Haviam duas árvores no Jardim do Eden.

A Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

O Senhor ordenou a Adão e Eva que não comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas não explicou como discernir o bem do mal, eles deveriam usar seu arbítrio e descobrirem por si mesmos. 

A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal

Aprendemos em 2 Néfi 2:15:

“E para conseguir seus eternos propósitos com relação ao homem, depois de haver criado nossos primeiros pais e os animais do campo e as aves do ar, enfim, todas as coisas criadas, era necessária uma oposição; até mesmo o fruto proibido em oposição à árvore da vida, sendo um doce e outro amargo.”

O fruto da árvore do conhecimento era o fruto amargo, talvez desejável e gostoso ao paladar num primeiro momento, mas suas consequências eram desastrosas. 

Quando Néfi prova do fruto da árvore da vida, ele diz, em 1 Néfi 8:11:

“E aconteceu que me aproximei e comi de seu fruto; e vi que era o mais doce de todos os que já havia provado. Sim, e vi que o fruto era branco, excedendo toda brancura que eu já vira.”

No primeiro verso, não conseguimos ter certeza qual fruto é amargo ou doce, mas com o segundo versículo, quando Néfi descreve a árvore da vida em seu sonho, entendemos que esta tem o fruto mais doce já provado pelos homens.

Ou seja, a árvore da vida dá vida eterna a seres mortais e tem um fruto doce.

Como há uma oposição em todas as coisas, a árvore do conhecimento do bem e do mal tem um fruto amargo e venenoso que transforma seres eternos em mortais.

Adão e Eva, após comerem desse fruto amargo, tornam-se mortais, e foram expulsos do jardim pelo Senhor para sua própria proteção, para não comerem do fruto doce da árvore da vida que lhes tornaria imortais antes de cumprirem o propósito de sua existência.

Podemos fazer uma analogia: Se a árvore da vida simboliza Cristo, a árvore do conhecimento do bem e do mal simboliza Lúcifer. Comendo do fruto da primeira, tem-se a vida eterna, comendo do fruto da segunda tem-se a morte, fisica e espiritual.
E se a queda não tivesse acontecido?

Encontramos a resposta em 2 Néfi 2:22-25:

“E então, eis que se Adão não houvesse transgredido, não teria caído, mas permanecido no jardim do Éden. E todas as coisas que foram criadas deveriam ter permanecido no mesmo estado em que estavam depois de haverem sido criadas; e deveriam permanecer para sempre e não ter fim.

E não teriam tido filhos; portanto teriam permanecido num estado de inocência, não sentindo alegria por não conhecerem a miséria; não fazendo o bem por não conhecerem o pecado.

Mas eis que todas as coisas foram feitas segundo a sabedoria daquele que tudo conhece.

Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria.”

Se a queda não tivesse acontecido, Adão e Eva não teriam se tornado mortais, recebido sangue em suas veias, e recebido o privilégio de gerar filhos.

A árvore do conhecimento do bem e do mal estava plantada no meio do Jardim do Éden (Genesis 2:9). Adão e Eva foram “proibidos” de comer de seu fruto (PGV 3:15-17), mas eles não foram proibidos de comer do fruto da Árvore da Vida, que foi protegida por anjos e espadas flamejantes (Gênesis 3:24, e Alma 12:21–23; 42:2–6), após eles terem comido do fruto da Árvore do Bem e do Mal.

A Árvore da Vida

Jeremias 2:13:

“Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.”

Em Jeremias 17:13:

“Ó SENHOR, Esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; o nome dos que se apartam de mim será escrito no chão; porque abandonam o SENHOR, a fonte das águas vivas.”

Mas no verso 21 e 22 de 1 Néfi 11:

“E disse-me o anjo: Eis o Cordeiro de Deus, sim, o Filho do Pai Eterno! Sabes tu o significado da árvore que teu pai viu?

E respondi-lhe, dizendo: Sim, é o amor de Deus, que se derrama no coração dos filhos dos homens; é, portanto, a mais desejável de todas as coisas.”

Então a Árvore da Vida é o Salvador ou o amor de Deus?

Em João 3:16 temos:

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

O amor de Deus é claramente manifestado oferecendo seu Filho unigênito em sacrificio de nossa salvação.

O fruto da árvore da vida era a vida eterna (1 Néfi 15:36 e D&C 14:7). E a vida eterna vem através de Cristo (Mosias 3:17).

Enquanto Adão e Eva estavam no Jardim, eles se encontravam na presença da árvore da vida que era Cristo. Depois de terem comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, foram expulsos da presença da árvore da vida, ou seja, foram separados do Senhor.

Como discernir o bem do mal e retornar à presença da árvore da vida (Cristo)?

1 Nephi 11:25:

“E aconteceu que vi que a barra de ferro que meu pai tinha visto era a palavra de Deus, que conduzia à fonte de águas vivas, ou seja, à árvore da vida; águas essas que eram um símbolo do amor de Deus; e também vi que a árvore da vida era um símbolo do amor de Deus.”

