Durante aproximadamente 1.500 anos os israelitas celebraram as Festas da Primavera e do Outono, para comemorarem a libertação do cativeiro egípcio, as colheitas ano a ano, e a entrada triunfal na terra prometida. Estas festas eram ricas em simbolismos e testificava da futura missão do Redentor de Israel, Jesus Cristo.

Neste último artigo veremos como a última festa do outono cumpre o papel de testificar do Salvador e de Sua missão nos últimos dias. O Milênio, o Julgamento Final e o Retorno ao Reino Celestial são revelados nesta última festa israelita.

Festa dos Tabernáculos

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias desse mês sétimo será a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias. Ao primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis. Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao dia oitavo tereis santa convocação, e oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; assembleia solene será, nenhum trabalho servil fareis.” (Levítico 23: 34-36)

A Festa dos Tabernáculos ou Sucote tinha inicio no dia 15 de Tishrei, ou cinco dias após o Dia da Expiação. Assim como na Páscoa e em Pentecoste, o povo israelita nesta ocasião peregrinava até o Templo de Jerusalém. (Deuteronômio 16: 16)

A Festa dos Tabernáculos alude aos quarenta anos de peregrinação no deserto. Durante todo este período o povo viveu em tendas. Por este motivo o Senhor estabeleceu esta última festa, como um lembrete desses dias anteriores a entrada em Canaã, a Terra Prometida:

“E ao primeiro dia, tomareis para vós ramos de formosas árvores, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias. E celebrareis essa festa ao Senhor por sete dias cada ano; estatuto perpétuo será pelas vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis. Sete dias habitareis debaixo de tendas; todos os naturais em Israel habitarão em tendas; Para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus.” (Levítico 23: 40-43)

Assim, cada família israelita começou a construir a Sucote (tendas) a partir do dia 11 de Tishrei, dia seguinte ao Dia da Expiação. Tal festa deveria durar sete dias, de 15 a 21 de Tishrei. Ainda nestes dias era celebrada a colheita do outono, com frutas e azeitonas, um período de alegria e gratidão pelas provisões do Senhor. (Levítico 23: 16)

Como já mencionado, a cada sete anos ocorria o Ano Sabático, o descanso da terra: “Também seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos; Mas ao sétimo a liberarás e deixarás descansar, para que os pobres do teu povo possam comer, e do sobejo comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.” (Êxodo 23: 10-11) Nesta data específica a Lei era lida para toda a nação: “E deu-lhes ordem Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na festa dos tabernáculos, Quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos. Ajunta o povo, homens, e mulheres, e pequeninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei; E que seus filhos, que não a souberem, ouçam, e aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão, para a possuir.” (Deuteronômio 31: 10-13)

Por ocasião da destruição do segundo Templo em 70 a.C, os israelitas passaram a usar as sinagogas ou suas próprias casas para celebrar as festas santas. Isso de certa forma ajudou a preservar as tradições e rituais, que foram sendo adaptados até os dias de hoje.

Uma parte adicionada a cerimônia da Festa dos Tabernáculos foi a Oferta da Água. Nela sacerdotes desciam as escadarias do Templo até a fonte de Siloé e mergulhavam uma jarra na água e a traziam-na cheia até o altar do templo. Foi durante esta cerimônia, que ocorria no sétimo e último dia da Festa dos Tabernáculos que Cristo declarou: “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a escritura, rios de água viva manarão do seu ventre.” (João 7: 37-38)

Significado e Cumprimento Profético

A Festa dos Tabernáculos é a sétima festa de Israel, realizada no sétimo mês e duravam sete dias. Um paralelo inequívoco com o sétimo dia de descanso da Criação e o Reinado Milenar que viria. Nesta festa também, os israelitas eram incentivados a convidarem os estrangeiros a participarem da celebração, um lembrete de que os gentios também poderiam participar de maneira plena das bênçãos do evangelho no futuro.

