O que se sabe:

Arqueólogos que escavavam em Jerusalém, descobriram um pequeno carimbo que na antiguidade era utilizado para selar documentos ou objetos (um emblema de argila que indicava uma identidade, como uma assinatura), na década de 1980 e pertencentes, a um certo Malkiyahu Ben Hamelek, ou Malkiyahu filho do rei. Datado do final do século VII ao início do século VI AC, “O selo de carimbo em formato oval de Malkiyahu Ben Hamelek, era de pedra malaquita verde-azulada e muito pequeno, medindo apenas 15 mm de comprimento, por 11 mm de largura (menor que uma moeda de 5 centavos) e apenas 7 mm de espessura “. Embora pequeno este carimbo, tem grande importância para estabelecer a existência histórica de uma das figuras mais enigmáticas da Bíblia e potencialmente para uma personalidade do Livro de Mórmon.

Jeremias no capítulo 38, descreve como o profeta Jeremias foi lançado “na masmorra de Malquias (Traduzido de Malkiah, e não deve ser confundido com Malaquias, o profeta do velho testamento), filho de Hammeleque” (Jeremias 38: 6). Enquanto a tradução do Rei Tiago da Bíblia apresentou Hammelech como sendo um nome próprio, Hammelech (ha-melech em hebraico) pode ser mais bem traduzido como “o rei”. Podemos enxergar esta diferença, estudando traduções mais modernas da Bíblia: “Então tomaram a Jeremias e o lançou na cisterna de Malquias, filho do rei” (NRSV).
filhos de zedequias
Imagem: Os Filhos de Zedequias, por Gustave Dore

Em Hebraico, o nome dado a Malquias nesta passagem é Malkiyahu, exatamente como o nome no carimbo, que significa, “Yahweh é rei”. (Este nome é composto dos elementos hebraicos mlk, “rei” e “yhw”, uma abreviatura do nome divino, Yahweh). Consequentemente, é altamente provável que o Malkiyahu no selo não seja outro se não Malquias, citado em Jeremias 38.

Voltando-se para o Livro de Mórmon, Muleque, o filho de Zedequias, faz sua primeira aparição em Mosias 25. Segundo o registro nefita, Muleque escapou com sua família de um massacre das mãos dos babilônios (2 Reis 25: 1-7) e estabeleceu uma colônia no Novo Mundo em uma região mais tarde chamada Zaraenla, de acordo com um dos descendentes de Muleque (Mosias 25: 1- 5). Após sua descoberta, os chamados Mulequitas se uniram aos nefitas e aceitaram Mosias como seu rei (Omni 1: 12-19).

destruição de Jerusalém pelos Babilônios
Imagem: A destruição de Jerusalém pelos Babilônios, por James Jacques Joseph Tissot

O nome Muleque não é encontrado na tradução do Rei Tiago da Bíblia. Ainda assim, alguns estudiosos Santos dos Últimos Dias, propuseram que Muleque é uma forma hipocorística (abreviada ou encurtada) de Malquias ou Malkiyahu, ou, uma forma desse nome que deixou cair o elemento divino (yhw), deixando apenas mlk (que significa “rei”). Se o Malquias da Bíblia é a mesma pessoa que o Muleque do Livro de Mórmon, então o selo pertencente à Malkiyahu daria credibilidade independente à existência histórica de Muleque.

O que complica um pouco as coisas é o fato de que a identidade do pai de Malkiyahu (“o rei”) é desconhecida. O arqueólogo SUD, Jeffrey Chadwick, perguntou: “Malkiyahu era o filho de Zedequias? Uma vez que nem o selo Malkiyahu, nem a passagem em Jeremias 38:6 especificamente estipulam que Zedequias era o rei a quem Malkiyahu estava relacionado, só podemos supor que isso seja um sim.”

No entanto, Chadwick raciocinou “que nenhum outro monarca foi registrado em Jeremias 38”, e que isto “sugere muito fortemente que o rei, que era o pai de Malkiyahu, era o rei no contexto geral do capítulo, ou seja, Zedequias”.

O porquê
muleque
Imagem: O selo de Muleque, por Jody Livingston

Embora impossível provar definitivamente, Mulek pode ser visto como um candidato muito forte a ser o Malchiah ou Malkiyahu mencionado no livro de Jeremias e no pequeno artefato descoberto em Jerusalém. Enquanto outros fatores desconhecidos permanecem sem solução, como a idade de Muleque quando ele fugiu de Jerusalém, essas complicações não diminuem a força geral da evidência apresentada acima. Na verdade, ao encontrar essas evidências, o proeminente estudioso bíblico não-mórmon, David Noel Freedman, exclamou: “Se Joseph Smith armou esta, ele fez muito bem!”

Conhecer a identidade de Muleque e seu alto status na sociedade de Jerusalém, ajuda os leitores a entenderem e apreciar melhor a história bíblica e do Livro de Mórmon e as personalidades presentes. “Muleque é importante porque estabeleceu um dos povos do Livro de Mórmon e, também porque os estudantes da Bíblia assumiram que Nabucodonosor executou todos os filhos de Zedequias, uma observação não apoiada por evidências antigas e refutada pelo Livro de Mórmon que conta da sobrevivência de Muleque”.

Além disso, e muito importante para a historicidade do Livro de Mórmon, como a rara descoberta dos altares Nihm, no sul da Arábia é ligada à morte e enterro de Ismael com a descoberta ainda mais rara deste pequeno selo inscrito, “é bem possível que um artefato arqueológico de uma personalidade do Livro de Mórmon foi identificado. Parece que o selo de Muleque, foi encontrado.”

Traduzido de https://knowhy.bookofmormoncentral.org/content/has-a-book-of-mormon-artifact-been-found

Felipe Rezende

Casado, uma filha. Químico, apaixonado por Ciência, Tecnologia e Música. Entusiasta da História, Engenharia e Aviação, serviu na Missão Nova York, Nova York Norte entre 2008 e 2010.
Atualmente serve em chamados na Ala Bougainville, Estaca Anápolis, Goiás, Brasil

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