Adão e Eva descobriram a distinguir o bem do mal no jardim por si mesmos, assim como nós descobrimos por nós mesmos, e pela justiça divina, colhemos as consequências de nossas escolhas. Por isso a queda é caracterizada como uma transgressão e não um pecado. O pecado implica conhecimento da lei e a escolha de fazer algo contrário. 

Satanás provavelmente pensou que, após fazer Eva e posteriormente Adão seguirem seu conselho, havia frustrado o Plano do Pai. Adão e Eva não seguraram na barra de ferro quando escolheram comer do fruto, e se tivessem comido do fruto da árvore da vida também, viveriam para sempre em transgressão, mas o Senhor os tirou da presença da árvore da vida em tempo.

A partir do momento que aceitamos a Cristo, nos arrependemos de nossas transgressões, seguramos na barra de ferro, teremos a companhia do Espirito Santo e dai sim, o discernimento de que precisamos para perseverar até o fim.

Isso não significa que precisamos transgredir as leis divinas para descobrirmos o bem e o mal. Se segurarmos na barra de ferro e formos obedientes ao que já sabemos, o Senhor nos abençoará por nossos esforços.

A necessidade da Queda e a volta à presença de Deus

Em Éter 3:13, o Senhor descreve sua visita ao irmão de Jared:

“E quando disse estas palavras, eis que o Senhor se mostrou a ele e disse: Por saberes estas coisas, ficas redimido da queda; portanto és conduzido de volta a minha presença; portanto, mostro-me a ti.”

Ou seja, para ser redimido da queda, precisamos passar pelos anjos e as espadas flamejantes, tornando-nos puros de coração a fim de suportar a glória do Senhor, e assim poderemos entrar novamente em Sua presença.

Não importa a gravidade de seguirmos um conselho errado de Satanás e desobedecermos ao Senhor. Ainda somos responsáveis pelas escolhas que fazemos.

Nosso livre arbitrio, segundo Elder Maxwell, é a unica coisa que nós temos e que podemos dar a quem escolhemos.

Se eu quero viver uma vida fazendo tudo o que quero, com luxúria, pornografia, vicios, drogas, álcool, dívidas, meu arbítrio nao é mais meu, porque me tornei um escravo de quaisquer vicios que tento me livrar agora. Neste caso, minha habilidade de escolha fica comprometida, ou seja, meu arbítrio é perdido.

Quando escolhemos seguir a Cristo, escolhemos colocar nosso arbitrio em Cristo. Sabemos que Ele só quer o nosso bem, e Ele nunca tirará o nosso arbitrio de nós. Sem o arbítrio, não colheríamos as consequências de nossos atos, mas, consequentemente, não poderíamos nos arrepender, consertar nossos erros e um dia comermos do fruto da árvore da vida em retidão, para alcançarmos a vida eterna. 

Porque Adão e Eva transgrediram o mandamento do Senhor e comeram do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, foram expulsos da presença do Senhor (ver D&C 29:40-41). Em outras palavras, eles experimentaram a morte espiritual. Eles também se tornaram mortais – sujeitos à morte física. Esta morte espiritual e física é chamada de Queda.

A queda é parte integrante do plano de salvação do Pai Celestial (ver 2 Néfi 2:15-16; 9:6). Além de introduzir a morte física e espiritual, nos deu a oportunidade de nascer na Terra e aprender e progredir. Através do nosso exercício justo do arbítrio e do nosso sincero arrependimento quando pecamos, podemos vir a Cristo e, através da Sua Expiação, nos preparamos para receber o dom da vida eterna.

Devido a nossa natureza mortal e decaída e nossos pecados individuais, nossa única esperança é em Jesus Cristo e no Plano da Redenção.

Através da Expiação de Jesus Cristo, todos serão redimidos dos efeitos da Queda. Nós ressuscitaremos, e seremos trazidos de volta à presença do Senhor para serem julgados (ver 2 Néfi 2:5-10; Alma 11:42-45; Helamã 14:15-17).

Assim como não desejamos comida antes de estar com fome, não desejamos a salvação eterna até que reconheçamos a necessidade do Salvador. Esse reconhecimento vem à medida que crescemos em nossa compreensão da queda. Como o profeta Lei ensinou em 1 Néfi 10:6:

“Portanto, toda a humanidade se encontrava num estado de perdição e queda; e assim continuaria, a não ser que confiasse nesse Redentor.”

Christina Ayres-Smith

Christina Ayres-Smith é casada e mãe de um missionário servindo na Argentina. Atualmente serve na presidência das Moças de sua Ala em Utah, e é a especialista de mídia da Estaca para o Trek que os jovens farão em 2016 em Martin's Cove, Wyoming. Graduada e pós-graduada em Jornalismo e Psicologia, é autora de vários livros publicados e fotógrafa. Para conhecer mais sobre seu trabalho, visite seu site: http://www.caayres.com/

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