jovens Adultos do Brasil. Serviu na Missão Brasil Curitiba (2006-2008).Seus interesses enfocam filosofia, teologia, psicologia, artes plásticas, fotografia e cinema. Ele é escritor, palestrante, analista e consultor de redes sociais. É membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/SP.Estudou Direito na Universidade São Judas Tadeu e atualmente cursa Tecnologia em Jogos Digitais na Universidade Metodista.
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