Em João 1: 14 lemos: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” O verbo habitar usado neste versículo vem da palavra grega Skenoo, que significa tabernáculo ou “tabernacular”. Aparentemente há um paralelo entre este versículo do Evangelho de João e a instrução dada pelo Senhor no Velho Testamento: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.” (Êxodo 25: 8)

Por orientação divina o Tabernáculo foi colocado no meio do acampamento israelita no deserto, e cada tribo recebeu uma posição fixa ao redor dele. O propósito espiritual dessa instrução prática era mostrar ao povo israelita que Cristo, representado pelo Tabernáculo e posteriormente pelo Templo, deveria ser o centro da vida de cada família e indivíduo do povo do convênio. A essência da Festa dos Tabernáculos era de que o próprio Deus habitaria no meio do povo no Reinado Milenar: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Apocalipse 21: 3-4)

Ao fim da Festa dos Tabernáculos, ou no oitavo dia, o Senhor determinou que fosse realizada uma santa convocação: “… ao dia oitavo tereis santa convocação, e oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; assembleia solene será, nenhum trabalho servil fareis.” (Levítico 23:36) De acordo com a tradição Judaica é neste dia que simbolicamente o plano do Senhor se cumprirá ao fim da Festa dos Tabernáculos (Milênio), o julgamento final se encerrará e por fim, os justos entrarão na Terra Prometida Celestial.

Ao estabelecer a Festa dos Tabernáculos o Senhor providenciou um meio de o povo israelita lembrar e agradecer sua entrada na Terra Prometida, centralizarem suas vidas no Messias que viria e compreenderem que a peregrinação no deserto deste mundo, faz parte do plano que nos guia até o Reino Celestial, onde habitaremos eternamente com Cristo.

Conclusão

As Festas de Israel cumpriram no passado seu propósito de testificarem do Salvador como o Cordeiro Pascal, o Pão sem Fermento, O Primeiro Fruto da Colheita e o Noivo. Também levaram o povo ao arrependimento em preparação para receberem o Grande Sumo Sacerdote que intercedeu por seus pecados, para que Deus habitasse entre eles.

Quando consideramos que, estamos falando de festas e rituais pertencentes à antiga Lei de Moisés, podemos ser tentados a nos perguntar se isso ainda se aplica em nossos dias. No passado, na igreja cristã primitiva, os pais da igreja rejeitaram qualquer associação com os judeus ou o judaísmo, e isso afeta até hoje o modo como enxergamos a maneira que o Senhor falou no passado e fala conosco hoje. No Livro de Mórmon aprendemos com Néfi que devemos aprender com os judeus a compreender as coisas dos profetas: “Sim, e minha alma deleita-se nas palavras de Isaías, porque vim de Jerusalém e meus olhos viram as coisas dos judeus, e sei que os judeus compreendem as coisas dos profetas, e não há outro povo que, como eles, compreenda as coisas que foram ditas aos judeus, a não ser que sejam ensinados à maneira das coisas dos judeus.” (2 Néfi 25: 5)

A intenção do Senhor sempre foi enxertar os gentios à verdadeira oliveira, para que pudéssemos compreender a riqueza de sua mensagem, mas os primeiros cristãos se viam mais como uma árvore separada. Há muito o que podemos aprender ainda, com a Lei de Moisés e seus ritos. Os judeus falharam nisso, ao olharem além do marco, mas nós podemos nos beneficiar daquilo que eles rejeitaram.

Na Festa da Páscoa, por exemplo, os judeus sempre liam o livro de Rute. Um livro que fala sobre uma gentia ser enxertada a família israelita, um gentio voltando-se para Jerusalém, trabalhando na colheita, e trazendo à luz o próprio Messias. Essa é a linda história de Rute. Rute em hebraico significa ‘amizade’, simbolizando a amizade de um gentio com um judeu. Mas Orfa, a outra nora de Noemi, que rejeitou Israel e voltou-se novamente para seus deuses, significa ‘orgulho’ ou ‘virar as costas’. Podemos ser como Rute e nos beneficiarmos de nossa amizade com os judeus, ou rejeitar tudo o que vem deles como fez Orfa.

Deus é o mesmo, ontem, hoje e sempre! Ele cumpriu as Festas da Primavera quando habitou entre nós no Meridiano dos Tempos e certamente tem cumprido e cumprirá as Festas de Outono na Plenitude dos Tempos que hoje vivemos.

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Marcelo de Almeida

De Fortaleza/CE, e com 34 anos, Marcelo de Almeida é solteiro, missionário retornado e serve como Diretor de Indexação da Estaca. Ele estuda Enfermagem e é SUD desde os 16 anos, tendo servido na Missão Brasil Londrina.
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